Adler e seus ex-companheiros do Guns N' Roses
Não foi só o fato de ter demitido - de novo - toda a sua banda, o Adler's Appetite (conhecida por pegar carona nos maiores sucessos do Guns N' Roses). O baterista Steven Adler está sendo acusado de desviar o cachê dos músicos. Mais especificamente, para comprar drogas. Eterno fanfarrão e um pouco lesado pelos anos em que abusou dos entorpecentes mais pesados que poderia arrumar, Steven Adler falou tudo ao site Metal Sluge e o Cifraclub separou os melhores trechos. E bota "melhores" nisso!
Sobre seus últimos dias no Guns:
"Foi legal até, hmmm... eu queria largar a heroína, porque eu tinha começado a usar com o pessoal da banda. E eu não sabia que eu passaria tão mal. Na primeira vez que aconteceu, liguei para meu agente desesperado: "cara, eu tou passando mal demais, não sei o que tá rolando". Ele me levou a um médico e ele me deu um bloqueador de opiato. Mas essas coisas só adiantam quando você não está sob efeito da heroína. E eu estava".
"E estava passando mal demais quando me avisaram que iríamos para o estúdio gravar "Civil War". Falei para o Slash que estava péssimo e não conseguiria gravar. Ele me disse que não podíamos desperdiçar dinheiro e eu retruquei: "Nem me fale de gastar dinheiro, nós conhecemos alguém que faz isso como nenhum outro. Podemos esperar outra semana". E é claro que eu estou falando do Axl".
"A partir daí, passamos de amigos íntimos, que se cuidavam, a pessoas estranhas. Começamos a tomar heroína juntos e foi isso que nos destruiu. Chegamos a um ponto no qual cada um fazia sua própria coisa, cada um tomava sua dose sozinho. O amor havia acabado".
"No último show que toquei com eles, o Guns tocou um cover de "Down On The Farm", do UK Subs. Ninguém sequer havia me apresentado essa música. Quando o Axl anunciou que tocaríamos ela, gritei para o Duff, perguntando como eu fazia. Ele me deu uma base de ritmos com palmas e eu saí tocando. A parte boa é que eu já tinha uma ligação forte com ele, então consegui me manter. Mas, no Guns N' Roses, sempre que alguém errava, a outra pessoa já sabia onde seria o erro. Estávamos acostumados. Naquele dia, todos se viraram contra mim por errar uma música que eu não conhecia".
Sobre seus ex-colegas do Guns N' Roses:
"Duff é ótimo, adoro demais aquele sujeito. Durão, gente boa, um dos caras mais legais que já conheci. Izzy [Stradlin, ex-guitarrista e boa-praça do Guns] é, talvez, o cara mais legal do universo depois do Steven Tyler. Axl Rose, sei lá... não sei o que dizer. Quero beijar o rosto dele, mas quero encher aquele desgraçado de porrada. Admiro ele demais, mas acho ele um bundão".
"Slash... o cara é meu irmão de sangue. Conheço ele desde moleque e fizemos um pacto de sangue cortando os pulsos. Tenho saudade demais dele, sinto muito a falta dele. Vou encher ele de porrada da próxima vez que o vir por aí. Ele monta um monte de bandas, jamais menciona o fato de ter me tirado do Guns. E nunca me chama para participar nem que seja de uma música de algum projeto dele. Ele é um bundão. Mas não no sentido ruim. Ele sempre foi, desde que fomos moleques, ele sempre foi um babaca de marca maior. Mas é assim que ele tem sucesso. Não dá pra fazer sucesso sendo um cara legal".
"A banda não acabou por drogas, nem por fama, nem por dinheiro e nem por controle. Quer dizer, as drogas têm a ver sim, mas aquele estilo de vida é tudo que eu e Slash sonhávamos em ter. A gente estava chegando ao topo juntos e, de repente, me chutam da banda. Isso me magoou demais".
"E controle sobre a banda também não tem nada a ver. Tudo estava nos conformes. O único que causava problemas ali era o Axl, que chegava na frente de 20.000 pessoas, cantava metade de uma música e saía do palco. A gente levava na boa e ainda dava apoio pra ele. Não havia razão para ele ter chutado o Duff e o Slash também, só para ter as coisas do jeito dele. A gente podia ser como o Aerosmith e os Stones hoje em dia. Esses caras estão juntos há 40 anos, bicho. Não tinha razão mesmo para ter acabado".
Melhor e pior momento da carreira:
"O melhor momento da minha carreira foi transar com o Steven Tyler [vocalista do Aerosmith] no fundo de um ônibus de turnê".
