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      Sabotage vive no tão aguardado segundo álbum, lançado nesta semana

      18 de outubro de 2016 8:25 Por Damy Coelho

      Facebook: Reprodução

      Após anos de espera, o público finalmente pode conhecer as músicas inéditas de Sabotage. O álbum póstumo de um dos maiores rappers nacionais é aguardado desde 2003 e foi lançado oficialmente nesta segunda (17), com diversas participações.

      Sabotage era a alcunha de Mauro Mateus dos Santos, um jovem talentoso da periferia de São Paulo, que viu no rap sua principal forma de expressão. Em 2001 explodiu com o disco Rap É Compromisso, sendo já alçado a um dos principais nomes do rap brasileiro, ao lado de nomes como Rzo e dos Racionais Mc’s – grupo que abriu portas para que o rap feito no Brasil ganhasse as rádios e a MTV. Sua trajetória artística, infelizmente, foi curta: Sabotage foi assassinado com quatro tiros em 2003  - pouco depois de gravar suas cenas em O Invasor, filme do renomado diretor Beto Brant, e pouco depois de começar a gravação de seu novo disco.

      É justamente o resultado destas primeiras gravações que traz o álbum “Sabotage”, já disponível para venda e nas plataformas de streaming. Além das três músicas que o rapper finalizou para o então novo álbum, “Sabotage” ainda traz oito inéditas, que foram reunidas e finalizadas ao longo de mais de 10 anos pela família, pelos amigos e por alguns de seus vários parceiros musicais.

      Sabotage e seus parceiros de produção, na época de finalização de seu álbum (Foto: Reprodução/Facebook)

      Em um meio como rap (que trabalha com temáticas sociais e, consequentemente, com contextos muito atuais) o lançamento de um álbum após 13 anos de sua pré-produção poderia soar “velho demais”, ainda mais depois das tantas mudanças ocorridas no cenário brasileiro desde os anos 2000. Mas não é o que percebemos em “Sabotage”.

      As temáticas das composições seguem atuais: a vida no Canão – onde o rapper vivia, a miséria das periferias de São Paulo e as críticas ao sistema não poderiam ser mais contemporâneas. O arranjo das músicas também trouxe um frescor para as canções, sem necessariamente mudar o jeito que Sabotage gostava de fazer rap, misturando vários estilos em um só. Mérito dos produtores Rica Amabis, Tejo Damasceno e Daniel Ganjaman, que estavam com Sabotage desde o início, além das participações nos arranjos de Dj Cia e até do hypado projeto Tropkillaz.

      Há muita variedade de música brasileira no álbum, como batidas do samba e até um quê de bossa nova (como na bela e pop “O Gatilho”). E a participação de vários amigos e admiradores do rapper no álbum só ajudou nessa mistura: Negra Li, BNegão e Rappin Hood são apenas alguns dos nomes que participam nas canções. Destaque para as ótimas (e simples) “Canão Foi Tão Bom” e “Respeito É Lei” até “Mosquito”, faixa com influências do hip hop americano atual, graças ao ao toque do Tropkillaz – e que ainda conta com participação dos filhos de Sabotage nos vocais. São os extremos de um álbum que tem muito a oferecer na cartela de estilos musicais.

      “País Da Fome: Homens Animais” promete emocionar: a música começa com uma repórter anunciando a morte de Sabotage, enquanto o ouvinte vai reconhecendo a continuação de uma das músicas favoritas da época de “Rap É Compromisso”, costurada com outros vocais do Maestro do Canão.

      Apesar de ter sido lançado oficialmente apenas na segunda (17), o álbum já estava disponível em streaming no domingo (16) – mesmo dia em que familiares e amigos do rapper se reuniram para celebrar o legado de Sabotage. A família fez questão de compartilhar o momento com os fãs, publicando fotos e vídeos nas redes sociais. Coincidentemente, na mesma noite de domingo, o fenômeno da superlua enchia o céu de São Paulo. Sem dúvidas, não havia maneira mais bonita para homenagear um dos grandes nomes do rap brasileiro.