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      ‘She’s Gotta Have It’ tem música e empoderamento como protagonistas

      2 de dezembro de 2017 12:33 Por Damy Coelho

      She’s Gotta Have It (Ela Quer Tudo) é o mais novo destaque no catálogo da Netflix. A série chama a atenção por múltiplos aspectos: por ser idealizada e produzida pelo genial diretor Spike Lee, por narrar a história de uma mulher negra, artista e adepta do poliamor e também pela sua trilha sonora impecável, que tem importância fundamental no roteiro e na construção das personagens (vamos falar disso em breve).

      Primeiro, contextualizemos: a série é um reboot do filme em preto e branco que lançou Spike Lee para o mundo, em 1986. Naquela época, She’s Gotta Have It foi à frente de seu tempo por ser rodada no cenário suburbano do Brooklin, muito antes de ser um bairro cool e gentrificado. E, principalmente, por tematizar a vida de uma artista bem resolvida com suas decisões, sem apelar para estereótipos que tratam pejorativamente a mulher negra. Em 2017, Nola soa incrivelmente contemporânea e apaixonante, e representa muitas outras mulheres de nossa geração, afinal de contas.

      Além disso, a série é pertinente e inovadora. Levando em conta que nos últimos dias, uma negra de apenas 3 anos de idade foi atacada nas redes sociais por causa de seus traços e de sua cor, esse tema é ainda mais urgente e necessário.

      She’s Gotta Have It ainda trata de temas como o racismo, o abuso e a busca por um corpo ideal (esta, em torno da melhor amiga de Nola, Shemekka), entre outras questões importantes.

      Mas a liberdade sexual feminina é mesmo uma de suas grandes glórias: um bate-papo entre Nola e suas amigas num bar moderninho do Brooklin enquanto elas tomam um Cosmopolitan e discutem sobre tudo (menos homens) remete a uma Sex And The City atualizada para uma realidade mais palpável e menos fútil, longe do glamour inatingível das quatro mulheres brancas e bem-sucedidas do Upper East Side de NY.

      ‘Tão clichê’ (Reprodução)

       

      SOUND AND VISION

      Mas como o assunto aqui é música, vamos falar como esse elemento fundamental dá o tom da série e acompanha todas as suas temáticas: cada cena de romance entre Nola e seus amantes é embalada por uma música marcante diferente. O som? Tem de rap a R&B, passando por soul e até reggaeton - muito por causa de Mars, o personagem de origem porto-riquenha que, na primeira versão, era interpretado pelo próprio Spike Lee.

      Aqui, o papel da música na narrativa vai muito além: “Os três amantes” de Nola têm personalidades completamente distintas, que vão sendo construídas a partir da trilha sonora: um deles é mais romântico, o outro é sexy e extravagante, o terceiro é mais divertido e companheiro. E a seleção de músicas acompanha cada uma dessas características.

      No final das cenas românticas de Nola com cada um deles, a imagem do disco com a música que está tocando preenche a tela. A ideia é gerar no telespectador mais atento a vontade de procurar por sua trilha sonora. E a surpresa é bastante positiva!

      Compõem essa lista hits deliciosos como The Seed, do Roots ou a super atual Solange Knowles (irmã de Beyoncé), passando até pelos mais clássicos, como John Coltrane. Entre artistas hiper consagrados aos independentes, a trilha agrada fácil e tem o cuidado de dar visibilidade para artistas negros.

       

      Spike Lee fez um post em seu Instagram pedindo para artistas mandarem suas músicas para entrarem na nova série (Reprodução)

      Como dá pra perceber, a música é um elemento essencial nas obras de Spike Lee. Tanto que o diretor chegou a fazer uma campanha bem interessante nas redes sociais, em que pedia para os artistas independentes enviarem suas músicas para se candidatarem a uma vaga nesta trilha sonora impecável. Aqui, mais uma vez, a questão da visibilidade é mote, ao dar chance para novos artistas ampliarem o alcance de seu trabalho.

      Um exemplo é a cena sensacional feita em torno da música We Rep Brooklin, de Ahmed Sirour, um dos novos músicos escolhidos para compor a trilha:

      Se você se interessou pela temática ou simplesmente é um apaixonado por música que adora descobrir sons novos, She’s Gotta Have It é para você.

      Dê uma olhada nessa trilha, aperte o play e delicie-se: