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      Conheça mais sobre o fascinante mundo do J-Rock!

      28 de maio de 2018 11:24 Por Gustavo Morais

      A extinta Boøwy foi uma das bandas pioneiras de J-Rock (Foto/Internet)

      As origens do Japanese Rock, popularmente chamado J-Rock, datam de algum momento da década de 1960. Sob forte influência das bandas de rock britânicas e americanas, as primeiras bandas japonesas escreviam letras quase que exclusivamente em inglês. “Com o tempo, é claro, cada artista tirou influência daquilo com o que convivia, então, apenas mais tarde o estilo de rock japonês se tornou, de fato, o J-Rock”, explica a equipe do Portal J-Rock Brasil, a melhor fonte brasileira sobre o assunto.

      Partindo da condição de que o Japão é um país que leva as tradições bem a sério, o desejo dos jovens de se diferenciarem dos demais acaba sendo mais evidente do que em outros lugares do mundo. Afinal, a identidade para os japoneses está diretamente ligada ao vestuário.

      “Nesse contexto, surgiu o ambiente do rock visual japonês, mais conhecido como Visual Kei, onde a principal regra é ousar. Para tanto, misturam diversas influências, instrumentos, estilos”, explica o Portal J-Rock Brasil.

      Dentro do Visual Kei não há uma divisão musical. Mas no que se refere à aparência, alguns subgêneros se diversificaram a partir da década de 90. Atualmente muitos caíram em desuso e outros ganham cada vez mais seguidores, sejam eles músicos ou fãs. Nossos amigos do Portal J-Rock Brasil listaram algumas das principais ramificações do Visual Kei, conforme você pode conferir abaixo:

      Kotevi Kei: Ou o que chamamos de “old school”. Normalmente é representado pelas bandas de meados dos anos 90, pelo estilo bem extravagante de roupas e cabelo. Um exemplo comum é ter cada integrante da banda com uma cor de cabelo diferente. No começo era o estilo que classificava o X Japan, mas hoje em dia representa os visuais antigos de bandas como Luna Sea, Kuroyume e Dir en Grey.

      O estilo pode ser dividido em ‘kuro kei’ e ‘shiro kei’, onde o primeiro possuía um som mais pesado, agressivo e obscuro como o Kuroyume, ao contrário do segundo, que possuía um som mais melodioso como o Luna Sea.

      X Japan é um dos gigantes do estilo (Foto/Internet)

      Kurofuku Kei: Segundo o nome, é um estilo cuja base é formada pelas roupas com elementos pretos. Refere-se a bandas do final da década de 1980 e da primeira metade da década de 1990, que possuíam um estilo mais obscuro, com possível referência ao gótico. No estilo kurofuku, a maquiagem era pouca, mas que deixasse a imagem mais obscura. Este é mais um dos estilos “mortos”.

      Angura Kei: o termo vem de “undergroud kei”, na pronuncia errônea dos japoneses. São bandas com alta influência da própria cultura japonesa, principalmente tradicional, e que costumam adotar visuais mais simples, geralmente com roupa típica japonesa, seja um quimono ou um uniforme escolar, com maquiagem preta e branca. O objetivo dessas bandas é criar algo o mais japonês possível, a exemplo da banda Kagrra, e seu Neo Japanesque. O estilo tem sua origem no movimento cultural dos anos 60, o “Angura”, que foi primeiramente aplicado ao teatro, pintura e, por fim, música.

      Kagrra também marcou época (Foto/Internet)

      Oshare Kei: estilo com visual mais colorido, de aspecto infantil. As roupas possuem mais detalhes e acessórios. O som também pode ser mais leve e “feliz”, mas não necessariamente, pois algumas bandas do estilo também criam músicas mais pesadas. O boom das bandas oshare foi entre os anos de 2002 e 2004, quando a influências das bandas kotevi kei começou a cair, com a banda Baroque.

      Koteosa Kei ou Neo-visual Kei: como o nome já diz, é uma mistura de Oshare e Kotevi Kei, e começou a se tornar popular a partir de 2005. As bandas costumam adotar um visual mais estiloso, parecido com o que encontramos em Shinjuku ou Harajuku, e as músicas são bem pegajosas e mainstream, com batidas pesadas e voltadas pros shows. Normalmente, as bandas Koteosa colocam bastante destaque no visual e personalidade de cada integrante, e nos shows fazem os fãs fazerem tanto furitsuke [coreografia] quanto “bate cabeças”.

