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      Cifra Club News

      Negra Li fala sobre o disco “Tudo de Novo”, carreira e mais

      4 de julho de 2012 14:35 Por Gustavo Morais

      Em "Tudo de Novo", Negra Li canta sobre as facetas do amor

      A cantora Negra Li acaba de lançar o disco “Tudo de Novo”, o seu terceiro trabalho.

      Sob a batuta do produtor Rick Bonadio, a artista gravou 11 canções que possuem como temática a questão do “amor romântico” e suas variáveis. Há, por exemplo, letras sobre obsessão, saudade e entrega incondicional. Ao ouvir o disco, percebe-se que cada música parece ter sido minuciosamente arquitetada para a voz de Negra Li.

      No que diz respeito aos arranjos, o CD apresenta uma tendência mais próxima ao soul. Esta sonoridade, de certa forma, oferece uma abertura para que o lado de intérprete de Negra Li se revele ainda mais.

      Em um bate-papo com o Cifra Club News, a cantora falou sobre os processos de concepção do novo álbum.

      1- São alguns anos entre o lançamento de “Negra Livre” e “Tudo de Novo”. Por que ficamos tanto tempo sem material inédito de Negra Li?

      Negra Li: devido a tanto trabalho! Tive um bom tempo livre para colher tantos frutos, principalmente do disco “Negra Livre” e também das participações (em trabalhos de outros artistas). Eu viajei… Muita coisa aconteceu! Tive minha filha, me dediquei um tempo à maternidade, me casei construí um lar! Foi muito gostoso poder viajar. Fui pra Austrália, Nova Zelândia, Japão, México e Alemanha. Me sinto lisonjeada e honrada por poder ser abraçada pelo Brasil a ponto de poder ficar tanto tempo sem gravar e sem parar de fazer show, sem parar de viajar.

      2 – O seu álbum anterior conquistou um “Disco de Platina”, em razão das 200 mil cópias vendidas. Seu primeiro trabalho chegou a “Disco de Ouro”. Diante da atual situação do mercado fonográfico, qual é a receita para que “Tudo de Novo” possa ir bem comercialmente?

      Negra Li: é um CD que lembra muito a década de 80, com mistura de Tim Maia, Hyldon, Sandra de Sá e dessa era que foi muito bacana aqui no Brasil. O álbum vem com um trabalho visual muito bonito, com fotografia de J.R. Duran e então é um trabalho muito bonito de se pegar, de se vê. Quem sabe com tudo isso a gente consiga combater a pirataria e usar a internet como um apoio. Esse lance do iTunes é muito legal, eu mesma já comprei meu disco por lá! É barato, é prático, dá para ter no celular… Vamos ver no que vai dar, espero que dê tudo certo.

      3 – “Tudo de Novo” apresenta um ligeiro distanciamento do rap rumo ao soul com pegada pop. Esta mudança não é inadmissível e muito menos descaracteriza a sua carreira. Na turnê você vai abrir mão das canções mais engajadas em pró do  novo CD?

      Negra Li: sempre vai ter de tudo! Eu sempre gostei de ser uma cantora versátil e meus shows têm totalmente essa cara. Eu ainda canto as músicas dos meus trabalhos anteriores e alguns covers que eu gosto, como de Lauryn Hill, Aretha Franklin e Jorge Ben Jor. A música brasileira é muito rica porque a gente pode misturar gêneros e é um prazer fazer de tudo e misturar sonoridades.

      4- Você gravou compositores dos mais variados gêneros musicais. Passa pela pegada sambista de Leandro Lehart, pelo pop rock de Leo Jaime, Leoni e Scandurra, além, claro, de seu trabalho autoral. Qual é o grau de liberdade que você possui para selecionar o repertório que vai gravar?

      Total liberdade, com certeza! A gente teve muita sorte, alias, com esse repertório. As 11 músicas que chegaram foram as 11 que entraram no CD. Nada sobrou. Veio tudo certeiro, tudo para ser! É uma honra poder ter músicas do Sérgio Brito, que é um excelente profissional, um excelente compositor e as letras deles são muito poéticas. Leandro Lehart também muito bom no que faz.

      5 – Quais são as principais colaborações que o produtor Rick Bonadio trouxe para “Tudo de Novo”?

      Eu chamei o Rick para conversar em 2010 e batemos um longo papo. Ele me falou o que pensava, eu falei o que eu queria e as ideias se bateram. Quando a gente voltou a se falar, em 2011, para começar os trabalhos, ele já tinha três músicas do Sérgio Brito e já tinha a música de trabalho, que é do Mauricio Bressan.  As ideias dessas músicas que eu regravei – que foram três – duas foram sugestões do Bonadio.

      6 – A cultura hip-hop no Brasil passa por uma ótima fase. Qual o principal conselho que você oferece para que a galera consiga manter a chama do movimento cada vez mais forte?

      O rap não é só um tipo de música, ele é um estilo de vida. E você para entrar nesse movimento tem que entrar de corpo, de alma, de cabeça… É um movimento politizado. Por mais que hoje tenham mais letras de amor, que fale de outras coisas, que também é legal, eu penso que não podemos nos esquecer do  propósito do rap. Enquanto fizerem o rap desse jeito, vai dar certo. Por isso que essa cena jovem, da atualidade, está muito boa! Porque não esqueceram a essência. E eu estou muito orgulhosa do movimento hip-hop, de ter começado no hip hop e de todas essas personalidades que as pessoas se transformam. Não só MCs. São personalidades, como a Flora Matos, Emicida, Projota, Karol Conká… A gente tá com um time muito bacana e o rap realmente está em uma fase muito legal.