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      Ciência explica por que Despacito não sai de nossas cabeças!

      12 de julho de 2017 15:00 Por Gustavo Morais

      Ninguém é obrigado a gostar da música Despacito, hit mundial dos porto-riquenhos Luis Fonsi e Daddy Yankee. Ninguém pode negar, no entanto, que essa canção não precisa de muitas audições para grudar na memória.

      Como pode isso? A ciência explica!

      Estudos recentes nas áreas de neurociência e psicologia encontraram alguns elementos em comum nas chamadas “músicas-chiclete”.

      Segundo a cientista Jessica Grahn, pesquisadora da Universidade do Oeste de Ontário, no Canadá, as músicas que mais se comunicam com áreas do cérebro ligadas ao som e às emoções são as que têm mais poder de agradar ao ouvinte. Em entrevista à BBC Mundo, Grahn afirmou que “a música ativa as regiões do cérebro relacionadas com sons, movimentos, emoções e recompensas”.

      Petiscos para o cérebro

      Não existe uma receita para fazer uma “música-chiclete”, mas há determinados elementos que funcionam como “petiscos” para o cérebro. Um desses fundamentos é o ritmo. Quando uma canção tem uma batida fácil de ser acompanhada e percebida, ela aumenta a atividade cerebral na zona associada ao movimento. Segundo experimentos, ainda que a pessoa esteja 100% quieta, ela será possuída pela magia do ritmo.

      Em geral, as canções pop que lideram as paradas de sucessos e reinam nas playlists têm ritmos familiares, o que até certo ponto é previsível. Segundo Grahn, essa característica funciona como uma espécie de recompensa para o cérebro, pois é agradável que a canção tenha um desenvolvimento como pensamos que vai ocorrer.

      A grande tacada, porém, acontece quando a música inclui algum elemento imprevisível. “Trata-se de usar uma batida básica, mas adicionar algo que a deixe mais atraente. O objetivo é fazer a canção interessante, mas sem tirar muito do que esperamos ouvir”, afirma a cientista.

      O diferencial de Despacito

      Via Twitter, o produtor musical espanhol Nahúm García afirma ter descoberto o pequeno detalhe que fez de Despacito algo tão especial. “Vocês zombam de ‘Despacito‘, mas a maneira como o ritmo dá uma quebrada antes do refrão é uma genialidade”, escreveu.

      Gráfico mostra momento chave de Despacito (Reprodução/Twitter)

      Segundo García, Despacito ganha o jogo do sucesso após 1m23s de canção, momento este em que a melodia para e Fonsi diz pela primeira vez a palavra ‘despacito’. “A ruptura na música é radical e faz alusão à intenção sexual da letra, criando uma unidade entre intenção e efeito”, postou o produtor no Facebook. “O cérebro percebe que rolou uma parada incomum, e isso chama a atenção”, acrescentou.

      O espanhol também afirma que esse truque é bastante usado na música pop. García, no entanto, recomenda o uso desse efeito apenas na entrada do primeiro refrão. “Se usado outras vezes na música, pode cansar”, revelou. “Não se pode quebrar o ritmo de uma canção muitas vezes, pois isso faz com que o cérebro tenha que se esforçar mais vezes”, finalizou.

      Dê o play e sinta a magia completa do Des..pac…ci-to: