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      Rock in Rio: conheça a história do maior festival de música do Brasil

      13 de setembro de 2013 8:50 Por Gustavo Morais

      São mais de 25 anos de história, sonhos e realizações, desde que os primeiros acordes musicais foram tocados em uma edição do Rock in Rio. Nem sempre os fatos se desenvolveram da maneira que todos gostariam, mas em um país culturalmente diversificado como o Brasil é impraticável a realização de um evento que seja integralmente dedicado a um estilo musical seja ele qual for.

      Chegou a hora de o público brasileiro receber novamente uma edição do Rock in Rio. Para comemorar este acontecimento, o Cifra Club News selecionou alguns dos trechos mais importantes da história das três edições brasileiras do evento. Alguns acontecimentos mudaram o rumo da carreira de alguns artistas, outros serviram para mostrar qual caminho não seguir quando o assunto é o show bussines.

      Vá até a próxima página, divirta-se com esta viagem no tempo e entenda como foi que este importante capítulo da história da música começou!

      Sonho de liberdade, ‘todos numa direção, uma só voz, uma canção’

      Em 1983, o KISS levou 250 mil pessoas ao Maracanã

      Até o começo da década de 80, era baixo o índice de artistas de renome internacional que deram os ‘ares de suas graças’ em solos brasileiros. Culpa da economia, dos militares e também dos produtores, que não tinham ousadia suficiente para apostar em grandes shows.

      No já distante 1981, o Queen veio ao Brasil e provou que o rock tinha imensa popularidade entre os brasileiros. Com duas apresentações em estádios lotados, os ingleses proporcionaram ao público um verdadeiro espetáculo de rock. Dois anos depois, as bandas KISS e Van Halen se renderam ao amor incondicional dos roqueiros brasileiros e fizeram apresentações memoráveis. A banda do guitarrista Eddie Van Halen saiu do país alegando ter parte do equipemamento roubada e desde então nunca mais arriscou voltar em terras tupiniquins. Já o KISS levou na bagagem o seu recorde de público: 250 mil pessoas compareceram no estádio do Maracanã e fizeram a festa com Paul Stanley e companhia.

      O festival de 1985 convidou o Brasil a comemorar a liberdade

      Em 1985, a sociedade brasileira vivenciou o ápice da transição da ditadura para a democracia. Partindo desta condição, o empresário Roberto Medina teve a idéia de comemorar a liberdade organizando um festival de rock de primeira categoria; surgia então o sonho do Rock in Rio. Porém, desconfiança era o que os empresários das grandes estrelas mais tinham com relação ao Brasil. A equipe de Medina trabalhou de forma incessante até conseguir acertar a vinda de um nome de peso: Rod Stewart. Após o aval do roqueiro de voz rouca e cabelos esvoaçados, as coisas começaram a fluir e nomes como Ozzy Osbourne, Scorpions, Iron Maiden, George Benson, Yes, entre outros decidiram apostar no festival e garantiram suas presenças.

      Foi construída, em um terreno na Barra da Tijuca, na capital do Rio de Janeiro, uma cidade de 250 mil m2. Entre os dias 10 e 21 de janeiro de 1985, aconteceu a primeira edição do Rock in Rio, o evento que sem dúvidas colocou o Brasil na rota das grandes turnês internacionais.

      Curiosidades a respeito do Rock in Rio I

      Em 1985, o Rock in Rio recebeu uma multidão de 1,380 milhão

      A primeira edição do Rock in Rio recebeu um público de 1,380 milhão de pessoas. Foram consumidos 1,6 milhão de litros de bebidas em 4 milhões de copos; 900 mil Sanduíches; 7.500 quilos de massa e 500 mil Fatias de pizza.

      Em 1984, a banda Man at Work chegou a receber parte do cachê para tocar no Rock in Rio I. Porém, a turma liderada por Colin Hay encerrou suas atividades antes de janeiro de 1985. O grupo de new wave Gogo’s foi a atração convocada para substituir os australianos.

      O grupo The Pretenders recusou um convite para participar do festival porque a vocalista Chrissie Hynde estava grávida. Já o casal Baby Consuelo e Pepeu Gomes subiu ao palco esperando o nascimento de seu filho Kriptus.

      A banda britânica Def Leppard era uma das atrações mais aguardadas pelos roqueiros da época. Mas na noite do ano novo de 1985, o baterista Rick Allen sofreu um acidente de carro e as complicações do desastre o fizeram perder o braço esquerdo. O até então de férias Whitesnake foi chamado para substituir o Leppard e veio ao país com uma formação montada as pressas.

      Yes: rock progressivo em terras brasileiras

      O sino usado pelo AC/DC veio de navio para o Brasil, mas ficou escondido nos bastidores. O que o públicou viu atrás da bateria nada mais era do que uma réplica de gesso, pois o original era muito pesado e os cenógrafos decidiram não arriscar na possibilidade de pendurá-lo nas estruturas do palco.

      O primeiro Rock in Rio foi o único que recebeu uma atração vinda da escola do rock progressivo: os britânicos do Yes. Com perfomances fantásticas, o grupo e fez valer a pena o tempo que durou a espera dos brasileiros para ver de perto a arquitetura eletro sinfônica do som da banda.

