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      Cifra Club News

      TOP 3: instrumentistas brasileiras

      8 de março de 2018 17:05 Por Damy Coelho

      Neste 8 de março, o Cifra Club celebra e enaltece todas as mulheres que ajudam a música a ser um espaço democrático de força e de expressão. E, apesar de ainda não serem maioria em todas as cenas, o Brasil tem vários (vários mesmo!) exemplos de garotas que pegaram seus instrumentos e que servem de inspiração para várias meninas por aí.

      Apresentamos a você três instrumentistas que tocam em bandas independentes espalhadas pelo país. É para enaltecer o talento musical dessas mulheres – e ainda aproveitar para ouvir o som feito fora da curva do mainstream brasileiro.

      Porque lugar de mulher é na música, sim!

      Larissa Conforto

      Larissa Conforto (Foto: Filipa Andreia)

      Larissa Conforto é baterista das bandas Ventre e Xôõ. Rapidamente ela se destacou por seu talento impressionante no instrumento, pela força com que toca e pela performance de encher o palco – mesmo por trás de todas as peças de bateria. A Larissa ainda cuida dos processos de produção das suas bandas e, como todo artista independente, faz todo o corre do processo: montar e desmontar palco, conversar com técnicos, e por aí vai. E, nessas, sentiu na pele o tratamento diferente dado a homens e a mulheres no meio musical.

      Por exemplo, ela já relatou situações chatas de mansplaining – que é quando o homem insiste em explicar para a mulher algo que ela já está cansada de saber, como se ela não fosse capaz de compreender justamente por ser mulher. Por ser canhota, já precisou passar por cima dos palpites de roadies e técnicos de som, que explicavam pra ela que tocar com bateria de destro era “mais fácil”. “É como se eu não tivesse estudado anos pra escolher sozinha a melhor maneira de tocar o meu próprio instrumento”, disse para o site Noisey.

      São situações que só acontecem porque a música ainda é um espaço tomado por homens, em sua grande maioria. Mas essa realidade aos poucos começa a mudar, graças a mulheres como a Larissa, que agem não apenas nos palcos, mas também nos bastidores e nos estúdios. Hoje, ela tem seu talento reconhecido – ganhou prêmios, entre eles o Prêmio Riff de Melhor Instrumentista – e compartilha seus conhecimentos na música com outras meninas, em palestras e cursos que ela dá em vários lugares do país.

      Gabriela Deptulski

      Gabriela Deptulski (Foto: Rafael Passos)

      Uma das bandas mais interessantes atualmente da psicodelia brasileira é a My Magical Glowing Lens. O projeto, hoje colaborativo, é fruto dos sonhos da capixaba Gabriela Deptulski – dos sonhos literalmente, já que a proposta da banda se pauta justamente em músicas sensoriais, sinestésicas e etéreas. Foi a própria quem gravou todos os instrumentos e que cuidou da produção do primeiro EP do projeto. E foi assim, na raça, que ela encarou todos as inseguranças de apresentar um primeiro trabalho musical ao mundo – inseguranças que são ainda maiores quando se é uma mulher sozinha na cena. O projeto agradou bastante e logo chamou a atenção de outros músicos, que colaram com ela no projeto. O resultado foram turnês pelo país e resenhas animadas sobre cada trabalho lançado.

      Assim como muitas mulheres que estão na música, a Gabriela se sente com uma missão a cumprir. Uma missão muito importante e honrosa, diga-se de passagem. “As mulheres olham pra mim e falam: “se ela pode, eu também posso”. Então isso me dá força pra continuar. Eu gosto do enfrentamento, de enfrentar as regras sociais, de enfrentar as normas que foram colocadas pra gente só pra fazer esse sistema funcionar. Essa história de preconceito é muito pesada, e não só em relação à mulher, mas em relação aos homossexuais, aos negros, aos índios. Eu me sinto unida com essas classes que foram reprimidas para enfrentar essas regras. E isso é muito foda”, disse ao site Tenho Mais Discos Que Amigos.

      Marcela Lopes

      Marcela Lopes (Foto: Luciano Vianna/Quente)

      A Marcela Lopes é baixista e vocalista da Miêta, de Belo Horizonte. A banda foi formada em 2016, e conta com outras duas mulheres na formação: as guitarristas Célia e Bruna. Mais do que exemplo de baixistas famosas (como a Kim Gordon, do Sonic Youth), foram essas duas amigas que impulsionaram a Marcela a querer se jogar nos palcos e na vida da estrada:

      “Ter as duas ao meu lado no palco me estimula sempre a estudar, a criar, e, principalmente, a ressignificar minha experiência com a música”, explica.

      Hoje, a Miêta começa a ganhar destaque em festivais e shows espalhados pelo país. E, pra ela, a experiência mais marcante nisso tudo é poder ver cada vez mais mulheres atuando na música – algo que não acontecia até há poucos anos, quando o feminismo ainda não era pauta e a cena independente era marcada apenas pelo “virtuosismo” de alguns homens.

      Nesse primeiro ano e meio de Miêta pude conhecer mais e mais mulheres absurdas, contemporâneas a mim: Nathane Rodrigues (da Chico de Barro) , Deb (da banda Def), Rita (Papisa), Bertha Lutz, a Gabi (da My Magical Glowing Lens), Lari Conforto (Ventre) Vinhão, Camila e Cint (banda In Venus), Pâmela (Não, Não-eu)Flávia Biggs e as mulheres do Girls/Ladies Rock Camp… são muitas, não dá nem pra citar todas!”, comenta.

      Ao lembrar das próprias mulheres que foram citadas nesta matéria, a Marcela destaca bem como cenário musical finalmente está mudando – graças às próprias mulheres, que se ajudam mutuamente e tornam a cena mais democrática:

      O que eu vejo é que, se antes uma mulher no palco era um chamariz fetichista ou uma cota, cada dia mais a gente deixa de ser exceção e se faz presente na cena. E isso acontece muito por causa dessa rede de apoio e incentivo criada de forma orgânica pelas próprias mulheres. As minas estão pegando seu lugar de protagonismo e fazendo juntas, se fortalecendo mutuamente, não só como integrantes da bandas, mas à frente de festivais, casas de show, audiovisual, sonorização

      Por aqui, a gente torce pra que cada vez mais mulheres possam ocupar seus lugares na música. Como já disse Courtney Love: “Quero que um dia todas as garotas possam pegar uma guitarra e gritar o que elas quiserem”.