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      Solange, Diplo e St. Vincent queriam que o Grammy fosse de Beyoncé

      14 de fevereiro de 2017 11:28 Por Damy Coelho

      Frank Ocean foi o primeiro a dar a dica: o artista, que poderia ser um dos favoritos de indicações ao Grammy deste ano, não submeteu seu álbum Blonde ao Grammy e ainda acusou a premiação de ser “um dinossauro, que não representa nem os negros e nem os jovens na música”.

      O protesto foi seguido por Kanye West e Justin Bieber, em forma de boicote ao Grammy. Foi preciso que Beyoncé perdesse o prêmio de ‘Álbum do Ano’ para Adele para que alguns artistas também se posicionassem a respeito do prêmio.

      Acusações de racismo

      Solange, no clipe de 'Don't Touch My Hair'

      Solange, St. Vincent, Win Butler, do Arcade Fire, e Diplo foram alguns dos músicos que não concordaram com o resultado do prêmio e se manifestaram publicamente.

      A irmã de Beyoncé – que também levanta a bandeira da representatividade negra em seu ótimo A Seat At Table - concordou com o discurso feito por Frank Ocean. Mesmo levando seu Grammy na categoria R&B (uma das poucas que representa os negros no Grammy), Solange só provou que sua carreira não é determinada pelo prêmio.

      O vocalista do Arcade Fire, Win Butler, tuitou sobre o assunto: “‘Se nós temos o mínimo respeito por álbuns, Lemonade é o Álbum do Ano”, escreveu. O hypado produtor e DJ Diplo também usou a rede social para se manifestar. “‘Eu amo a Beyoncé e gostaria que os jurados do Grammy dessem uma chance para algo tão pessoal quanto seu álbum”, mandou o recado.

      Sufjan Stevens, St Vincent por Beyoncé (Foto: Reprodução/NME/Getty)

       

      St. Vicent também se manifestou, reiterando a postagem feita pelo músico Sufjan Stevens. O músico questionou a estranha categoria que deu a Lemonade o seu único prêmio, nomeada “Melhor Álbum Urbano Contemporâneo”.

      ”O que é ‘Urbano contemporâneo’??”, questionou Sufjan Stevens. ”É onde os homens brancos colocam as incomparáveis mulheres negras e grávidas porque eles se sentem ameaçados por seu talento, poder, persuasão e potencial”, concluiu.

      Polêmica

       

      É inegável que Adele é uma das artistas mais talentosas de nossa geração e que seu álbum, 25, tem uma produção primorosa – é um álbum completo e consistente. Porém, nenhum outro lançamento rendeu tanto buzz quando Lemonade. O álbum foi a redenção musical de Beyoncé, que mostrou sua versatilidade em transitar pelos mais variados estilos. Lemonade também bota o dedo na ferida em temas custosos aos Estados Unidos, como o racismo e a morte de negros por policiais, além de exaltar a cultura negra e as religiões africanas.

      Para todos os efeitos, a própria Adele deixou claro em seu discurso que o prêmio deste ano deveria ter ido para Beyoncé. ”Eu não consigo aceitar este prêmio”, disse Adele ao receber o gramofone, deixando Beyoncé emocionada. ”O álbum Lemonade é tão monumental e bem pensado e lindo… Nós respeitamos ele. Todos nós, artistas, adoramos você, Beyoncé. Você é a nossa luz”, declarou para a colega. ”O jeito que você nos faz sentir, o jeito que você faz os meus amigos negros se sentirem é empoderador, você os faz serem capazes de falar por si”, concluiu.

      Histórico

      A acusação de racismo vai muito além do fato de Lemonade não ter ganhado este ano. Há mais de uma década o Grammy não elege nenhum artista negro ao prêmio de “Melhor Álbum”.

      E não faltaram concorrentes de peso neste meio tempo. Por exemplo, o excelente To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar, que foi o primeiro mainstream dos últimos anos a tratar dessa temática, perdeu o prêmio para Taylor Swift e seu 1989, no ano passado. E a própria Beyoncé, que já levou vários Grammys, nunca levou o “Álbum do Ano”, que é um dos principais do Grammy. A cantora perdeu prêmio de 2015 para o disco Morning Phase, do Beck – disco que não teve nem metade da representatividade e das vendas do álbum Beyoncé – que é comentado até hoje.

      Concordando ou não com as acusações de racismo, o ponto positivo de toda essa polêmica é que essas discussões podem servir para dar uma renovada no Grammy e no quê (e quem) ele, de fato, representa.