      Um panorama sobre os shows

      Apresentações magníficas do Queen emocionaram o público

      A escalação dos astros internacionais no Rock in Rio I ficou assim definida: AC/DC, All Jarreau, B5’2, George Benson, Go Go’s, Iron Maiden, James Taylor, Nina Hagen, Ozzy Osbourne Queen, Rod Stewart, Scorpions, Whitesnake e Yes. A ala brasileira veio encabeceada por: Alceu Valença, Barão Vermelho, Blitz, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins, Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, Lulu Santos, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Os Paralamas do Sucesso, Pepeu Gomes & Baby Consuelo e Rita Lee.

      Ficou decidido que cada artista faria duas apresentações no Rock in Rio. Naturalmente que alguns nomes mostraram lições de como se fazer um show e outros vacilaram a ponto de fazerem perfomances pouco inspiradas. A organização falhou ao agendar apresentações em duas segundas-feira, por exemplo. Mas nem por isso, o públicou deixou de celebrar o rock com uma boa parte dos maiores reverendos do gênero.

      O festival foi todo preparado para receber o Queen como a atração de maior respaldo. Como não poderia deixar de ser, a banda liderada pelo vocalista Freddie Mercury fez apresentações magnificas e mostrou os motivos pelos quais chegou ao evento sob a condição de maior estrela do elenco. A plateia respondia a cada comando do quarteto e cantou em unissono uma boa parte do repertório que o grupo desfilou ao longo das noites.

      Klaus Meine: o alemão que ergueu a bandeira brasileira

      As bandas Scorpions e AC/DC deram amostras de carisma e cumplicidade para com o público brasileiro. Klaus Meine, vocalista do Scorpions, chegou a erguer a bandeira do Brasil em uma clara demonstração de respeito e admiração pelo país. O coro das vozes durante a balada “Still Loving You” fez os alemães sairem do palco em estado elevado de emoção. A perfomance singular do guitarrista Angus Young materializou as acrobacias que ele faz no palco – que, até então, só podiam ser imaginadas através de fotos ou assistidas por meio de vídeos extremamente raros, uma vez que não existia o YouTube.

      Mesmo machucado, Bruce Dickson não decepcionou

      O Iron Maiden veio ao Rock in Rio e marcou definitivamente seu território no coração dos roqueiros brasileiros. O carisma e a entrega de Bruce Dickson e seus demais escudeiros fez da presença do Maiden no festival um acontecimento que mudou a concepção de como uma banda deve se comportar no palco. Dickson fez uma boa parte do show com um ferimento na cabeça, resultado de um movimento abrupto com o microfone e assim, literalmente, deu o seu sangue para satisfazer os fãs.

      Grupos como Barão Vermelho e Os Paralamas do Sucesso lavaram a alma da música brasielira no palco do Rock in Rio. Com Cazuza cheio de saúde e no momento mais voráz de sua parceria com Frejat, o Barão conquistou o respeito dos ‘camisas pretas’ que foram ao evento somente para reverenciar os heróis do rock pesado. Os Paralamas conseguiram colocar a turma para dançar e a plateia ainda ouviu sem revidar o sermão evangelizado por Herbert Vianna em defesa de outros artistas nacionais que amargaram a reprovação do público.

      Rock in Rio motivou James Taylor a dar a volta por cima

      O cantor James Taylor é outro nome que deixou boas lembranças com suas apresentações. Taylor chegou ao evento desacreditado, vivendo momentos de turbulências em sua carreira e em sua vida pessoal. O que ele não sabia é que possuía uma popularidade incomensurável no Brasil. Fez shows sensacionais e em uma das noites se apresentou diante de 250 mil pessoas, que em uma só voz cantaram músicas como “You’ve Got a Friend”, “Caroline in My Mind” e “Fire and Rain”. O músico americano saiu do Rock in Rio com um disco ao vivo gravado e com a certeza de que poderia colocar a carreira nos trilhos novamente.

      A Blitz era de longe a banda de rock nacional que desfrutava de maior popularidade naquele janeiro de 85. Evandro Mesquita e sua trupe fizeram aparesentações que contagiaram o evento com a alegria que se espera de um show de rock. Em contra partida, o grupo Kid Abelha e o cantor Eduardo Dusek foram duramente criticados pela plateia; que não soube assimilar a presença deles no festival e os recepcionou com vaias. Contragimento maior foi o de Erasmo Carlos e Ney Matogrosso, medalhões da música brasileira, que viram suas reprovações no evento serem ilustradas sob uma chuva de objetos atirados ao palco.

      Temporal não impediu Rod Stewart de animar o público

      Nem mesmo o temporal apocalípitico ocorrido no dia 16 daquele janeiro de 1985 impediu Rod Stewart de festejar com o público. Com destreza de Ayrton Senna e carisma de Martin Luther King, Rod pilotou os espectadores e mostrou a segurança de um artista que se sente totalmente confortável ao se apresentar para plateias superiores a 100 mil pessoas. Quanto a Ozzy Osbourne, este não vivia um bom momento em sua carreira e estava visivelmente fora de forma. Eram os tempos de maiores loucuras e Ozzy não fazia questão de enconomizar nas bebedeiras e usos de drogas. O resultado foram shows medianos, mas que poderiam ter sido os mais surreais da carreira do madman.