      Eroguro Kei: a palavra “eroguro” é a contração adaptada para o japonês do inglês “erotic and grotesque”. No EK, a maquiagem é feita para deixar o músico com aparência mais feia, às vezes mais agressiva, como cicatrizes falsas, e as roupas podem tanto ser trajes comuns, como camiseta ou terno, quanto algo um pouco mais elaborado. O estilo é originário do movimento cultural “Eroguro Nonsense”, surgido no Japão por volta de 1920, que era expressado através da literatura e artes visuais, chegando ao cenário musical no fim dos anos 80. os temas do movimento eram baseados em horror chocante e imagens sexuais bizarras, com toques de humor negro.

      Atualmente em hiato, a Deathgaze é um ícone do EK (Foto/Internet)

      Nagoya Kei: as músicas costumam ser mais tristes, obscuras e pesadas, com vocais uivantes e gritados. O estilo tem esse nome por se aplicar originalmente a bandas dessa localidade, como Laputa, Kuroyume, Merry Go Round e Rouage. Mas hoje em dia, muitos fãs de J-rock aplicam a qualquer banda com um visual mais dark que tenha inspiração nessas bandas. Os visuais são todos com cores mais escuras, nada muito chamativo.

      Iryou Kei: o termo se refere à aparência médica, como roupas hospitalares, gazes, curativos nos olhos, etc. As composições normalmente são obscuras, sombrias e úmidas. Esse estilo não é fixo para nenhuma banda, mas várias delas passaram por ele por um curto período de tempo.

      Tanbi Kei: É uma das vertentes do Kote Kei, que adiciona mais elegância, formalidade e um estilo neoclássico com inspiração na moda clássica europeia. Alguns dizem que foi esse estilo que influenciou a criação das Lolitas! Apesar de ter começado como um estilo de som mais barroco, hoje em dia as bandas Tanbi Kei usam um som com um estilo altamente técnico, próximo de um metal sinfônico, com arranjos clássicos, solos de guitarra complexos e grandes intervalos instrumentais nas músicas. Uma das características mais marcantes desse visual são os crossdressers.

       Além do som refinado, Versailles chama atenção pelo visual  (Foto/Internet)

      Soft Kei ou Post Visual Kei: o fundamento dessa vertente do Visual Kei são as roupas pouco chamativas, com maquiagem leve. O estilo surgiu no final dos anos 90, e possui a maior quantidade de fãs do sexo masculino entre os visuais. As bandas desse estilo podem até não ser consideradas Visual Kei, mas tem alguma ligação com o movimento, ou por ter sido visual em algum momento, ou por ter algum integrante que era de uma banda VK.

      Visual Shock ou Veteran Kei: é o gênero que começou todo o movimento Visual Kei, com as bandas dos anos 80 e começo dos 90. Tem esse nome provavelmente porque o Toshi, vocalista do X Japan, costumava usar muito esse termo nos shows. Atualmente é difícil encontrar alguma banda que entre nesse estilo.

      Neo Visual Shock: É uma invenção que começou a fazer sucesso entre os artistas entre 2006 e 2010. É como uma “homenagem” ao Visual Shock original, ou um novo interesse nesse estilo. Ele ganhou força principalmente com Miyavi e seu “Neo Visualism” e com Kisaki. Eles usam longos cabelos e até maquiagem mais enfática como a da época.

      Miyavi é um ídolo mundial  (Foto/Internet)

      Ainda tem outros estilos menos marcantes. O Visual Kei tem tantos subgêneros que às vezes é difícil de classificar uma banda em um só, e atualmente muitas bandas tem ‘fases’, e cada uma delas se encaixa num estilo diferente. Outros estilos são o Digital Kei, o Cyber Kei das bandas com visual Cyberpunk e um milhão de outros por aí.

      Ao contrário da maior parte dos fãs de rock ocidental, os adeptos do J-Rock não fazem questão de serem sectário. Desta forma, a galara tende a ouvir todos os tipo de música, mesmo de outras culturas orientais. Outra característica emblemática do apreciador de rock japonês é a questão do consumo. Além dos discos físicos, os fãs de J-Rock costumam comprar outros tipos de produtos, sempre que possível, como camisetas, revistas, bolsas, carteiras, capas de celulares, etc.

      Da mesma forma que não tem como classificar todas as vertentes existentes do J-Rock, também é impossível escolher cinco álbuns básicos, já que há tantos estilos diferentes. No entanto, o pessoal do Portal J-Rock Brasil indica que as bandas X Japan, the GazettE, Miyavi, LM.C, One Ok Rock e Versailles estão entre os artistas mais populares entre os fãs brasileiros, e podem servir de porta de entrada para quem deseja conhecer o estilo.