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      O Trovador Solitário: Renato Russo para além da Legião Urbana

      11 de outubro de 2016 9:02 Por Damy Coelho

      Renato Russo na época do Trovador Solitário, aos 22 anos (Foto: Reprodução)

      Há exatos 20 anos a música brasileira perdia Renato Russo, líder de uma das mais influentes bandas nacionais da época, a Legião Urbana. Mas o que muita gente talvez não conheça é a obra solitária de Renato Russo, que mostrava um lado mais intimista e uma produção totalmente caseira e rústica de sua música – indo no caminho contrário aos megahits da Legião Urbana, que lotavam estádios com gente cantando em coro seus refrões.

      No curto período que datava entre o fim do Aborto Elétrico e a formação da Legião Urbana (mais precisamente no ano de 1982), Renato Russo resolveu dar a cara a tapa e se despir do apoio de seus companheiros de banda para se apresentar sozinho, em pequenos palcos de Brasília.

      Enquanto os irmãos Fê e Flávio Lemos logo montaram o Capital Inicial, com a formação de base que existe até hoje, Renato Russo lançava o seu “O Trovador Solitário“. O nome já entrega, mas o projeto vai além: era como espiar dentro do quarto de Renato Russo e vê-lo ensaiando as suas composições. Era o seu alter-ego de artista e gênio solitário sendo totalmente revelado.

      Em uma versão totalmente diferente da performance enérgica de sua antiga banda, o novo projeto consistiria apenas em tornar público o modo como Renato tocava suas músicas em casa: acompanhado somente de seu próprio violão, inspirado em ídolos punk-experimentais como Paul Weller e John Cooper Clarke. O curioso é que Renato Russo nem aqui ficou no básico clichê – todas as músicas foram tocadas apenas em um raro e velho violão de doze cordas.

      A cobrança dos fãs e dos amigos de Brasília – que já o consideravam como um porta-voz genial daquela turma que mal tinha entrado na faculdade – fez com que ele se apresentasse ao vivo com o projeto solo, dando vida às músicas que ele já tinha no papel. “Os amigos lhe pediam que gravasse as canções, então ele entrou no quarto com um gravador e registrou as demos de nove músicas. Depois, começou a tocá-las em alguns lugares pequenos de Brasília”, revelou o produtor Marcelo Fróes, em uma entrevista para a UOL. Nascia aí O Trovador Solitário, projeto de vida curta, mas de importância imensurável na carreira de Renato Russo.

      A origem

      A importância do Trovador Solitário para a então vindoura Legião Urbana é incontestável: foi do violão de doze cordas de Renato que nasceu, por exemplo, “Eduardo e Mônica”. As primeiras apresentações da canção, em uma versão acústica com notas de punk rock – um pé ainda estava fincado no Aborto Elétrico –  mostra um outro lado do sucesso radiofônico.

      Além de “Eduardo e Mônica“, o Trovador Solitário ainda apresenta outro grande sucesso da Legião, “Faroeste Caboclo”. Já a clássica “Eu Sei” era uma música do Trovador conhecida pelo público como “18 e 21″ – só para citar alguns exemplos.

      Dada essa importância, foi lançado, em 2008, uma edição especial do álbum O Trovador Solitário, com gravações raras de Renato Russo em sua versão acústica. As músicas escancaram o tom caseiro das gravações originais, o que faz com que o fã se sinta ainda mais próximo do trabalho intimista do cantor.

      As músicas que não foram reformuladas para o repertório da Legião foram usadas nos álbuns solos de Renato, já nos anos 90. Uma prova concreta de que o próprio cantor reconhecia no seu projeto de juventude um potencial e uma influência que seriam levadas com ele por toda a sua vida.

      No dia em que relembramos o legado de Renato Russo para a música nacional, vale celebrar – ou conhecer de perto – o trabalho mais intimista do cantor, compositor e letrista. Retomando Marcelo Fróes: “[O Trovador Solitário] talvez demonstre a melhor fase de Renato Russo, aquela em que ele efetivamente compunha instintivamente”.

      Em um outro viés, vale conhecer músicos contemporâneos consagradas que se inspiraram na Legião Urbana e em Renato Russo, e prestaram sua homenagem em forma de versões. Dê o play na playlist especial do Cifra Club.