      Com a mágica do voo colorido do Yes, a primeira edição do Rock in Rio chegou ao fim. As 200 mil pessoas que foram até a Cidade do Rock naquele 21 de Janeiro de 1985 saíram de lá com a certeza de que, apesar dos pesares, o país estava preparado para receber eventos de grande porte. Ficou no ar a interrogação a respeito de quando é que grandes astros do rock iriam se reunir novamente em um mesmo festival feito em terras brasileiras…



      A realização de um novo sonho

      Segunda edição do festival aconteceu no Maracanã

      Em razão do sucesso da primeira edição, o Rock in Rio deixou um gosto de espera. Mas é um engano acreditar que os roqueiros brasileiros teriam de esperar a pela segunda realização do evento para conferirem a performance de astros internacionais do rock. Em 1988 e em 1990, apesar das adversidades econômicas, o Brasil recebeu o festival Hollywood Rock. Bandas como Bon Jovi, Supertramp e Bob Dylan passaram pelo país e fizeram grandes celebrações musicais.

      Apesar do Hollywood Rock e de outras turnês que passaram por terras brasileiras, o Rock in Rio ainda tinha um lugar especial no coração das pessoas. Em 1991, o Rock in Rio II chegou com direito a casa nova. O estádio do Maracanã foi escolhido para ser o templo dos roqueiros que amargaram seis anos agaurdando para juntos estarem ‘todos numa direção, uma só voz, uma canção’. O gramado do estádio foi todo preparado para receber o público, que naturalmente também pode ocupar as cadeiras e arquibancadas. Entre os dias 18 e 27 de janeiro daquele ano, o maior estádio do mundo tremeu diante do desfile de astros da música que fizeram valer a pena tanta espera.

      Curiosidades a respeito do Rock in Rio II

      Billy Idol cobriu a ausência de Robert Plant

      A segunda edição do Rock in Rio recebeu um público de 700 mil pessoas, sendo que 198 mil compareceram no dia 26 para assistirem aos noruegueses do A-ha.

      O palco tinha 85m de frente por 25m de profundidade, e era rodeado por duas telas de 9m de altura por 7m de comprimento. A iluminação contou com aproximadamente 500 faróis de avião.

      Uma enquetes da Rede Globo elegeu o show dos Engenheiros do Hawaii como um dos menos empolgantes da segunda edição do Rock in Rio. Porém, o jornal norte-americano The New York Times afirmou que o trio liderado por Humberto Gessiger fez um show de qualidade comparável aos dos astros internacionais.

      O cantor Billy Idol a princípio iria tocar somente no dia 19. Porém, foi convocado as pressas para se apresentar no dia 20 porque o roqueiro Robert Plant cancelou, na véspera, o seu show. Plant desitiu de participar do evento por causa da “Guerra do Golfo”.

      Parte do disco “Live Baby Live”, do INXS, foi gravada durante o show da banda no Rock in Rio II. O trabalho foi lançado em novembro de 1991.

      Axl Rose e Slash levaram brasileiros ao delírio

      A banda Barão Vermelho recusou a tocar após serem informados de que não seria permitido a eles fazer a tradicional passagem de som e regular os equipamentos antes do show.

      O Rock in Rio II foi palco do último show da turnê da dupla Moraes Moreira & Pepeu Gomes. Na apresentação foi tocada uma música chamada “Paz em Bagdá”, feita nas vésperas da apresentação e até hoje permanece sem registro em disco.

      O Guns n’ Roses estreou o baterista Matt Sorum e o tecladista Dizzy Reed  durante o evento. Axl Rose e seus asseclas mostraram ao público brasileiro em primeira mão diversas músicas que seriam lançadas no álbum “Use Your Illusion”.

      Um panorama sobre os shows

      A segunda edição do festival mostrou-se mais heterogênea em relação a primeira. Artistas consagrados da música ao pop foram convocados para animarem a festa ao lado de pesos pesados do rock. A escalação internacional ficou assim definida:
      A-HA, Billy Idol, Colin Hay, Debbie Gibson, Dee-Lite, Faith No More, GeoR.E.M.chael, Guns N’ Roses, Happy Monday, Information Society, INXS, Joe Cocker, Judas Priest, Lisa Stansfield, Megadeth, New Kids on the Block, Prince, Queensryche, RUN DMC, Santana e SNAP. Já os artistas brasileiros que tocaram foram: Alceu Valença, Capital Inicial, Ed Motta, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawaii, Gal Costa, Gilberto Gil, Hanói Hanói, Inimigos do Rei, Laura Finokiaro, Leo Jaime, Lobão, Moraes & Pepeu, Nenhum de Nós, Orquestra Sinfônica, Paulo Ricardo, Roupa Nova, Sepultura, Serguei, Supla, Titãs, Vid e Sangue Azul.

      Por questões de cachê ou intenção de prestigiar a música nacional, a organização convidou mais nomes brasileiros, que em muitas das vezes não decepcionaram, para fazerem shows no Rock in Rio II. Desta vez, a minoria dos artistas fizeram duas apresentações. Este critério foi válido somente para Prince, Carlos Santana, Billy Idol George Michael e aquela que era a banda mais aguardada para o evento: Guns n’ Roses.

