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      Lorde: Melodrama é só mais um passo rumo às previsões de David Bowie

      19 de junho de 2017 11:51 Por Damy Coelho

      Melodrama foi um dos álbuns mais aguardados deste 2017. Todo mundo queria saber qual rumo tomaria Lorde, que foi consagrada por ninguém menos que David Bowie como “o futuro da música” – e isso pouco depois de ter lançado seu álbum de estreia, Pure Heroin, de 2013.

      Lorde é convidada a tocar com os membros remanescentes do Nirvana no Rock N’ Roll Hall Of Fame

      Se superar um primeiro álbum de sucesso é desafio para qualquer artista, pairava sob Lorde o peso de, com menos de 20 anos, ser a representação do futuro de qualquer coisa. Mas parece que Lorde decidiu focar seus pensamentos menos nessa cobrança excessiva e mais em si própria. E a decisão foi mais que acertada.

      Se Pure Heroin parece ser a voz de uma geração que se cansou da ostentação fake digna de reality shows, Melodrama é a voz pessoal de uma jovem em processo de formação.

      "I hate the headlines and the weather I'm 19 and I'm on fire" (PERFECT PLACES, Lorde)

      Compositora no escuro

      O mérito deste segundo álbum vem principalmente das letras de Lorde, que a mantêm na posição de uma das compositoras mais interessantes do pop de sua geração. Isolada em um deserto, Lorde se concentrou em compor suas músicas, muito inspirada pela perda de um primeiro amor intenso.

      O primeiro namoro sério da cantora chegou ao fim em 2015 e com a desilusão, vieram músicas que cutucam na ferida ao descrever o final de um amor (“Perfect Places”, “Hard Feelings / Loveless” e “Liability”).

      Mas dessa inspiração vieram também os singles “Green Light” e “Sober”, em que Lorde canta implorando para sentir de novo as belezas de um novo amor (“I’m waiting for it, that green light, I want it”), como uma prova de que a dor só a fez sentir mais viva do que nunca.

      Lorde canta com um amadurecimento de quem aceitou o fim, passou por todas as fases de sofrimento até chegar às baladas e excessos (como mostra em “Sober”) e finalmente voltar a se sentir como ela mesma. Como todo jovem adulto já passou por isso, não é surpresa que mesmo falando de si mesma, Lorde ainda fala para uma geração.

      Contando com produção da própria Lorde e de gente que já colou com Taylor Swift e Drake, Melodrama mantém as melodias diluídas no R&b e na música eletrônica, o que foi um grande diferencial de seu primeiro álbum. Ou seja, Melodrama promete agradar quem amou Pure Heroin. Não há nada muito novo aqui, é verdade – fora o piano minimalista em “Liability” ou a ultra-confessional “Writer in The Dark”, com inspirações de Queen e Kate Bush, uma das melhores faixas do disco –  mas Lorde prova que está seguindo seu tempo com sabedoria e amadurecimento, sem querer oferecer algo que ela não estaria ainda preparada para fazer. E este é o mérito e seu novo álbum.

      Melodrama se firma como mais um passo de uma longa carreira que promete render frutos importantes para música, se a previsão de David Bowie se concretizar. E nós seguimos acreditando nisso.