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      Girl Power! Confira algumas bandas de rock lideradas por mulheres

      27 de novembro de 2015 7:56 Por Damy Coelho

      Em tempos em que discursos de libertação e empoderamento femininos estão em alta, vale ressaltar o que as mulheres já fizeram e andam fazendo pelo rock’n'roll. Selecionamos aqui algumas bandas com vocais femininos, mostrando todo o poder, força e potência vocal das mulheres, que fazem toda a diferença para o estilo. Aproveite para relembrar bandas que você já gostava e conhecer nomes novos!

      Bikini Kill

      Não dava para não começar esta lista com a banda de punk rock feminino mais importante de todos os tempos. Kathleen Hanna foi uma das fundadoras do termo “grrrl power” e ajudou a dar vida a um novo movimento feminista, que estava desgastado desde a década de 80. Autora de diversos fanzines sobre o assunto, Hanna montou o Bikini Kill com Tobi Vail e Kathi Wilcox, que foi uma das bandas mais representativas do punk rock da década de 90. As letras, sempre ácidas, falavam sobre o machismo e exaltavam a emancipação feminina. O trecho da música mais conhecida, por exemplo, é citado constantemente quando o assunto é feminismo: “When she talks, I hear the revolution/In her hips, there’s revolution” (“quando ela fala, eu ouço revolução/nos seus lábios há revolução”).

      Há também provocações contra o machismo, como em “Don’t Need You“: “Does it scare you that we don’t need you, boy? (…) Us, punk rock whores doesn’t need you” (“Não te assusta que nós não precisamos de você, garoto? Nós, vadias do punk rock, não precisamos de vocês”.

      A título de curiosidade: a importância de Hanna para o rock dos anos 90 é maior do que muita gente pensa. Além de suas próprias obras, ela foi a inspiração para o título da icônica “Smeels Like Teen Spirit“: amiga de Kurt Cobain, Hanna pichou o muro da casa do músico com os dizeres “Kurt smeels like teen spirit”, insinuando que ele tinha o cheiro do famoso desodorante. O resto é história.

      Confira abaixo “Rebel Girl“:

       

      Para conhecer mais: documentário “The Punk Singer”, 2010.

      Patti Smith

      Patti pode ser considerada como a grande inspiração de diversas bandas formadas por mulheres. A cantora, compositora e escritora já declamava poemas sozinha, sendo muitas vezes a única mulher dos grupos de artistas da efervescente Nova York dos ano 70. Um pouco mais tarde, se dedicou à música, misturando poesia com rock’n'roll de uma maneira nunca antes vista.

      Para conhecer mais: “Só garotos”, autobiografia da história de Patti com o fotógrafo Robert Mapplethorpe

      Janis Joplin

      Dispensa apresentações. A potente voz grave da cantora ainda é uma marca exclusiva de sua música e constantemente exaltada, mesmo tendo passado mais de 40 anos de sua morte. Janis inovou por ser a primeira mulher considerada como um grande nome do rock mundial. De personalidade forte, liderou bandas com todos os integrantes masculinos, como a Big Brother and The Holding Company, banda que a levou ao estrelato.

      Os Mutantes

      O primeiro nome nacional também é o da primeira grande banda de rock do Brasil. Se Os Mutantes hoje é “cult” e aclamado internacionalmente, foi graças à coragem de quebrar paradigmas: nenhuma outra banda até hoje faz um som parecido com o que eles fizeram e parte importante dessa força vem de Rita Lee, não à toa, uma das cantoras mais importantes do país. Rita foi responsável por dar o “chute na porta” para o rock nacional. Não só foi um dos primeiros nomes do gênero, mas foi a primeira mulher a efetivamente fazer um som neste estilo. Cantora e compositora, Rita continua na ativa, cheia de força e exalando rock’n'roll – do jeito que a gente gosta!

      Para conhecer mais: Documentário “Tropicália”, de 2012.

      The Runaways

      Muitos criticam o The Runaways por ter sido uma banda supostamente “fabricada” pela indústria fonográfica dos anos 70, que clamava por uma banda de rock com mulheres sexys e poderosas. Ideia, aliás, vinda da líder do grupo, Joan Jett, um dos principais nomes do rock na ativa até hoje. Mas não interessa: o The Runaways tem uma importância única para o rock, não apenas por ser a primeira grande banda formada só por garotas, mas pela importância de seu legado musical: que atire a primeira pedra quem nunca ouviu “Cherry Bomb” em uma boate, em pleno ano de 2015. Um clássico.