      Em 1991, o Guns n’ Roses era a maior banda de rock do planeta. Por mais que vários outros grupos gravassem discos maravilhosos e fizessem turnês memoráveis, a popularidade daquele bando de encrenqueiros liderado por Axl Rose fazia do Guns a grande potência do cenário roqueiro. Com dois shows apoteóticos, a banda levou o público ao delírio. Em noites totalmente inspiradas, Axl e seus companheiros esbanjaram carisma, talento e segurança. O baixista Duff McCakgan revelou, anos mais tarde, que até tocar no evento, não sabia que fazia parte de uma das bandas mais amadas pelos roqueiros brasileiros em todos os tempos.

      A banda Inimigos do Rei teve participação discreta no festival

      Um desacreditado Paulo Ricardo usou de sua inteligência ao disparar no público o seu ‘Olhar 43′ e também uma boa parte do repertório de sua primeira banda, que um dia já foi a maior do rock nacional, o RPM. A plateia cantou junto a maioria das canções e fez o roqueiro sair do festiaval de alma lavada. A mesma sorte não tiveram os remanscentes dos anos 80 Inimigos do Rei, Vid e Sangue Azul e Hanói Hanói, que, com perfomances discretas, praticamente fizeram apenas figuração no evento. Já o folclórico Serguei conquistou a simpatia dos presentes com uma lendária execução de Satisfaction, clássico dos Rolling Stones.

      O Queensryche chegou ao evento com uma popularidade pequena. Mas fizeram um concerto tão honesto que o público se rendeu a performance da banda ao vivo. Após o Rock in Rio II, a banda conquistou fãs brasileiros e posteriormente voltou ao país para diversos outros shows. Na mesma noite, o Judas Priest fez uma apresentação maravilhosa ao desfilar clássicos de seu heavy metal genuinamente britânico. Na ocasião, o grupo liderado por Rob Halford divulgava o disco “Painkiller”. A plateia sentiu que cada centavo pago pelo ingresso valeu a pena ao ver Halfford aparecer no palco a bordo de uma motocicleta.

      Lobão encarou uma enfurecida multidão metaleira

      As feições nórdicas dos músicos que formavam a banda A-ha foram responsáveis por forte presença feminina no evento. O vocalista Morten Harket chegou ao festival com o status de galã e não se fez de rogado. Diante dos atentos olhares femininos, Harket cantou como nunca e emocionou a plateia ao entoar canções como “Take on Me”, “Hunting High and Low” e “Touch”. O quinteto New Kids on The Block, apesar de imensamente popular, fez um show um tanto quanto morno. Os até então garotos deixaram a sensação de que eram mais forma do que conteúdo.

      O grande constrangimento do evento aconteceu com o cantor Lobão, que tocou em uma noite dedicada ao heavy metal. O músico teve a infelicidade de encarar uma plateia que estava aborrecida por ter visto o Sepultura se apreentar somente por 30 minutos. Diante da situação, o público não fez a menor questão de ser solidário ao pop rock de Lobão e rebateu com uma chuva de vaias todas as vezes que o artista tentou cantar. Inevitavelmente, após trocar farpas com parte dos expectadores, Lobão recolheu seus apetrechos e se retirou do palco.

      No dia 27 de janeiro, George Michael encerrou a segunda edição do Rock in Rio. O pop maduro do cantor emocionou os brasileiros, que mais uma vez, apesar dos pesares, saiu do local do evento com a sensação de alegria. Como não poderia deixar de ser, a dúvida sobre quando seria a terceira edição do maior festival de música do mundo pairava no ar…


      A volta do filho pródigo

      Terceira edição abraçou a campanha "Por Um Mundo Melhor"

      A década de 90 passou, o milênio virou e em uma nova era o público brasileiro foi contemplado com o Rock in Rio III. A terceira temporada do evento voltou para a casa, isto é, foi realizada no mesmo local da edição de estreia, um terreno em Jacarepaguá, na capital do Rio de Janeiro. Porém, desta vez, a “Cidade do Rock” foi preparada para receber 250 mil pessoas por dia. O festival decidiu abraçar causas sociais e levantou a bandeira “Por Um Mundo Melhor”, que direcionou foco para projetos socioambientais e educação.

      Apesar do imenso intervalo entre a segunda e a terceira edição do Rock in Rio, o público brasileiro já não era mais tão carente. Grandes festivais e grandes turnês passaram pelo país, levando os apreciadores da música em geral ao delírio. Entre 1994 e 1998, o festival inglês Monsters of Rock teve quatro edições brasileiras. Bandas do calibre de Alice Cooper, Dream Theater e Slayer aterrisaram em solos nacionais e deram verdadeias aulas de como se faz um concerto de rock. O já conhecido Hollywood Rock deu o ar de sua graça por cinco anos consecutivos, entre 1992 e 1996. Em uma destas edições, após anos de espera, finalmente os Rolling Stones tocaram para o público brasileiro. Ainda como atrações  do Hollywood Rock, passaram por aqui bandas como Nirvana, Smashing Pumpkins, Aerosmith e a dupla Jimmy Page & Robert Plant, que foi o mais perto que os roqueiros tupiniquins puderam chegar do Led Zeppelin. Porém, como tudo acaba, estes eventos foram extintos e restou ao público brasileiro voltar a sonhar com o Rock in Rio.

      Entre os dias 12 e 21 de janeiro, o espírito de ‘todos numa direção, uma só voz, uma canção’ voltou à vida, e aconteceu a terceira edição do Rock in Rio. Foi nessa terceira temporada que surgiram também outros espaços além do palco principal, voltados a apresentações segmentadas por estilos, como música eletrônica e música africana. A tenda Brasil foi uma estratégia da organização para prestigiar artistas de menor fama quando comparados ao nomes que recheavam o elenco estelar.

      Curiosidades a respeito do Rock in Rio III

      A terceria edição do Rock in Rio recebeu um público total 1,235 milhão de pessoas. Foram consumidos 600 mil litros de cerveja, 630 mil sanduíches e 435 mil refrigerantes.

      Dave Grohl comemorou o aniversário no palco

      O ator Márcio Gárcia, que comentava o evento pela rede Globo, cometeu uma tremenda gafe durante seus comentários. Garcia se confundiu ao pronunciar o nome do   baterista  do Iron Maiden, Nicko McBrain. O ator acabou chamando o músico pelo  nome de Nicko ‘M.C. Brain’, como se o roqueiro fosse um rapper.

      Inicialmente, o Foo Fighters não estava na lista de artistas preferidos da produção do evento. Porém, a equipe de Roberto Medina mudou de ideia ao perceber que a banda de Dave Grohl liderava uma enquete sobre “atrações favoritas” feita no site do festival. Grohl comemorou seu aniversário no dia da apresentação e ganhou um bolo trazido ao palco por sua então esposa, Melissa Auf der Maur (ex-Hole) e um beijo de Cássia Eller.

      Fê lemos, baterista do Capital Inicial, fez o show com a mão ferida. Ao descer da van que transposrtava o grupo, ele se machucou com a porta do veículo. Mas nem por isso a banda decepcionou e foi a única atração nacional que teve direito de fazer “bis”.

      A banda Papa Roach participou do eveneto graças a uma sugestão, com cheiro de imposição, de Axl Rose, líder do Guns n’ Roses. A pouca popularidade deles entre os roqueiros brasileiros fizeram com que o show fosse praticamente despercebido.

      O Rappa organizou um boicote ao festival

      O Barão Vermelho decidiu dar uma pausa após o show do Rock in Rio. A banda só retomou suas atividades em 2004, mas parou novamente três anos depois e planeja uma volta para 2012.

      O músico Nick Oliveri, então baixista da banda Queens Of The Stone Age, quase foi preso por tocar sem roupa. Após o incidente, ele declarou que via imagens do carnaval brasileiro e imaginava que o povo não se importava tanto com nudez em público.

      As bandas Raimundos, Skank, Jota Quest, O Rappa, Charlie Brown Jr. e Cidade Negra decidiram não participar do festival. Este boicote foi organizado pelo O Rappa, sob a alegação de que a organização não cumpriu o combinado em relação ao horário de sua apresentação. Em solidariedade aos cariocas, os outros grupos decidiram abandonar o evento.

      O grupo Oficina G3 tocou na Tenda Brasil, um dos espaços alternativos de shows, e assim tornou-se o único nome da música gospel a participar do Rock in Rio.

      Um panorama sobre os shows

      Após um hiato de 10 anos, o Rock in Rio voltou arrojado e com um posicionamento mais tecnocrata. Prova disso foi a medida da organização em elevar o grau de diversificação de estilos, já existente no Rock in Rio II, ao elaborar a escalação do evento. Naturalmente que a existência de um elenco heterogêneo tende a atrair mais tribos e consequentemente a arrecadação tende a ser maior. Artistas da música pop, heavy metal, pop rock, axé, samba e rock clássico brindaram, cada um à sua maneira, o público brasieliro com suas perfoamnces.

      Cássia Eller foi uma das atrações do Rock in Rio III

      Desta vez, ninguém fez duas apresentações e a escalação dos astros internacionais no Rock in Rio III ficou assim definida: Aaron Carter, Beck, Britney Spears, Dave Mathews Band, Deftones, Five, Foo Fighters, Guns N’ Roses, Iron Maiden, James Taylor, Neil Young, N’Sync, Oasis, Papa Roach, Queens of The Stone Age, Red Hot Chili Peppers, R.E.M., Rob Halford, Sting, Sheryl Crow e Silverchair. O time de astros nacionais veio formado por: Barão Vermelho, Capital Inicial, Carlinhos Brown, Cássia Eller, Daniela Mercury, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawaii, Fernanda Abreu, Funk ‘N Lata, Gilberto Gil, Ira!, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, Milton Nascimento, Moraes Moreira, O Surto, Pato Fu, Pavilhão 9, Sandy & Junior, Sepultura e Zé Ramalho.

