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      Profissão Músico: trabalhando em uma orquestra de trilhas sonoras

      19 de agosto de 2017 10:34 Por Damy Coelho

      Marcos é arranjador em uma orquestra que toca trilhas sonoras de games e filmes (Divulgação)

      Logo ao ingressar na faculdade de música, o aluno já passa a ter contato com as orquestras – diferentemente de quando estava fora do ambiente musical, a orquestra na universidade é quase um elemento fundamental, básico, afinal, consegue juntar toda a espécie de instrumentistas em um mesmo grupo.

      E ao contrário do que muita gente pensa, as orquestras não se relacionam apenas com a música erudita – e este é outro ponto que a universidade ajuda a desmistificar. O músico Marcos Mello, por exemplo, viu na Academia uma forma de tentar trazer a orquestra para um universo mais popular, não-erudito. “O meu desejo é aproximar os dois mundos”, explica.

      Como ele faz isso? Sendo o arranjador de uma orquestra voltada para a trilha sonora de jogos e filmes, a Multiplayer, de Belo Horizonte. Isso mesmo. Quem disse que orquestra e games não combinam?!

      Abaixo, uma apresentação da Multiplayer tocando a famosa música do Super Mario <3:


      Como arranjador, Marcos tem uma função importantíssima: a de montar a partitura para os músicos. “Nós pegamos a trilha de um jogo, por exemplo, o Sonic, e transformamos essa trilha em uma música executável por uma orquestra sinfônica. A melhor palavra é transformação mesmo, porque muitas vezes eu preciso adaptar a trilha para um formato interessante de ser executável, já que muitas músicas são curtas, só com duas ou três linhas melódicas, e aí precisamos criar o resto”, explica. E é a partir dessa “transformação” que Marcos monta as partituras para os músicos.

      Montar as partituras é um trabalho que exige revisão, concentração e muita criatividade. “É preciso ter noção do que fica bom para cada instrumento e aí, a criatividade e percepção são fundamentais“.

      Entendeu, né? Para trabalhar como arranjador, é preciso ter conhecimento de instrumentos de sopro, corda, percussão e todos que fazem parte da orquestra em questão – se ela for sinfônica, indica que é uma orquestra completa, com todos os tipos de instrumentos. É o caso da orquestra em que Marcos trabalha como arranjador.

      Ou seja, além de ser um músico disciplinado e saber escrever partituras, é interessante que o arranjador estude cada instrumento. Difícil? “Trabalhar com orquestra é algo muito gratificante, no entanto requer uma bagagem de esforço e estudo grande, e poucos se aventuram por conta disso”, explica

      FORMAÇÃO

      O Marcos é mestre em Música pela UFMG, mas garante que não necessariamente uma faculdade de música é essencial para o arranjador. “Para trabalhar com orquestra, precisa estudar orquestração, ou seja, como funciona cada instrumento de forma separada, e como eles também funcionam quando estão combinados. Isso requer a parte teórica do assunto, mas também a prática”, explica.

      “Para saber lidar com uma orquestra, o orquestrador precisa ter contato com uma orquestra real, para que possa aprender com as experiências nela obtidas e não cometer os mesmos erros. A faculdade de música, desde que seja um curso relacionado nessa área (composição, regência), irá proporcionar isso, e é uma vantagem muito grande sobre quem estuda por conta própria”, conclui.

      A ORQUESTRA

      O termo “orquestra”vem do grego antigo e indica ‘lugar de dança’. Ao longo dos anos, a orquestra tomou vários papéis na história da música, desde concertos para monarcas, trilha sonora para óperas e filmes, e até mesmo parceria com bandas populares, trilhas de jogos e musicais (como é o caso da orquestra onde Marcos trabalha).

      O próprio músico explica:

      “A versatilidade de uma orquestra é grande devido à possibilidade de conseguir realizar inúmeros timbres sonoros de acordo com a combinação de seus instrumentos, e é isso que a mantém tão na moda até os dias de hoje”.

      E se uma orquestra já é algo foda, imagina uma orquestra voltada para trilhas sonoras? Seria o emprego dos sonhos de um músico?

      “Me sinto muito realizado mesmo. Consegui alcançar o famoso “faço o que mais gosto e ainda me pagam pra fazer”. Mas ele explica que muitas vezes sua missão não é fácil.

      Além de trabalhar na Multiplayer, Marcos tem outro projeto sinfônico, que mistura uma orquestra com banda de metal (!), chamado Falanstèr. É a prova definitiva de que, dá, sim, para encaixar a orquestra em formatos mais populares.

      “Na Multiplayer, mostramos que trilhas de jogos e orquestras podem sim combinar e se atrair uma pela outra, mesmo que às vezes a sociedade veja os dois lados de maneira contrária. Já no meu projeto de banda, o Falanstèr, consigo mostrar que o metal pesado com guitarras distorcidas pode também combinar com canto lírico, corais, e uma orquestra sinfônica”.

      Como dá pra ver, a dedicação é gigante, e o aprendizado de um arranjador exige estudos constantes. Mas as gratificações são constantes.

      “No final, só de ver uma orquestra tocando uma música ou arranjo que produzi, já vale a pena todo o esforço”, conclui Marcos.

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