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      Fresno fala sobre sonoridade, influências, EMA e mais

      31 de maio de 2014 11:47 Por Laiza Kertscher

      Formada em Porto Alegre em 1999 e atualmente integrada por Lucas Silveira (guitarra e voz), Vavo (guitarra), Mario Camelo (teclado) e Thiago Guerra (bateria), a banda Fresno conquistou uma legião fiel de fãs. Depois de começar sua carreira com uma sonoridade mais romântica e juvenil, o grupo agora aposta em uma sonoridade mais madura, com instrumentais mais elaborados, deixando claro que merece um lugar de respeito no rock brasileiro. Confira o bate-papo da banda com o Cifra Club:

      A Fresno começou sua carreira com uma sonoridade mais romântica, mas agora aposta cada vez mais em um som mais pesado e com instrumentais mais elaborados. A que vocês atribuem essa mudança na sonoridade e amadurecimento da banda?

      LUCAS: Acho que o que a gente mais faz é cantar sobre os nossos problemas, sobre as coisas que realmente nos incomodam. Então quando você tem é mais novo, você acaba não tendo uma complexidade tão grande que te permita analisar o mundo de uma maneira mais profunda. Até hoje eu faço coisas mais românticas, pois são coisas que permeiam a nossa vida sempre. Mas com certeza hoje em dia tem mais coisa acontecendo em nossa vida. A gente consegue perceber também no Brasil, no mundo, coisas acontecendo que não são questões só nossas, mais universais. O que a banda tem que fazer é evoluir, é mostrar algo mais elaborado, não algo mais chato, mas algo que tenha uma complexidade maior. Do contrário, o fã já vai saber o que está por vir. A gente não é uma banda que pode se dar ao luxo de fazer sempre a mesma coisa. Nem curto muito isso. A evolução é uma coisa que a gente busca mesmo, é por isso que ela acontece.

      Em seu mais recente compacto, “Eu Sou Maré Viva”, a Fresno canta “Manifesto”, em parceira com Lenine e Emicida e a letra da música trás um discurso social. Como uma banda com um grande público jovem, como vocês veem seu papel social perante o público?

      LUCAS: Eu acho que hoje em dia, o que vem acontecendo no Brasil, no mundo, também com a internet e cada vez mais não tendo mais aquele monopólio da informação, as pessoas estão cada vez mais, não diria engajadas, mas cada vez mais sabem onde estão colocando o pé, o que está acontecendo ao redor. Uma timeline de um Facebook te diz muito do que está acontecendo, com outros pontos de vista que não são aqueles que você vai ver no Jornal Nacional. Então a galera hoje em dia sabe do que estamos falando. E o nosso discurso eu costumo dizer que é mais espiritual. Eu acho que nem a minha visão social é tão clara e tão decidida que eu possa escrever uma música que eu vou cantar o resto da minha vida sobre aquilo. Mas as minhas visões são mais espirituais. A gente fala mais fácil sobre o que é menos político.

      Como é o processo de composição de vocês para um novo disco? Vocês tem lançado mais EPs do que álbuns completos, essa preferência é um reflexo da maneira que vocês compõem?

      LUCAS: Ultimamente o mundo tem gerado mais EPs. Quando a gente estava na gravadora ainda o pessoal de lá falava: “não, nada a ver, isso não existe”. E hoje em dia até as grandes gravadoras usam esse formato. Às vezes tu até tem músicas suficientes para um disco, mas a gente não teve vontade de jogar mais 12 músicas na cara das pessoas para aproveitar quatro ou cinco. Não, vamos fazer as cinco que vamos aproveitar e as outras seis, sete que sobraram a gente fica ouvindo elas e deixando elas lá também, é bom ter esse banco e não fazer doze músicas em um mesmo ano por que em um intervalo de dois, três anos a gente acaba diversificando mais o trabalho. Mas é algo que tem tudo a ver com a galera de hoje, as pessoas ouvem tantos discos novos, principalmente um carinha que pira em música e que é mais novo, o cara baixa dez discos por semana. Se você tem cinco músicas você consegue dar um recado mais fácil do que com um bagulho de duas horas.

      VAVO: Teve uma mudança, de uns tempos pra cá, de uma era em que as pessoas compravam CDs e acabava comprando poucos discos e acabava, vamos dizer assim, ouvindo menos bandas. Você tinha CDs de 10 ou 20 bandas, enquanto você conhecia 15 a 20 músicas de cada banda. Enquanto hoje, você conhece 100 ou 200 bandas e menos músicas de cada uma.

      Quais são as principais influências sonoras de vocês?

      LUCAS: A melhor banda, para mim, que já surgiu na Terra é o Queen, então ela acaba sendo uma grande influência. Eu sempre gostei de fazer uma coisa que é popular, que todo mundo entenda, mas que pelo menos na parte musical que traga uma complexidade maior. Não que seja algo difícil de tocar, mas eu gosto de fazer uma música que vai surpreender nos acordes e nas escolhas. E o Queen era quem mais fazia isso, não é uma música que você vai tirar de ouvido de primeira, para mim é a maior referência. Tem bandas que representam esse tipo de som hoje, como o Muse por exemplo, que também é uma baita referência. A gente curte muito rock americano e inglês moderno, principalmente a galera que gosta de pesar a mão. Tem o Anberlin também que é uma banda cristã e que é muito, muito boa. O discurso deles transcende a parada cristã, é uma coisa que vai muito além. E aqui no Brasil também tem uma galera que é brutal, que toca muito. Tem uma banda de Natal, que se chama Far From Alaska, nem é uma influência, mas é muito boa.

