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      Vespas Mandarinas: banda lança novo clipe e fala sobre a carreira

      11 de agosto de 2014 9:38 Por Laiza Kertscher

      A banda Vespas Mandarinas lançou, nesta terça-feira (5), o seu novo videoclipe, da faixa “Santa Sampa”. A música é o terceiro single de “Animal Nacional”, primeiro álbum de estúdio da banda formada por Thadeu Meneghini, Chuck Hipolitho, Flavio Guarnieri e André Dea. Aproveitando o lançamento do vídeo, o Cifra Club bateu um papo com o músico Tadeu Meneghini, que falou sobre a formação da banda, as parcerias em composições e muito mais.

      O Vespas Mandarinas surgiu como um “super grupo” da cena alternativa, com Chuck vindo do Forgotten Boys; Tadeu, do Banzé; e André e Flávio do do Sugar Kane. Como esses diferentes caminhos culminaram no Vespas?

      Thadeu: São os acasos da vida que fazem essas configurações. É lógico que a gente pode fazer mil teorias e tentar juntar os gostos pessoais, mas acho que o maior ponto aí é o acaso. É o acaso que fez eu encontrar com o Chuck bem no momento que ele estava saindo do Forgotten Boys e o Banzé estava em uma fase em que eu estava ficando meio que sozinho, todo mundo estava abandonando o navio, então a gente se encontrou e eu não queria desistir da música. O primeiro passo que a gente deu juntos foi o Conjunto Vazio, que foi um projeto que eu montei quando o Banzé acabou. E como eu não tinha mais uma banda eu pensei em tocar com quem eu pudesse tocar. Onde eu tivesse a oportunidade de tocar, eu ia tocar. No Conjunto Vazio eu toquei com o Genival Lacerda, Tatá Aeroclube, e toquei com o Chuck também. Foi um projeto que tinha uns 20 convidados. Eram várias músicas com formações totalmente diferentes. E eu já tinha encontrado com o Chuck na estrada e eu vi que a gente tinha uma conversa franca, legal. Vi que a gente tinha abertura para montar alguma coisa. Quando ele montou a banda, na verdade ele montou a banda primeiro, eu liguei pra ele e falei: ‘Cara, como é que você vai montar uma banda e não vai me chamar?’. E aí ele falou: ‘Pô, entra aí na banda. Como é que eu não vou te chamar?’. (risos) Então a gente foi fazendo um apanhado do que a gente tinha, para fazer o primeiro EP, meio que “sem pretensão”. A banda tinha uma formação, com o Mauro no baixo e o Mike na bateria, e enquanto eu e o Chuck estávamos totalmente envolvidos, o Mike e o Mauro não estavam no mesmo envolvimento, então eles saíram da banda, e aí a gente chamou o Flavinho e o André, que tinham acabado de produzir um EP do Sugar Kane no estúdio do Chuck. E aí a gente fez o EP “Sasha Grey”, já com músicas autorais, pela Deck, no selo Vigilante, quando eles estavam apostando em bandas novas. Foi aí que a gente começou a plantar as sementes que viriam a dar no “Animal Nacional”, que é o disco que a gente lançou ano passado.

      O primeiro álbum da banda, “Animal Nacional”, foi lançado no ano passado e trouxe participações de nomes como Bernardo Vilhena e Arnaldo Antunes nas composições. Como surgiram essas parcerias?

      Thadeu: O Bernardo, eu já tinha muita vontade de trabalhar com ele, admiro muito o trabalho dele como letrista. Acho ele pouco enaltecido, pois acho que ele está no mesmo nível do Renato Russo e do Cazuza, essa galera dos anos 80, que é uma galera que a gente tem sempre enaltecido, dizendo que o rock brasileiro teve sua melhor fase no rock dos anos 80. E o Bernardo é dessa época. Na verdade, o Adalberto Rabelo Filho, que é nosso principal letrista, ele não é da banda, mas a maioria das letras do “Animal Nacional” são dele, ele conheceu o Bernardo em um evento em Brasília e colocou a gente em contato. A gente ficou praticamente um ano tentando fazer alguma coisa, eu peguei alguns poemas do Bernardo e musiquei, fiquei fazendo esse intercâmbio com ele, mas o Bernardo é super criterioso, ele tem os critérios dele para definir se as coisas ficam na nossa intimidade ou vão pra vida real. Quando eu estava quase achando que não ia rolar nada, que eu já tinha musicado dois poemas dele e ele não tinha “aprovado”, e aí ele me propôs eu mandar uma melodia pra ele e daí a gente desenvolveu uma letra do zero, sem mexer com os poemas dele. Que eu estava mexendo com poemas bem antigos, da década de 70 que ele tinha feito, em livros mimeografados, que o pessoal vendia de mão em mão e nem circulava em livrarias. E daí nasceu o “Santa Sampa”, que é o terceiro single do “Animal Nacional”.

