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      Trajetória: Relembre as várias personas de David Bowie

      12 de janeiro de 2016 10:06 Por Damy Coelho

      Bowie como "White Duke"

      Não é exagero nenhum dizer que David Bowie foi um dos artistas mais completos do século XX. Com a morte dele, a geração que tem seus vinte e poucos anos parece presenciar a morte de seus ídolos, aqueles que essas pessoas não tiveram chance de assistir ao vivo, de comprar um disco do artista na semana do seu lançamento, de ouvi-los no rádio.

      Mas isso parece não pesar tanto – não no caso de David Bowie, porque ele era diferente até nisso. Há menos de três dias, o músico estava lançando o seu vigésimo quinto (!) disco, “Backstar”. O clipe de “Lazarus” – novíssimo – que saiu na sexta, dois dias antes de sua morte, surge como o aviso de alguém que sentia a própria morte chegando. Sombrio, mas ao mesmo tempo, encantador. A nova geração, então, pode experimentar essa versão de David Bowie que atende por adjetivos mais soturnos. Porém, Bowie foi muito mais que isso. E não estamos falando de suas peripécias como ator (muito boas, por sinal), ou como produtor e compositor de mão cheia.

      Se na poesia, Fernando Pessoa ficou conhecido por seus heterônimos – suas várias personas poéticas em um só corpo – David Bowie fez algo semelhante para a música. Primeiro ele deu voz ao personagem que ele mesmo criou – o astronauta Major Tom, no clássico “Space Oddity”.

      Logo depois, ele foi o célebre Ziggy Stardust, persona do álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” e, segundo o próprio Bowie, o seu alter-ego. Muitos o identificam como “alienígena” – afinal, não era desse mundo ver, lá no início dos anos 70, um sujeito de salto alto, tão maquiado e caracterizado com acessórios femininos. Era o que viríamos a identificar facilmente hoje como um andrógino.

      Bowie também foi o responsável por dar o pontapé nesta definição, levando para o mainstream a discussão sobre se vestir e usar o que quiser, sem necessariamente se encaixar em um rótulo de gênero. Sendo assim, Ziggy – ou Bowie – não influenciou só o mundo da música. Ele também influenciou na moda. Influenciou comportamentos.

      Na época de “Rebel, Rebel”, Bowie também foi Halloween Jack, uma versão mais “clean” de Ziggy. Ainda assim, um cara extremamente descolado.

      Foi também o cara com pinta de realeza, o sempre elegante White Duke. Nessa época, ele usava roupas inspirada nos ternos de homens dos cabarés da década de 1920. Bowie estava no auge de seu vício em cocaína, e chegou a dizer em uma entrevista que estava vivendo de “malaguetas, cocaína e leite”.  Porém, nunca se soube se essa declaração era real ou se só fazia parte do personagem.

      O Bowie do século XXI era um sujeito mais misterioso, mas ainda assim, encantador e provocador. Foi essa persona aparentemente séria demais que apareceu vestida de Tilda Swinton durante a gravação do clipe “The Stars (Are Out Tonight)“, do álbum “The Next Day”, de 2013.

      Veja a imagem abaixo de Tilda e Bowie:

      Tilda e Bowie, vestidos um como o outro

      Pouco mais de dois anos depois, o músico viria a lançar outro álbum – indo na contramão de muitos jovens artistas que demoram até 3 anos para lançar um material novo. Bowie nunca parou de produzir, de se arriscar, de testar sua veia artística e suas várias personas. O derradeiro “Blackstar” – que nem tinha esse nome oficialmente, já que a capa do álbum consiste só em uma estrela preta em um fundo branco – fecha com chave de ouro o ciclo de um artista que se reinventou até os últimos dias de sua vida.

      As personas acima, aliás, são só algumas das muitas facetas que Bowie poderia adotar. De fato, provavelmente, nós nunca mais vamos nos deparar com um artista tão completo como ele. Sorte das gerações que puderam acompanhar isso tudo de perto.