      O Thiago Guerra assumiu as baquetas da banda, integrando essa nova formação. Quais as influências e contribuições dele como músico para essa nova fase da carreira da Fresno?

      THIAGO: Eu acho que a banda já andava, já estava rolando, e eu entrei para entrar nesse caminho deles. É óbvio que eu tenho minhas influências de Recife, as coisas que escutei durante a vida, lá em Recife tem muita coisa rítmica, tem maracatu, tem frevo, enfim, vários ritmos e acho que dá para brincar um pouquinho com isso. Nesse EP a gente já brincou um pouquinho. E além da vontade de fazer, sangue nos olhos, pegada e vontade de tocar.

      Vocês utilizam a internet como uma das principais formas de divulgação do trabalho e como forma de chegar ao público. Como vocês posicionam a Internet na divulgação da música hoje no Brasil hoje?

      LUCAS: Eu acho que hoje todo o artista usa principalmente a internet. Mesmo o cara que aparece todo dia na Globo, que está no top da carreira dele, mesmo ele tem que ter uma internet super bem feita, porque é ali que tem o dia-a-dia do fã, porque tu invade a rede social para estar ali falando com os amigos, comentam sobre os eventos que vão ter em sua cidade, é a questão do dia-a-dia, não apenas do lazer, que seria a TV. Com certeza, hoje em dia o cara leva a internet pelo celular, leva para todos os lugares, então é uma oportunidade para as bandas que utilizam isso muito bem estarem dentro da vida das pessoas. Hoje em dia o cara que é muito fã de uma banda, ele tem acesso a uma infinidade de coisas sobre a banda. Por exemplo, se você gostasse de Legião, em 89, você ia no máximo comprar o disco e encontrar uma revista falando da banda e deu. Se você gostasse de uma banda gringa, nem isso teria, então hoje em dia o pessoal consegue ouvir todas as versões, de todos os shows, de tudo que a banda fez, então hoje em dia é muito bom ser fã de alguém, é muito diferente porque você tem esse acesso brutal a um montante de conteúdo que não tem fim.

      Como foi representar o Brasil na indicação do EMA esse ano, concorrendo com outros artistas muito populares entre os jovens como One Direction, Exo e Justin Bieber?

      LUCAS: Foi muito massa, porque eu não sei se tinha alguma outra banda de rock nas indicações, mas são os artistas mais populares de seus países. Só que no Brasil a popularIdade da internet comparada com o rádio e TV são coisas que fazem com que a Fresno, que não é a maior banda do Brasil, tenha uma presença de internet que bate de frente com caras que são super estourados assim. Então, são milhões de fãs por aí, e pelo menos uns milhares ficaram votando tanto que fizeram a gente ganhar de quem estava concorrendo com a gente, que era Pollo, Restart, Emicida, uma galera forte de fã. Tanto que a gente não levava muito a sério a votação, pensávamos: “ah, a gente não vai ganhar isso aí”. Mas quando a gente viu que ia ganhar a votação brasileira, pensamos: “putz, agora vamos fazer essa galera votar”. E aí quando foi para a votação da América Latina, aí começamos uma campanha animal: “agora vamos para Amsterdã”, pensamos. Então quando ficamos sabendo que ganhamos, fomos convidados a ir para Amsterdã, não era algo que precisássemos, mas fomos e aproveitamos para fazer um documentário, que está na internet, gravamos um clipe lá, e nos divertimos muito.

      O EP “Eu Sou Maré Viva” teve uma boa receptividade dos fãs e segue firmando o nome do grupo no cenário musical brasileiro. Quais são os futuros passos da Fresno e quais as ambições de vocês como uma banda de rock no Brasil.

      LUCAS: A gente está recém começando a divulgação do EP, saiu tem um mês e pouco. Agora a gente vai fazer o show de lançamento até o final do ano. Mas a gente tem planos sim. Queremos fazer o DVD, é só um plano, não é uma verdade ainda. Mas nem sempre dá para planejar tantas coisas pois às vezes as coisas acontecem sem a gente planejar. Mas o que a gente faz mesmo é trabalhar todos os dias para fazer as músicas ficarem cada vez mais conhecidas, levar o disco a todas as pessoas que são fãs, e todas as pessoas que não são fãs também, e isso é um negócio muito difícil, mas que a gente está ali, todo dia tocando, trabalhando e fazendo show. Carregando a bandeira mesmo. Temos poucas bandas de rock numa vitrine de poder mostrar sua música para muita gente e a gente ainda consegue isso, então a gente aproveita com unhas e dentes essas oportunidades.

      Além da entrevista, a Fresno também mandou um recado para a galera do Cifra Club.

      E aí galera do Cifra Club! É isso aí! A gente está trabalhando agora no projeto “Toque Fresno de Uma Vez Por Todas”, em que nós ensinamos o pessoal a tocar as nossas músicas exatamente do jeito que a gente toca. Porque as cifras estão todas lá e a grande maioria delas está correta, e as que não estão corretas a gente chega lá e arruma. Mas o projeto é justamente porque a galera quer saber como a gente toca, que às vezes nem é muito questão de cifrar, tablatura, que tem lá no Cifra Club. E eu sou cliente do site, é o site que eu penso quando eu preciso disso, eu não vou em outro.