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      Cifra Club News

      #13deJulho: Uma conversa rock’n'roll com Xandão, do Rappa

      13 de julho de 2016 9:28 Por Damy Coelho

      O Rappa (Divulgação)

      A música está tão presente nas nossas vidas que algumas de nossas primeiras memórias marcantes têm uma espécie de trilha sonora: seja aquilo que os nossos pais ouviam em casa, seja o primeiro disco comprado com o próprio dinheiro. Essa presença tão marcante muitas vezes envolve o rock’n’roll; não à toa, existe um dia mundial exclusivamente para celebrá-lo. O movimento – pois não se trata apenas de música, mas de estilo de vida e formação de opinião – se mistura à história de um país, ao mesmo tempo em que está intrinsecamente presente na vivência particular de cada um.

      Neste 13 de julho, resolvemos homenagear a data batendo um papo sobre música com Xandão, multi-instrumentista, membro de uma das bandas mais importantes do país e, como todos nós, um apaixonado pelo rock’n’roll.

      “A música sempre esteve presente na minha vida, desde muito cedo”, explica Xandão, confirmando a nossa teoria. Quando eu tinha uns 4 anos, ganhei um violãozinho. Aquilo foi a minha grande paixão da época”, relembra, aos risos. Já a memória marcante que envolve o rock veio com o presente do seu professor de violão na adolescência. “Ele me mostrou o disco do Jimi Hendrix, Electric Ladyland [do projeto Jimi Hendrix Experience, de 1968]. Aquele disco foi emblemático pra mim. Cheio de overdub, de psicodelia.. aquele álbum abriu a minha cabeça de várias maneiras”, relembra.

      O rock na contemporaneidade

      Alguns podem achar estranho falar de rock em 2016, ano que ficou marcado como a primeira vez que nenhuma música do estilo está presente na lista das 100 canções mais tocadas nas rádios nacionais, segundo a Crowley. O rock, que era marcante no início da apuração (lá nos anos 90), caiu de posição ao longo dos anos e foi sumindo aos poucos da lista, até desaparecer de vez. Mas Xandão não vê isso como um problema. “Estão tentando matar o rock há décadas, né? Mas a verdade é que o rock nunca vai morrer. Sempre vai ter uma nova banda que vai ser reconhecida e ter fãs sem necessariamente tocar nas rádios”.

      De fato, a globalização e a internet ajudaram o jovem a ser mais autossuficiente com sua formação musical. Se antes era comum conhecer bandas pelas grandes mídias ou até porque os pais e os amigos ouviam, hoje está tudo no Google, ao acesso de um clique. “Minha filha de 15 anos adora essas músicas pop que tocam nas rádios, mas outro dia chegou pra mim com um disco da Janis Joplin, falando que adorou. Ela foi atrás desse disco sozinha e provavelmente vai apresentar pras amigas, que também podem gostar… essa é mais uma prova de que o rock vai estar sempre vivo, ultrapassando gerações”. É como acontece desde a década de 50 até os dias de hoje.

      Como exemplo de banda nova que faz rock de qualidade, Xandão indicou para os leitores do Cifra Club News a curitibana Monreal. “Produzi um trabalho deles e posso dizer, sem querer puxar sardinha: é um pop rock de extrema qualidade que podia estar tocando nas rádios por aí”, garante. Conheça o som deles na página do Palco MP3.

       

      Mix de influências

      Integrante de uma banda que mistura com maestria o rock com o rap e o raggae, Xandão pode comprovar com propriedade a versatilidade do rock’n’roll, que pode ser misturado a vários estilos e ainda ter uma presença marcante na música. Quando perguntamos quais eram os álbuns marcantes do rock em sua vida, Xandão cita o clássico de Jimi Hendrix e um nome bastante curioso: Alceu Valença. “O Mágico [álbum do pernambucano de 1984] é um disco sensacional. E muito rock’n'roll!”, manda o recado.

      E por falar em mistura fina, Xandão contou um pouco sobre como o rock influencia no processo criativo de uma banda tão versátil quanto O Rappa. “Nós somos quatro pessoas muito diferentes e com gostos distintos. O Falcão é mais do reggae, eu gosto muito de jazz também… mas quando o assunto é rock, tem algumas bandas que são incontestáveis, que todos nós gostamos. Led Zeppelin e Black Sabbath são algumas deles. E o próprio Jimi Hendrix. O Falcão até me deu um CD dele de presente, sabendo que eu gostava. E ele gosta também”, conta.

      A mistura de estilos na banda fez nascer um encontro marcante: O Rappa e o Sepultura gravaram juntos a música “Ninguém regula a América”, no turbulento ano de 2001, em meio ao atentado terrorista das Torres Gêmeas. A música é um protesto contra a tendência megalomaníaca da política norte-americana, ao mesmo tempo em que mistura o som do Rappa ao peso do Sepultura.  “Foi um processo muito tranquilo. Nós gravamos na casa do Tom Capone [famoso produtor musical, que faleceu em 2004], pra você ter ideia. Foi uma grande experiência de troca”, afirmou, comentando sobre como o heavy metal foi incorporado no estilo do Rappa para essa canção. “A mistura de estilos é um diferencial, porque mostra a grande essência da nossa banda. É a nossa característica marcante”, explica.

      “Não levantamos bandeira. O nosso partido é a música”

      “Ninguém Regula a América” tem um tom social crítico, assim como muitas músicas do Rappa. “Nossa grande inspiração é o Brasil. Nós ainda fazemos música sobre o cara do ônibus, sobre a mãe que leva o filho pra escola cedo e sobre a vida difícil que essas pessoas levam. Essa inspiração não mudou com o sucesso”, garante.

      Ser porta-voz de denúncias sociais também é uma das grandes características do rock: basta pensar no punk engajado ou nas bandas que denunciam a corrupção na política, seja em tempos de democracia ou de golpe militar. “O rock tem essa postura anti panfletária. Não precisa carregar bandeira, mas vai sempre ter esse papel da denúncia, da postura social libertária. Tocar nesse assunto é muito importante, ainda mais em tempos difíceis e turbulentos como esses que vivemos no Brasil. É por essas e outras que o rock sempre vai estar presente nas nossas vidas. O rock nunca vai morrer”, garante Xandão.

      Nós também não temos dúvidas. Como diria Chuck Berry: Viva rock’n’roll!