      O veterano Neil Young ministrou uma espécie de comoção coletiva com seu rock direto, simples e sem muitos adereços. A despretensão de Neil era tão notável que ele parecia vestir a mesma camisa que usa ao varrer a sua garagem ao subir no palco com sua Gibson para em seguida disparar acordes arrebatadores. Escudado pela lendária banda Crazy Horse, o roqueiro canadense desfilou canções clássicas como “Hey Hey, My My ” e “Keep on Rockin’ in the Free World”. A banda R.E.M. também estava em com níveis máximos de inspiração no momento em que se apresentou no Rock in Rio. Michael Stipe e sua turma fizeram um espetáculo e apresentou todas as canções que o público tinha a intenção de ouvir. Em unisssono, os presentes entoaram a clássica “Loosing My Religion”, momento este que arrancou arrepios até no mais gélido dos seres humanos.

      Público atirou objetos em Carlinhos Brown no palco

      Uma banda que conseguiu roubar a cena foi o Pato Fu. Os mineiros estava selecionados para tocar na mesma noite que artistas pop, mas pediram para tocar em uma das noites de rock. Os mais céticos chegaram a acreditar que o grupo de Fernanda Takai seria vaiado, pois iria tocar justamente na noite que tinha o Guns N’ Roses como atração principal. Porém, o público presente se divertiu, aplaudiu e respeitou a banda. Quem não teve a mesma sorte nesta noite foi o cantor Carlinhos Brown. O baiano, especializado em axé music, foi duramente hostilizado pelo público presente, que atirou objetos ao palco toda vez que uma música começava a ser tocada. A presença de Carlinhos naquele momento do evento fez valer a máxima de que estava ‘no lugar errado e na hora errada’.

      Confirmando a fidelidade dos fãs, sobretudo os brasileiros, o Iron Maiden fez um show apoteótico. Os integrantes da banda consideraram a apresentação uma das mais intensas de toda a carreira. Em 2002 chegou ás lojas “Rock in Rio”, o registro em CD e DVD do show do Maiden no festival. Diante de 250 mil pessoas, os britânicos encerraram com chave de ouro a turnê de “Brave New World”. Foi a primeira vez que eles vieram ao país com os guitarristas Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers. No palco se viu a experiência de uma banda que sabe ir exatamente onde os fãs desejam.

      Apresentação de Britney Spears gerou controvérsias

      Dentre as atrações do evento, os irmãos Sandy e Junior foram sem dúvidas um dos nomes mais contestados. Porém, os filhos do sertanejo Xororó levaram ao palco do evento todos os aparatos que costumavam a usar em seus shows. Bailarinos, trocas de roupa, efeitos especiais que simulavam as quatro estações do ano e todo o repertório de sucessos da dupla. Consequentemente fizeram um ótimo show e agradou a plateia que feliz da vida cantou várias canções junto com a dupla.

      A cantora Britney Spears chegou ao Rock in Rio com o gabarito de artista pop mais famoso do evento, mas a perfomance dela naquela noite está longe de ser uma das mais brilhantes de sua carreira. A artista foi vaiada ao mostrar a bandeira dos Estados Unidos, procedimento este que era habitual durante a turnê. Outra polêmica envolvendo a apresentação de Britney são as suspeitas de que ela não cantava realmente durante os seus shows. Posteriormente foi esclarecido que a estrela usou o recurso da “base pré-gravada”, no qual uma gravação com a voz dela cantando as músicas é transmitida enquanto ela canta ao vivo por cima dessa gravação. A justificativa dada para esse procedimento é o grande número de coreografia que seu espetáculo possui, tornando o show totalmente ao vivo impossível.

      Foi no palco do Rock in Rio III que o Guns n’ Roses fez o seu primeiro grande show desde 1993. O vocalista Axl Rose e o tecladista Dizzy Reed eram os remanscentes daquela época. A organização trouxe a banda ao evento como demonstração de confiança no apelo popular que Axl sempre teve entre os fãs brasileiros. Mas o que se viu no palco foi uma banda totalmente desentrosada e literalmente fora de forma. Rose apareceu em cena com alguns quilos a mais e com a voz um pouco aquém do que era. Com direitos aos tradicionais atrasos e lamúrias, o Guns fez um show que apesar de ter a maioria dos hits deles serviu apenas para matar um pouco saudosismo dos admiradores da banda. Um dos momentos mais interessantes da noite foi quando o guitarrista Robin Finck deu uma demonstração de simpatia ao falar português e interpretar um cover de “Sossego”, de Tim Maia.

      Dinho Ouro Preto fez 250 mil pessoas cantarem com o Capital

      O Capital Inicial fez sem dúvida o melhor dos shows nacionais no Rock in Rio III. Na ocasião, o país inteiro se rendeu ao “Acústico MTV” dos brasilienses liderados por Dinho Ouro Preto. Com o reforço de Kiko Zambiachi e do lendário guitarrista Marcelo Sussekind, o Capital fez a plateia dançar, pular e cantar junto durante a performance de canções como “O Mundo”, “Natasha” e “Música Urbana”. De todos os artistas brasileiros, o grupo foi o único que voltou ao palco para fazer um “bis” e assim atender ao chamado da galera. A roqueira Cássia Eller também fez um show memorável. No palco do festival, ela deu vida ao seu lado mais irreverente e mostrou os seios durante um cover de “Come Together”, dos Beatles. Além de canções de seu repertório, Cássia fez uma bela homenagem ao Nirvana cantando “Smells Like Teen Spirit”.