      O Arnaldo também foi super legal, a gente tinha essa “pretensão” de enaltecer as letras do rock, trazer essa preocupação para o rock que a gente achava que estava um pouco perdida. E com ele foi um trabalho bem profissional de mandar a música, ele topar fazer a parada, e mandar já bem na métrica. Tanto o Arnaldo, tanto o Bernardo, deu pra sentir o cuidado que eles têm com a junção da palavra com a melodia, o significado, os dois trabalham com a semiótica, isso está bem presente nas letras dos dois.

      Pelo Facebook vocês criaram muita expectativa sobre o videoclipe da faixa “Santa Sampa”. Como foram as gravações do vídeo?

      A gente teve a participação da Nicole Puzzi, da filha dela a Monique, a Monica Mattos, e a Monica Piloni foram as atrizes, o diretor é o Kapel Furman, que trabalhou comigo na época do Banzé, fez o clipe de “Cobra de Vidro”, ele tem uma linguagem ligada ao cinema marginal, ele já produziu vários filmes, inclusive ele trabalho na última edição do filme do Zé do Caixão. Ele tem um trabalho super legal de efeito visual direto, ele constrói mãos, sangue, ele constrói imagens de monstros, ele faz isso super bem. E ele é um baita diretor, ele tem super apreço pela qualidade da imagem. A gente gravou as principais cenas no Riviera, que é um bar que na década de 60 era muito frequentado pela galera de esquerda, ele foi reformado faz um ano, ele tem um super visual, ficou super legal. E a gente brincou com a formação da banda no videoclipe.

      Confira o vídeo de “Santa Sampa”:

      Ano passado a banda tocou no Lollapalooza Brasil, um festival com grande visibilidade. Como foi essa experiência?

      Thadeu: O Lollapalloza foi o primeiro grande festival que a gente fez. A gente ainda tinha como desafio ocupar um espaço daqueles, saber se vai ter público, saber como é a interação, que a gente está muito acostumado a tocar em clubes menores. A proximidade com o público faz com que o show aconteça de uma forma diferente. Naquela distância que a gente está ali, a gente tem que aprender a lidar com o público de um outro jeito. Então foi uma experiência legal, a gente abriu o festival, fizemos um show de 40 minutos, foi um show bem marcado mesmo, não teve atrasos. Mas acho que também na questão de interação com o público a gente conseguiu mandar o recado, acho que já tinha pelo menos umas 10 mil pessoas, foi super positivo o resultado pra gente. Mas teve uma repercussão legal, saiu em todos os meios de comunicação que estavam cobrindo o festival. Às vezes eles não dão muita atenção para as primeiras bandas, eles falaram como que foi a abertura. E a gente também sentiu um resultado depois. Tem muita gente que vem procurar a banda, vem contratar para fazer show pelo fato da gente ter tocado no Lollapalooza.

      Vocês atualmente estão excursionando com shows de seu primeiro disco. Vocês já avistam o lançamento de um próximo trabalho? Quais são os próximos planos da banda e por onde vocês pretendem navegar agora?

      Thadeu: A gente está trabalhando no terceiro single, o “Santa Sampa”, o “Animal Nacional” a gente acreditava que seria um disco para a gente trabalhar um bom período com ele, fazendo músicas de trabalho, com clipe, colocando a música no rádio, divulgando na internet, fazendo trabalho focado na música de trabalho, assim como as bandas da década de 80 faziam. A gente está apostando nessa maneira de trabalhar junto com a gravadora. Então a gente espera trabalhar mais um single depois do “Santa Sampa” e a gente já está trabalhando as músicas novas, inclusive no Lollapalooza a gente estreou uma música nova, uma parceria com um novo letrista. Porque daí quebra um pouco dessa coisa de que a gente só enaltece a galera dos anos 80, só os anos 80 que foram bons, não. A gente sabe que o rock tem vários expoentes e essa música que a gente lançou no Lollapalooza é uma parceria com o Marcelo Yuka, que está rendendo algumas outras músicas. Além dessa nós já temos mais duas.

      Para finalizar, envie um recado para a galera do Cifra Club.

      Thadeu: Galera do Cifra Club, quando vocês forem ver as nossas músicas ou do artista que você quer tirar aí, fique atento, eu acho super positivo a interação que acontece no Cifra Club, das pessoas repartirem a maneira como tiraram as músicas. A gente até gostaria de fazer uma página pra gente, mostrando a maneira que a gente toca, esse pode ser um próximo passo pra gente passar alguma coisa dos nossos arranjos, e isso a gente sempre vê a galeria pedindo, fazer algo mais mostrando o lado dos arranjos mesmo.