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      Sociedade de Pediatria pede ao MP que proíba “Só Surubinha de Leve”

      8 de fevereiro de 2018 8:20 Por Gustavo Morais

      A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) levou, nesta quarta-feira (7), uma representação à Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo que o órgão “tome providências para interromper a reprodução imediata” das músicas Só Surubinha de Leve, de MC Diguinho, e Oh Novinha, de MC Don Juan.

      MC Diguinho volta a ter problemas por causa do funk Só Surubinha de Leve (Foto/Divulgação)

      Em nota, a SBP argumenta que o conteúdo das músicas “promove o estupro, a violência e outros crimes, bem como incitam o desrespeito às mulheres, podendo ser elementos prejudiciais na formação de crianças e adolescentes”.

      Na última terça-feira (6), a SBP já havia encaminhado a representação ao Ministério Público da Infância e Juventude do Estado do Rio de Janeiro. Os versos das músicas aparecem na íntegra na representação encaminhada ao MP. A primeira estrofe de Oh Novinha é:

      Oh novinha, eu quero te ver contente / Não abandona o piru da gente / Que no Helipa, confesso, tu tem moral / Vinha aqui na favela / Pra sen-, pra sen-, pra sentar no pau / Pra sen-, pra sen-, pra sentar no pau

      Lançada em setembro de 2017, mas bastante polemizada em janeiro de 2018, a versão original funk Só Surubinha de Leve também ultrapassou qualquer limite do razoável. No refrão da música, por exemplo, Diguinho sugere a seguinte sequência de atos: “Taca bebida, depois taca pica e abandona na rua”.

      Após transcrever as letras, o texto da SBP afirma que:

      Aqui constam duas músicas apenas a título de exemplo, mas a solicitante [SBP] requer que providências sejam tomadas urgentemente contra outras canções e clipes, de qualquer gênero musical, que possam prejudicar o desenvolvimento moral e psíquico de crianças e adolescentes, uma vez que suas letras são profundamente agressivas e com alto potencial de comprometer o desenvolvimento e o comportamento desses jovens

      Sem dar muitas chances para os funks usados para ilustrar a denúncia, a SBP não economizou nas críticas para enumerar o grau de nocividade presente nas letras das músicas:

      São músicas com cunho desrespeitoso que expõem os 65 milhões de crianças e adolescentes a situações de risco em seu processo de formação e desenvolvimento emocional, afetivo e comportamental, ao utilizar termos que, mesmo que sem intenção expressa, fazem a apologia do estupro, estimulam o consumo de álcool e drogas, banalizam a relação desse segmento populacional com o sexo, entre outras distorções, as quais os fragiliza ainda mais diante da sociedade, vulnerabilizando a defesa de seus direitos e outros crimes

      Com a intenção de minimizar as polêmicas, MC Diguinho chegou a lançar uma “versão light” para a música Só Surubinha de Leve. Na releitura, o polêmico refrão foi substituído por: “Taca bebida, depois taca e fica, e não abandona na rua”. Em sua conta no Instagram, Diguinho afirmou que “jamais iria denegrir a honra e moral das mulheres”. Aos olhos e ouvidos da SBP, no entanto, a gravação alternativa “permanece inadequada, pois o autor utiliza um ‘jogo de palavras’ de duplo sentido que induz o ouvinte a perceber como ‘normal’ uma série de situações não recomendáveis nas relações em sociedade”.

      Conforme te contamos aqui, juristas afirmam que Só Surubinha de Leve não apresenta apologia ao estupro. Te mostramos, também, a opinião de especialistas em música e as reflexões de pessoas ligadas ao movimento feminista. Mas e você, caro amigo leitor? O que pesa sobre as polêmicas envolvendo músicas de funk? Você acredita que SBP tem razão e recorrer ao MP? Conta pra gente nos comentários!