      Performance do Silverchair impressionou o público

      A banda Silverchair fez um show que deixou todos (inclusive a crítica especializada) embasbacados. Aos olhos das garotas roqueiras, o trio liderado por Daniel Johns fazia perfeitamente a conexão ‘forma x conteúdo’. Com a sensação de quem ‘jogava em casa’, os rapazes subiram ao palco e tocaram com personalidade de veteranos. Durante a execução das músicas “Ana’s Song” e “Miss in You love”, o Rock in Rio III vivenciou um de seus momentos mais emocionantes.

      Coube ao Red Hot Chili Peppers a missão de encerrar a terceira edição do Rock in Rio. A banda se apresentou diante de 250 mil testemunhas que estavam sedentos por rock de primeira categoria. Apesar de ter feito o show com a sabedoria de tocar os grandes hits de sua carreira, a performance do RHCP não foi tão empolgante quanto se eseprava. Os músicos pareciam ligeiramente cansados e não repetiram a habitual atuação brilhante. Como não poderia ser diferente, o público saiu do local do evento com incerteza de quando veria novamente astros internacionais da música novamente…



      Quebrando jejum e paradigmas

      Dez anos depois, RIR voltou para casa

      As pessoas saíram da Cidade do Rock, na noite daquele 21 de janeiro de 2001, com a alma lavada e com a esperança de que não iria demorar muito até o próximo Rock in Rio. Porém, os anos subsequentes trouxeram novidades que não agradaram muito os brasileiros.

      Além de ficar longe do Brasil, o Rock in Rio ganhou edições em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e na Espanha (2008 e 2010). Mas como nem tudo é derrota, o empresário Roberto Medina e sua equipe decidiram trazer o evento para o Brasil novamente.

      Dez anos se passaram desde a última edição nacional do maior evento de música do planeta. Porém, entre os dias 23 de setembro e 2 de outubro de 2011, rolou na nova “Cidade do Rock”, construída na Tijuca, a quarta edição brasileira do Rock in Rio. Um cast que abrangeu todos os gostos, estilos e tribos, subiu ao palco com o dever de fazer o público brasileiro ir ao delírio.

      Após uma década, nós fomos – ‘todos numa direção, uma só voz, uma canção’ – de coração aberto e mente sintonizada para testemunharmos um dos maiores espetáculos cultural do planeta.

      Curiosidades sobre o Rock in Rio IV

      Katy Perry ganhou beijo de fã durante o show

      Foram sete dias de evento, 160 atrações musicais – divididas em dois palcos, e um público total de 700 mil pessoas.

      Segundo estimativas da Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro (Riotur), o evento impactou em mais de R$ 880 milhões na economia do Rio de Janeiro, atingindo uma média de 90% de ocupação dos quartos da rede hoteleira carioca. A cidade contou com a visita de 350 mil turistas, sendo 25% estrangeiros.Como não poderia ser diferente, o evento bombou nas redes sociais.

      Estima-se que o Rock in Rio IV tenha impactado 180 milhões de pessoas, em 200 países. O site oficial do festival teve mais de 5 milhões de visitantes únicos. No Twitter, o RIR foi Trending Topics em 13 países.Buscando inspiração em eventos gringos, o RIR IV decidiu proporcionar mais do que música.

      Além dos shows, a galera teve opções como roda gigante com 28 metros de altura (para o público ter uma visão de toda a Cidade do Rock), uma tirolesa e uma rua cenográfica inspirada na cidade norte-americana de Nova Orleans.

      Dentre todas as edições brasileiras do festival, a de 2011 foi a que mais reuniu artistas consideradas de primeira grandeza no atual cena da música pop. Reflexo das paradas de sucesso, ou não, Medina e sua equipe colocaram no palco principal do RIR as estrelas Katy Perry, Rihanna, Ke$ha e Shakira.

      Com direito a decotes, plumas e patês, Katy Perry trocou de figurino 13 vezes. A intérprete do hit “Firework” ainda chamou o fã Júlio César para o palco e deu ao rapaz os seus 15 minutos de fama.

      O músico Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, foi o que mais demonstrou suas habilidades no evento. No Palco Sunset, além de tocar com sua banda, Andreas tocou com Ed Motta e Rui Veloso. No palco Mundo, Andreas deu uma canja nos show do Motörhead e do Maná.

      Nove canções, metade do repertório, do show de Claudia Leitte foram covers. No melhor jeito Emmerson Nogueira de ser, a musa do axé releu de Led Zeppelin a Zeca Baleiro. O show, no entanto, teve recepção pouco calorosa por parte do público.

      Um panorama sobre os shows

      Ke$ha fez o show mais fraco do Rock in Rio 2011

      De maneira democrática, o Rock in Rio IV atendeu aos anseios de todos os públicos possíveis. Teve de rock clássico, pop, axé e música latina.

      A escalação dos astros internacionais no Rock in Rio IV ficou assim definida: Elton John, Rihanna, Katy Perry, Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol, Stone Sour, Metallica, Slipknot, Motörhead, Coheed And Cambria, Stevie Wonder, Ke$ha, Jamiroquai, Janelle Monáe, Shakira, Lenny Kravitz, Coldplay, Maroon 5, Maná, Guns N’ Roses, System Of a Down e Evanescence. A ala brasileira veio encabeçada por: Claudia Leitte, Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Capital Inicial, Nx Zero, Gloria, Concerto Sinfônico Legião Urbana, Ivete Sangalo, Jota Quest, Marcelo D2, Skank, Frejat, Pitty e Detonautas Roque Clube.

