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      Ciência explica por que a voz de Freddie Mercury era inigualável

      8 de novembro de 2018 11:22 Por Gustavo Morais

      Para quase todos, Mercury sempre será o melhor cantor do rock (Foto/Internet)

      Em se tratando de preferências musicais, sobretudo entre os fãs de rock, poucas situações beiram a unanimidade. Uma das poucas escolhas que abrange quase 100% de aprovação gira em torno do impressionante talento vocal de Freddie Mercury. Sendo assim, não é difícil concluir que para um elevado número de pessoas, o saudoso vocalista do Queen é o dono da melhor voz do rock and roll.

      Se você ainda tem alguma dúvida, dê o play e ouça a voz do cara:

      Buscando entender o que havia de tão especial na voz de Freddie Mercury, pesquisadores europeus conduziram um estudo acerca dos registros musicais do cantor. Publicada por volta de 2015, a pesquisa descobriu que o grande diferencial estava no vibrato do cantor que, segundo os pesquisadores, diferia ligeiramente dos intérpretes de canto lírico.

      Mercury usava técnica vocal incomum na música ocidental (Foto/Internet)

      Para chegar no resultado, os estudiosos fizeram uma análise acústica da produção vocal e estilo de canto de Mercury. Como material de pesquisa, os cientistas consultaram vários tipos de gravações sonoras disponibilizadas publicamente. O minucioso recorte acerca de registros vocais de Freddie foi feito da seguinte maneira:

      • a análise de seis entrevistas revelou uma frequência fundamental de 117.3 Hz, que é tipicamente encontrada na voz de barítono
      • de acordo com a análise de faixas de voz isoladas dos demais instrumentos, a voz cantada de Mercury conseguia um alcançar 37 semitons dentro do intervalo de tom de F#2 (cerca de 92.2 Hz) para G5 (cerca de 78.4 Hz)
      • segundo a análise de 240 notas sustentadas em 21 registros a cappella, a taxa de modulação de frequência fundamental (vibrato) de Freddie atingia a média [surpreendentemente alta] de 7.o4 Hz. 

      Se Freddie Mercury estivesse vivo, os testes seriam ainda mais conclusivos. Para se aproximar de um resultado real dos movimentos da laringe de Mercury, a equipe contou com os serviços do cantor de rock profissional Daniel Zangger-Borch, que fui incumbido de simular a voz da realeza do rock.

      Os pesquisadores filmaram a laringe de Daniel numa velocidade de a 4.000 quadros por segundo. A intenção era reproduzir os sons ásperos e icônicos dos vibratos imortalizados pelo vocalista do Queen. Segundo as análises, Freddie provavelmente empregava sub harmônicos, um raro estilo de canto onde as pregas ventriculares vibram junto com as pregas vocais. Com exceção dos adeptos do Hooliin Chor [um canto típico de pessoas da Mongólia], a maioria dos humanos não fala ou canta com suas dobras ventriculares.

      Veja o estudo completo, em inglês, aqui.