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      Woodstock: lendária feira de arte, paz e música completa 45 anos

      15 de agosto de 2014 11:16 Por Gustavo Morais

      Entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, a cultura pop testemunhou consumação de um dos capítulos mais importantes de sua história. Realizado há 45 anos, em uma fazenda na cidade de Bethel, no estado de Nova York, a Feira de Arte e Música de Woodstock é um dos mais significativos divisores de água no universo musical.

      O festival foi idealizado a partir do esforço hercúleo de Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. Com razoável quantia de grana no bolso e uma imensa vontade de abalar o cenário musical, sob o nome de Challenge International Ltd., Roberts e Rosenman publicaram um anúncio nos jornais New York Times e Wall Street Journal. Com uma redação deveras tentadora, a publicação dizia que “Jovens com capital ilimitado buscam oportunidades de investimento legítimas e interessantes e propostas de negócios”. Seduzidos pelas palavras, Lang e Kornfeld responderam ao anúncio e foram de encontro aos futuros sócios. Inicialmente, os quatro consideraram a possibilidade de criarem um estúdio de gravação em Woodstock. Contudo, a ideia evoluiu para um festival de música e artes ao ar livre.

      Ao elaborar o projeto, o quarteto levou em consideração a questão do retorno financeiro. Porém, por mais incrível que possa parecer, não foram vendidos souveniers oficiais do evento. Pela bagatela de US$18, os ingressos eram vendidos em lojas de disco ou via correio. De forma antecipada, 186 mil pessoas compraram entradas para os shows e a organização esperava um público de 200 mil testemunhas. Entretanto, as notícias sobre o conceito da feira se espalharam e  mais de 500 mil pessoas apareceram para a curtir a festa. Vindo dos quatro cantos do país, caravanas de hippies   derrubaram as cercas e transformaram o festival em um evento gratuito.

      Apesar de não contar com santíssima trindade rockeira formada por Beatles, Stones e Bob Dylan, um elenco estelar desfilou hits e hinos do rock ao longo dos três dias do evento. Nomes como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Richie Havens e The Who fizeram apresentações apoteóticas. Em contrapartida, em razão de problemas de ordem técnica, bandas seminais como Creedence Clearwater Revival e Grateful Dead fizeram apresentações aquém de suas competências. Diante do mar de hippies, o então novato Carlos Santana não se fez de rogado e saiu do festival com o status de lenda. Em noite inspirada, o guitarrista Alvin Lee comandou um espetáculo virtuosamente surreal com a banda Ten Years After. Trajando uma tradicional camisa tie-die e cantando com a força de sua alma, o cantor Joe Cocker conseguiu superar a genialidade da dupla Lennon/McCartney e entregou a melhor versão já gravada da música “With a Little Help From My Friends“.

      Envolvida de corpo e alma na luta contra a guerra do Vietnã, além lutar pelos direitos civis, a cantora Joan Baez simplesmente personificou o espírito do verdadeiro ativismo em seu show. Até então casada com o ativista Davi Harris, que estava na prisão, Baez intercalou suas canções de protesto com discursos inflamados em defesa de seus ideais e de suas convicções.

      Confira o line-up completo dos três dias de “Paz, Amor e Música”:

      Sexta-feira, 15 de agoto:  Richie Havens, Swami Satchidananda, Sweetwater, The Incredible String Band, Bert Sommer, Tim Hardin, Ravi Shankar, Melanie, Arlo Guthrie e Joan Baez.

      Sábado, 16 de agosto: Quill, Keef Hartley Band,

      , John Sebastian, Santana, Canned Heat, Mountain, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin com a The Kozmic Blues Band, Sly & the Family Stone, The Who e Jefferson Airplane.

      Domingo, 17 de agosto: The Grease Band, Joe Cocker, Country Joe and the Fish, Ten Years After, The Band, “Blood, Sweat & Tears”, Johnny Winter, “Crosby, Stills, Nash & Young”, Paul Butterfield Blues Band, Sha-Na-Na e Jimi Hendrix.

      Nem a chuva, muito menos o lamaçal e tampouco o excessivo uso de substâncias entorpecentes transformaram a festa em baderna generalizada. À julgar pelo número de presentes, a frieza das estatísticas mostra que o índice de incidentes foi mínimo. Equalizado com as ideologias e anseios da juventude dos anos 60, o evento satisfez a maioria dos presentes e deixou um saldo mais do que positivo. Independente dos shows, a harmonia social apresentada pelo público fez do Woodstock um dos grandes momentos culturais do século XX. Outras edições do evento aconteceram em 1979, 1989, 1994 e 1999, sendo este último marcado pela violência e manchando a reputação de “Festival da Paz e do Amor” conquistada em 1969.