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      Edu Falaschi, do Almah, fala sobre novo disco, carreira, fãs e mais

      23 de janeiro de 2014 10:41 Por Laiza Kertscher

      Depois de deixar os vocais do Angra, em 2012, o vocalista Edu Falaschi agora se dedica integralmente a banda Almah, que fundou e lidera desde 2006. Além de Edu, o grupo é formado por Marcelo Barbosa (guitarra), Marcelo Moreira (bateria) e Raphael Dafras (baixo), e trabalha agora a divulgação de seu mais recente disco, “Unfold”. O quarto álbum de estúdio do Almah foi lançado em novembro do ano passado e mostra uma banda madura e preparada para ganhar a cena heavy metal mundial. Em um bate-papo com o Cifra Club News, Falaschi falou sobre o processo de composição do disco, a recepção da banda no Brasil e no exterior e os planos do Almah para o ano. Confira:

      No disco “Unfold”, o Almah abre um leque de influências musicais, navegando pelo heavy metal, pelo prog e até pelo hard rock, mas sem se prender a eles ou aos rótulos do power metal. Como foi o processo criativo do álbum para compor todo esse experimentalismo?

      Edu: O “Unfold” foi o meu primeiro disco fora do Angra, então isso me influenciou muito. Na hora de compor, eu estava 100% focado no Almah, então tive a liberdade de experimentar coisas que realmente influenciaram toda minha carreira. Na hora de compor eu pensei: “eu não quero ter limites”. Fui compor no piano, tocar violão, desenvolver melodias diferentes que eu não estava acostumado a fazer, mas a estrutura básica do Almah foi mantida. Nós já temos definida a personalidade da banda. A gente faz um heavy metal que tem influências, obviamente, do power metal, mas com muitas coisas modernas. O Almah soa moderno, é uma banda que tem como objetivo principal ser contemporânea. Essas misturas que a gente faz com thrash metal, com pop, com o próprio heavy metal tradicional e obviamente o power metal, é nisso aí que está o tempero que cria a sonoridade do Almah, que basicamente tem como seu principal diferencial os contrapontos dentro das músicas. Então, a primeira parte da música é de repente super melodiosa, e a ponte já é uma coisa bem mais trincada, com vocal mais rasgado que não tem nada de melodioso, é mais pesadão. E o refrão volta em uma melodia super pop, que poderia ser uma música do próprio Michael Jackson. Só que o jeito que a gente toca é heavy metal. O jeito que eu componho é esse. Eu componho música, independente do estilo. Eu componho a música para ela soar bacana, ter um bom refrão, ter uma melodia, mas na hora de tocar a gente toca no estilo heavy metal. Essa que é diferença do Almah, é a gente ter essa pegada mais popular na hora de compor, mas na hora de executar é heavy metal. Então essa junção faz bastante diferença e cria o estilo singular que temos hoje no Almah e que tem chamado muito a atenção das pessoas. Muita gente inclusive na Europa chegou a falar que a gente inventou o ‘groove metal’, já que a gente tem muita coisa de guitarra mais popular, coisa que bandas como Alice In Chains e Soundgarden tem, uma coisa mais rock and roll mesmo, mas a gente toca com guitarra de sete cordas, mais ‘pesadão’. Então é heavy metal mas o jeito de tocar é meio ‘groovado’.

      Normalmente o público do metal é muito segmentado entre gêneros e não é muito aberto a esse tipo de variedade musical, mas a recepção de “Unfold” foi muito positiva e várias críticas citaram o disco como o melhor da banda. Como vocês posicionam o álbum em sua carreira?

      Edu: Eu concordo. Com certeza, até agora, é o melhor álbum do Almah, é o mais representativo. É o álbum que mostra que a banda veio pra ficar e criou seu próprio estilo. Uma banda que conseguiu se renovar dentro de um estilo que teoricamente, já era falado, que já estava morto, que é o power metal, ou metal melódico, como chamam aqui no Brasil. Então a gente conseguiu renovar uma coisa que teoricamente as pessoas achavam que não era mais possível ser renovada. A gente conseguiu criar esse diferencial e está despontando nas paradas, as pessoas estão curtindo e comentando bastante. O número de fãs está aumentando cada vez mais e a gente fica bem contente de ter conseguido esse diferencial, de soar inovador e mostrar para as pessoas que é possível soar original.

      E como tem sido o retorno do público no exterior? Recentemente o Almah fez uma turnê na Europa, já tocou no Japão… como tem sido a recepção lá fora?

      Edu: Como a gente é uma banda brasileira, já chama muito a atenção deles, eles gostam de bandas de fora, e principalmente o Brasil que é uma coisa mais exótica para quem é de fora. O Almah no Japão está com um respaldo bem grande, nós temos vendido milhares de discos por lá. E a gente tem tido uma abertura bem grande na Europa, principalmente na França, na Itália e na Espanha, que são os três países que o Almah tem mais nome na Europa. E essa turnê que a gente fez por lá em novembro confirmou isso, esse reconhecimento do Almah no continente europeu. Mas onde que a banda está crescendo bastante, está ficando gigante mesmo é no Japão, em primeiro lugar, e tem crescido muito no Brasil também. A gente está bem contente com isso e agora é só continuar o trabalho.

