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      As fitas cassete voltaram; tem até lista das mais vendidas de 2017!

      1 de dezembro de 2017 13:56 Por Damy Coelho

      Marcelo Gross, da Cachorro Grande, é um dos artistas brasileiros que aposta no retorno das fitinhas (Foto: Divulgação)

      Quem cresceu até os anos 90 deve ter alguma relação afetiva com as fitas cassete. Afinal, foi a primeira mídia a democratizar a gravação de música, com seu preço acessível.

      Com as fitinhas, as pessoas podiam gravar as músicas que quisessem – do rádio ou do vinil – além de criarem suas próprias playlists. E isso, muito antes do streaming.

      E o melhor é que as boas e velhas fitinhas estão de volta! Pode parecer estranho, mas há evidências de que os novos tempos, ironicamente ou não, são favoráveis ao retorno de velhas mídias. Primeiro, foi o vinil. Agora, é a vez das cassetes.

      O pesquisador dinamarquês Christian Ulrik Andersen defendeu o que ele chamou de “revivescência da memória material dos cassetes”. Isso seria uma memória que vai de encontro ao determinismo e controle dos meios tecnológicos. É como se as fitas k7 simbolizassem um ato de resistência em tempos de streaming e música digital não palpável.

      Marcelo Gross, guitarrista da Cachorro Grande e fã confesso das fitinhas, concorda: “Acho que rola uma carência da nova geração que cresceu com o MP3 e streaming. As pessoas querem ter as mídias físicas dos seus álbuns e artistas preferidos”, explica.

      Não importa se é um ato de resistência ou pura nostalgia de ouvir o som da fita e desenroscá-la com a ponta de uma caneta. As fitinhas voltaram com tudo, e prova disso foram os vários artistas que lançaram seus álbuns esse ano também em formato k7. A maioria deles ainda é do meio alternativo, mas nomes extremamente pops como Justin Bieber e Selena Gomez lançaram seus trabalhos recentes na velha fitinha.

      Serge Pizzorno, do Kasabian, também aposta que esse retorno se deve muito ao valor afetivo das cassete: “Acho que é uma forma de lealdade do fã. É sobre ter um objeto físico. Uma de suas bandas favoritas lança um álbum e você quer num formato em que possa ter em mãos. É legal ver um trabalho artístico indo nesse caminho”, disse, em entrevista a um site britânico.

       Em tempo: o Kasabian teve uma das fitas k7 mais vendida de 2017 no Reino Unido, do álbum For Crying Out Loud. Só perdeu para a trilha sonora do filme Guardiões da Galáxia (é isso mesmo).

      Kasabian: uma das fitas mais vendidas de 2017 (Reprodução)

       

       

      RESISTÊNCIA (E TENDÊNCIA)

      O Reino Unido, aliás, abraçou mesmo a onda das fitas: por lá na venda delas cresceu 112% (!). A Billboard divulgou até uma lista das fitas mais vendidas do ano – além do Kasabian, nomes como The Jesus And Mary ChainBlondieJay Z e Arcade Fire também figuram entre as mais vendidas.

      Se há gente investindo, há mercado consumidor ávido por comprar: os nostálgicos de plantão ajudaram num aumento de 74% das vendas das fitinhas em escala global, só no início deste ano!

      Tá achando que essa fama é só lá fora? Pois o brasileiro anda de olho nesse fenômeno. Nomes como Edgard Scandurra e o Boogarins lançaram cassetes recentemente. O próprio Marcelo Gross apostou nas fitinhas ao lançar o seu primeiro álbum solo em cassete, o Use o Assento Para Flutuar, de 2013. “Fizemos uma tiragem que esgotou rapidamente”, conta. Ele precisou gravar o material na Argentina, já que o Brasil ainda não contava com uma fábrica ativa de cassetes. “Mas acho que a tendência é que isso mude logo”, aposta ele.

      E de fato, mudou: o estúdio paulistano FLAPC4 anunciou em 2016 que vai retomar a produção das cassete, para a alegria dos nostálgicos.

      Fita de Use o Assento Para Flutuar (Foto: Divulgação)

      Gross ainda define por que ama as cassete: “Acho o som das fitinhas um charme. Soa mais ‘amaciado’ nos graves e nos agudos é mais gostoso de ouvir. Fora a praticidade, porque ela é pequena, fácil de manusear”, explica.

      E você, também aposta no charme e no revival das fitas cassete?