      Na edição de 2011, a organização cometeu o gravíssimo erro ao escalar Joss Stone no Palco Sunset e Kesha no Palco Mundo. Joss cantou todas as músicas ao vivo, agitou a galera, esbanjou carisma e deixou claro que tem potencial e qualificação para ser headliner. Ke$ha, por sua vez, fez o pior show do evento. Ao longo de sua apresentação, a dona do hit
      Tik Tok” fez o que estava ao seu alcance para agradar ao público, mas o uso do famigerado recurso do playback, em alguns momentos da apresentação, de certa forma gerou contraste com o anseio que surge na galera quando se está em festival de música.

      Nos braços do público, o multi- instrumentista Stevie Wonder fez um show apoteótico. O mestre da música negra desfilou seus hits e mostrou a diferença entre homens e meninos. Quem também estabeleceu perfeita conexão com o publico foi o Coldplay. O quarteto britânico mostrou segurança, repertório, carisma e fez a segunda melhor apresentação da quarta edição nacional do festival.

      Outros vacilos foram as escalações das bandas Sepultura e Gloria. No Palco Principal, o Gloria não convenceu e até recebeu algumas vaias. Por sua vez, no Palco Sunset, o Sepultura mostrou a força do metal genuíno.

      Pop latino do Maná não convenceu

      Fora de sintonia com a plateia, a banda Maná e o multifacetado Lenny Kravitz praticamente passaram em branco. O grupo mexicano encarou um público completamente disperso e desinteressado. Em noite pouco inspirada, pro sua vez, Kravitz não conseguiu estabelecer conexão com a galera e meio que desperdiçou um repertório formado por baladas e alguns hits arrasa quarteirão. Quem também decepcionou foi a banda de pop rock escocesa Snow Patrol. O quarteto, inclusive, precisou parar e reiniciar seu maior (e único) sucesso no Brasil, “Open Your Eyes“.

      Convidados para o festival aos ’45 do segundo tempo’, em razão da desistência de Jay Z – que alegou motivos particulares, o Maroon 5 surpreendeu e fez um dos melhores shows da edição. Com a sensação de ‘jogar em casa, O grupo soube explorar os diversos hits emplacados nas rádios brasileiras e não teve a menor dificuldade de promover interação com a plateia. Ao tocar a balada “She Will be Loved“, no bis, a banda conseguiu dividir o coro da multidão em duas metades: um lado cantava um verso da faixa, o restante da multidão cantava outra parte.

      A exemplo de 2001, o Capital Inicial fez o melhor show nacional do evento. Com a galera na palma da mão, Dinho Ouro Preto e seus asseclas fizeram um show apoteótico. O público, inclusive, não deixou de mandar o seu recado ao Senador José Sarney. Ficou claro, mais uma vez, que é impossível fazer um evento de grande porte no Brasil e não convocar o Capital. Quem também fez um ótimo show foi o Skank. Com seus vários hits, a banda mineira colocou todo mundo para dançar e festejar.

      Serj Takian teve amostras de sua popularidade no Brasil

      Com um show deveras arrasador, o SOAD deixou bem claro que os fãs não perderam voto ao colocá-los em primeiro lugar em uma enquete, que foi aberta no site oficial do festival, para indicar o artista que o público mais gostaria de ver no Rock in Rio. Conhecido pelo ativismo político, o vocalista Serj Takian se mostrou engajado na defesa dos índios brasileiros contra projetos desenvolvimentistas, em clara referência a construção hidrelétrica de Belo Monte.

      Além de ser uma das bandas mais populares e amadas de todos os tempos, o Guns N’ Roses também carrega a fama de não saber gerenciar a pontualidade. No RIR IV, não foi diferente. Porém, todavia, contudo, não se pode ignorar o fato de que choveu muito na noite de encerramento do festival. Após mais de uma hora de atraso e boatos de cancelamento, o Guns subiu ao Palco Mundo e fez uma performance que durou mais de duas horas. Usando chapéu, bandana e uma grossa capa amarela, Axl Rose encarou um palco cheio de poças d’água e entregou uma sucessão de hits ao público. Apesar das falhas e da falta de pique do grupo, quem ficou para assistir o fim do show parecia satisfeito com o carisma único de Axl.


      Pela primeira vez em sua história, o Rock in Rio terá duas edições em curto espaço de tempo. 2011 tá logo ali.

      A festa vai rolar na Cidade do Rock (Parque dos Atletas), no Rio de Janeiro, nos dias 13, 14, 15, 19, 20, 21 e 22 de setembro. Tal como em 2011, a quinta edição nacional do evento terá um cast que abrange todos os gostos, estilos e tribos. Um público de 85 mil pessoas circulará por cada dia de festival e novamente entoará o cântico e ir  ‘todos numa direção, uma só voz, uma canção’.

      Amado por muitos e odiado por uma enorme porção, o festival sempre será um dos maiores eventos culturais do planeta!