      No ano passado o Almah deu um importante passo em sua carreira, se apresentando no palco do maior festival de música do Brasil. Como a banda percebe a presença do metal brasileiro dentro de um festival como o Rock In Rio e qual foi a percepção da banda ao tocar no evento.

      Edu: A gente ter tocado no evento foi maravilhoso. O Almah cresceu muito no Brasil e chegou nesse patamar de ser convidado para tocar no Rock in Rio. Mas a pessoa que mais contribuiu para ter tanta banda de heavy metal no Rock in Rio, principalmente as brasileiras, foi a Monika Cavalera, que é empresária do Sepultura. Ela foi a responsável por tudo isso. Se não fosse ela, não teríamos um décimo das bandas brasileiras de metal que tocaram no festival. Se aconteceu esse tipo de abertura com certeza foi por causa dela e a gente só agradece por isso. A gente ter tocado lá foi fenomenal e inesquecível. Foi muito importante para a carreira do Almah.

      O metal no Brasil, como na maioria dos países, não é um gênero das massas, mas possui uma fiel legião de seguidores, mas que normalmente prefere importar a música do exterior. Como o Almah enxerga a presença do metal no Brasil e a recepção do público brasileiro às bandas de metal na cena musical nos últimos anos.

      Edu: Acredito que o Brasil vai se posicionando mais no mercado a medida que for colocando melhor as bandas, com mais qualidade, as bandas aparecendo com melhores gravações, com boas músicas, boas composições. E a partir daí eu acredito que a cena heavy metal no Brasil vai crescer bastante nos próximos anos, principalmente para as bandas nacionais. Eu tenho essa confiança.

      Você está sempre engajado em workshops musicais pelo Brasil. Como é passar suas experiências para os novos músicos e qual seria o principal conselho que você daria para quem quer se aventurar pelo mundo da música.

      Edu: Eu adoro fazer workshops, adoro estar em contato com o público e com os músicos que estão começando. O conselho principal que eu dou é confiar em você mesmo, batalhar 100% dentro daquilo que você acredita. Não olhar para os lados, não ficar ouvindo besteira de gente que fica querendo te detonar, fazer você perder sua confiança. Acredito que você tem que ter fé naquilo que você gosta. O primeiro conselho que eu dou para quem quer fazer música é : faça aquilo que você acredita. Se você acredita no heavy metal, faça heavy metal. Se você acredita no samba, faça samba. O mais importante é estar feliz e fazer aquilo que você acredita.

      O Almah começou com seu projeto paralelo, mas com o tempo tomou forma de banda, como um “plano B” que se tornou um “plano A” e agora segue a todo vapor, com novos trabalhos e turnês. Quais são os próximos passos da banda?

      Edu: A gente está no processo de divulgação do “Unfold”. Estamos fazendo a turnê mundial. Já fizemos Europa, estamos fazendo Brasil agora e estamos em contato com América Latina e Japão, que ainda não está confirmado, mas estamos correndo atrás. Nosso objetivo principal agora é a divulgação do disco, tocando muito. A gente quer fazer o máximo de cidades possível no Brasil, queremos tocar no país todo. Estamos focados nisso mas temos outros projetos, muitas novidades que vão acontecer em 2014, com vários lançamentos que o Almah está planejando. Mas sempre focado no fã, o Almah é uma banda que trabalha eliminando os intermediários entre a banda e os fãs. Nossa busca é eliminar esse intermédio e estar sempre muito em contato com os fãs. Tudo que a gente fizer basicamente é direcionado para o fã do Almah. A gente acabou de lançar um novo produto, que são os backing tracks do disco “Motion”, em que cada um pode tocar um determinado instrumento. Está à venda no iTunes, será só por meio da mídia digital. A gente relançou o álbum com as faixas, por exemplo, sem o baixo para os baixistas tocarem junto com as músicas do Almah. Uma outra faixa sem a batera, e tem sem as vozes, sem as guitarras, para cada músico poder tocar junto com as bases profissionais, bem gravadas e mixadas. Então a gente deu esse presente para os fãs. E a gente vai lançar mais uma novidade, agora do disco “Fragile Equality”, algo parecido, mas não vamos fazer igual. Queremos algo diferente, mas é algo bem para o fã. Estamos pensando também no DVD, que esse ano a gente espera conseguir gravar, sempre pensando bastante no que os fãs gostariam de ouvir. Então nosso foco é: divulgação do “Unfold”, lançamento de vários produtos, coisas inéditas para os fãs e a gravação do DVD, que é uma grande parte da nossa prioridade.

      Além da entrevista, o Edu também mandou um recado para a galera do Cifra Club.

      Edu: Em primeiro lugar, quero agradecer ao Cifra Club pelos projetos e oportunidades de parceria, muito obrigado pelas oportunidades. E segundo, aos internautas que estão sempre ligados no Cifra Club, obrigado pelo apoio, principalmente aos fãs do Almah que estão sempre junto com a gente. O Almah e os fãs são uma coisa só. Então nós agradecemos muito essa união. Se preparem que ainda tem muita coisa para rolar.