"O pior momento foi a segunda vez que usei heroína, que foi durante a turnê do Guns com o Aerosmith. Entrei numa sala de reuniões para conhecer os caras, parei na porta com a maior pose de rock star, totalmente cool e tal. Steven Tyler estava a menos de 2 metros de mim, conversando com a garota dele, rindo. Ele olha para mim porque notou que eu havia entrado e estava com o maior sorriso. Quando ele viu nos meus olhos que eu estava louco de heroína, ele fechou a cara e eu fiquei sem onde me enfiar".
"Fiquei assim porque o Steven Tyler é a pessoa mais legal do mundo e eu o amo, não tem ninguém neste mundo como ele e eu feri os sentimentos dele e isso me machucou demais. Meu melhor e meu pior momentos envolvem o Steven Tyler. Melhor cara do mundo, ninguém é mais legal que ele nem no mundo, nem no universo! Em uma escala de 1 a 10, Steven Tyler consegue um número que nem existe, de tão legal que ele é".
Sobre os problemas legais que anda enfrentando com a antiga formação do Adler's Appetite (o vocalista Jizzy Pearl, do Ratt; o guitarrista Keri Kelly, do Slash's Snakepit e o baixista Robbie Crane, do Ratt):
"É inacreditável. Cara, eu tenho os direitos legais sobre o nome Adler's Appetite em cima de uma escrivaninha lá em casa. Eles não são donos de p**** nenhuma! Eles estão com dor de cotovelo porque eles, hum... me trataram como m****, se aproveitaram de mim e me desrespeitaram pra caramba. Eles deitaram e rolaram por pensarem que eu era tão ferrado da cabeça que mal conseguiria manter uma banda".
"Eles queriam que eu cancelasse a turnê pela Argentina. Mandei eles se ferrarem e eles saíram. Arrumei outra banda em duas semanas, formada pelos caras mais legais, divertidos e competentes com quem já toquei (o baixista Chip Z'Nuff, o vocalista Sheldon Tarsha e os guitarristas Michael Thomas e JT Longoria). E eles estão com "invejinha" porque vamos passar três meses em turnê mundial e eles não vão mais. Continuo não sendo fã do babaca do Jizzy Pearl, mas o [Keri, ex-guitarrista] Kelly é f***! Como pessoa, como homem de negócios, instrumentista e entertainer!".
"A formação nova é muito mais divertida. Temos muito mais em comum, a começar pelo fato de que a gente se gosta. Todos temos personalidades diferentes, mas somos como uma só. Estamos sempre com um pé à frente do outro, sempre sabemos o que o outro vai fazer antes mesmo dele fazer. E isso é raro em uma banda que mal começou a tocar junta, sabe?"
Sobre a turnê mundial do Adler's Appetite:
"É um sonho se realizando. Vamos começar na Espanha e terminar no Rio de Janeiro. Turquia, Itália, Alemanha, Suíça, Holanda, Suécia, Áustria... vamos bater em todas as portas! Tocamos recentemente na Argentina e já voltaremos pra América do Sul, para tocar novamente lá, no Brasil e no México. Estou nessa porque sou músico e adoro tocar. Falei para meu agente: "Cara, não quero turnê meia-bomba de duas ou três semanas. Quero ficar na estrada durante 300 dos 365 dias do ano".
Sobre as dívidas e pagamentos dos tempos de Guns N' Roses:
"O maior cheque que já recebi pelo Guns foi de uns 2 milhões de dólares. Foi me dado em mãos, não veio pelo correio. Não era meu acerto, era o que eles me deviam em atraso. Depois briguei na justiça e consegui meus direitos autorais de volta, consegui tudo. Eles queriam me dar 2 mil dólares e me jogar na rua sem direitos autorais e créditos por canções. Eu e Izzy escrevemos aquela p**** do Use Your Illusion toda! Esses 2 milhões que ganhei eles me deviam antes mesmo de eu entrar com a ação. Agora que ganhei na justiça, levo 15% de tudo. Estou muito agradecido por isso".
E aqui termina a Parte 1 da comprida e extremamente reveladora entrevista de Steven Adler, ex-baterista do Guns N' Roses. Fique ligado para a segunda parte, onde será dissecado o passado de sexo, drogas e rock'n'roll de Steve e seus companheiros. Você mal pode esperar o que vem por aí.
Para se inteirar totalmente na saga de Steven Adler antes, durante e após esta entrevista, visite o site do Metal Sludge. A entrevista completa, com transcrição 100% fiel, está lá. Em inglês.