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Júnior Lima toca guitarra em banda de metal com seus amigos

01/04/2006 - 09:46Da redação por: Rafael Mordente
Algum dia você já imaginou isso?

Que Júnior Lima tem uma personalidade musical inquieta, muita gente já sabia. Com a irmã Sandy, se enveredou desde cedo pela música pop, ganhou o Brasil e aprendeu a tocar uma porção de instrumentos. Então, o rapaz deu um tempo na sua agenda de estrela teen. Pegou as baquetas, o kit de pratos e foi tocar bateria na noite paulistana com sua banda Soul Funk.

Após dar uma canja com Andreas Kisser, do Sepultura, mostrando sua veia mais roqueira, Júnior continua a surpreender....


... e muito, viu?

Atualmente, o rapaz anda trabalhando silenciosamente em um outro projeto musical. Ele está tocando guitarra na banda Apocryphus, que destila um black metal violento, feroz e na velocidade da luz. As músicas da banda remetem a todo o universo desta vertente extrema do metal. Maquiagens pesadas (vulgo corpse painting), roupas decoradas com rebites pontiagudos, letras ofensivas, riffs gélidos de guitarra e vocais que parecem ter vindo diretamente do sétimo círculo do inferno.

O projeto não chegou ao grande público. E nem deve chegar, de acordo com Pontifex Hereticus, amigo de infância de Júnior e vocalista do Apocryphus, que conversou conosco por e-mail. "A gente só está nessa para tocar mesmo. Gravar umas faixas, soltar uma demo... nada de mais", diz.

O Apocryphus é formado por Pontifex Hereticus (Pedro Cavalcante) nos vocais, Aardvark (Daniel Guimarães) no baixo, Lord Nazgûl (Júnior Lima) na guitarra solo e os irmãos Baltakh (André Percciolli) e Hellfrost (Arthur Percciolli) na guitarra base e bateria, respectivamente.


Bem acompanhados

Com influências diversas que vão do underground "black metaller" até as bandas mais conhecidas do gênero (Naglfar, Setherial, Demoncy, Emperor, Satyricon, Dimmu Borgir, Cradle Of Filth, Darkthrone e Dark Funeral), o Apocryphus surgiu da influência de seu baixista. "Todo mundo na banda  se conhece há um tempão e sempre curtimos som pesado, mas daí ele [o baixista] resolveu chutar o balde e ir até as extremidades", brinca Hereticus.

"Há uns dois anos, ele apresentou pra gente o disco ao vivo do Emperor [Emperial Live Ceremony]. Estranhamos logo de cara, mas os riffs são incríveis. É tudo feito com cadência e harmonia de música clássica! É impressionante!".

"Não demorou pra nos sentirmos desafiados e começarmos a tocar algumas músicas deles nas 'jams' de estúdio. O Nazgûl (Júnior) e o Baltakh (André) sofreram pra c***** pra tirarem as músicas. O tal do Ihsahn [líder do Emperor] ferrou total com a gente, hahaha. Por fim, todos penamos, mas conseguimos. Depois Acabamos conhecendo outras bandas do estilo, achamos interessante e resolvemos compor e gravar nossas próprias músicas", completa Hereticus.


"Low-fi" até o osso

O estúdio onde a banda ensaia e grava dispõe de toda uma gama de equipamentos de som, mas a banda permanece fiel à uma das características mais marcantes do black metal: a baixa qualidade de gravação.

"Chega a ser difícil querer soar feio depois de acostumar a mexer com tanto equipamento, mas a gente tenta, né?", diz o frontman. "A gente passa horas e horas trabalhando nas músicas, mas faz questão de gravar feio pra botar medo em criancinha", ironiza Hereticus.

Numa primeira audição, o Apocryphus se mostra bastante barulhento e competente. Harmonias grandiosas e ritmo absurdamente rápido marcam o som do quinteto em uma canção que extrapola os 7 minutos e remete, surpreendentemente, a boas bandas do gênero. A qualidade é de primeira linha, se comparada às gravações antigas de bandas como Burzum e Darkthrone, mas ainda sim é fiel às raízes do estilo.

Confira você mesmo o som do Apocryphus neste link.


Uma última coisa...

 

FELIZ PRIMEIRO DE ABRIL.

 

Nota do Editor: a canção disponibilizada aqui é "Opus A Belial", da banda Esquife, de Belo Horizonte. Ela foi cedida com o consentimento do autor, Lord Ishkur.