      Para conhecer mais: filme “The Runaways – Garotas do Rock”, de 2010.

      Sonic Youth

      Ok, não é necessariamente uma banda com vocal feminino, levando em conta que muitas das músicas são cantadas por Lee Ranaldo ou Thruston Moore. Mas é inegável a importância da figura de Kim Gordon para o rock. Graças a ela, muitas meninas perderam a vergonha de tocar só com garotos e compraram o seu primeiro baixo. Kim afirma que na época não se dava conta do quão inspiradora sua figura poderia ser para outras meninas, sequer pensava na questão do empoderamento feminimo – foi mais tarde que essas questões foram essenciais para sua carreira e sua vida – ela afirma que “só queria tocar e sentir bem como os garotos pareciam sentir estando no palco”. Além de música, Kim também é artista plástica e escritora – lançou recentemente sua autobiografia, intitulada “A Garota da Banda”, em que fala sobre sua vida por trás do Sonic Youth e de seu casamento com Moore, que terminou de maneira polêmica. Vale lembrar que o Sonic Youth, Nirvana e Bikini Kill eram “bandas parceiras” na cena da cidade de Olimpia. Confira o clipe de “Bull In The Halter“, com participação de Katleen Hanna:

      The Cardigans

      Os anos 90 foi a época do ”boom” de bandas lideradas por mulheres e o Cardigans tem uma importância essencial nisso. De rosto angelical e voz suave, Nina Persson surpreendia quando subia ao palco, mostrando a sua performance cheia de força. Ela é a compositora de grandes hits do grupo, como “Erase/Rewind” e o clássico “My Favorite Game“:

      No Doubt

      Da mesma época do Cradigans, o No Doubt foi além: não tinha pra ninguém quando o assunto era banda com vocais femininos. Gwen Stefani é uma figura marcante por onde passa.Talvez por esse motivo tenha inspirado diversas meninas, tanto com seu estilo, quanto com seu jeito intenso de cantar. Quem não se lembra do clipe todo sentimental de “Don’t Speak”, em que ela não teme em cantar, literalmente, na cara do ex-namorado que partiu seu coração? Gwen acabou mostrando que é muito maior que a banda que a consagrou: sua carreira solo, nos anos 2000, vendeu diversos discos e hoje ela ainda participa de programas de grande audiência, como o The Voice.

      Pitty

      “O último grande nome do rock brasileiro” é uma mulher. Pitty é classificada como a última roqueira por diversas publicações e não é para menos. Ela é uma das poucas que ainda lota casas de shows fazendo um som mais pesado. A baiana começou a carreira ainda adolescente, tocando em bandas de hardcore de Salvador e atingiu o sucesso nacional quando se arriscou na carreira solo, graças ao álbum “Admirável Chip Novo”, nos anos 2000. Hoje, é um dos principais nomes do mainstream e levanta a bandeira do empoderamento da mulher em diversos programas de TV, entrevistas, nas redes sociais…e em suas letras, claro.

      The Veronicas

      Elas são irmãs gêmeas e tocam em uma banda de pop rock. Além disso, compõem a maioria das músicas e inovam no estilo musical a cada álbum.  Jessica e Lisa são bonitas, cantam bem e têm todos os requisitos para ser uma dupla explorada pela indústria fonográfica para vender bastante, mas não é isso o que acontece. As duas não têm medo de pleitar quando algo não sai do jeito que elas querem e, aliás, odeiam ser reconhecidas como “uma dupla de garotas bonitas”. “Nós não queremos ser uma dupla pop com duas garotas cantando sobre relações, nós temos tudo que uma banda de rock teria, então nós somos uma banda”, já declararam diversas vezes em entrevistas.

      Paramore

      Fechando nossa lista, o Paramore é um dos últimos nomes que vendem bastante do rock atual. Eles figuram em listas de músicas mais baixadas junto com artistas do pop e R&B, soando como um último ruído de guitarra em uma indústria que não vem lá dando muito valor ao rock’n'roll. Parte disso se deve à imponente figura de  Hayley Williams, com sua voz potente e cores de cabelo nunca convencionais. A questão do poder feminino também é exaltada sem medo pela banda – o álbum mais vendido do grupo é intitulado justamente como Riot Grrrl, uma clara referência a bandas como o Bikini Kill.

      Lembrando que esta lista contempla apenas alguns dos vários nomes de mulheres que são importantes para o rock’n'roll: tal lista merece ser ainda maior. Tem alguma cantora que você adora e que ficou de fora? Conte pra gente nos comentários!