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      Chester: a beleza e a angústia de suas letras que tematizavam o vício

      21 de julho de 2017 14:41 Por Damy Coelho

      Não é exagero dizer que Chester Bennington marcou uma geração. O grande sucesso do Linkin Park no início dos anos 2000 foi talvez um dos últimos grandes fenômenos que vimos no rock (em se tratando de mainstream).

      Com a sua morte por suicídio na manhã de quinta (20), muitos fãs antigos da banda prestaram suas homenagens e depoimentos. Nisso, um fato se escancara: ele foi o primeiro artista que uma geração viu surgir, brilhar e morrer de maneira trágica. Ao contrário de Chris Cornell ou Scott Weiland, por exemplo – que viveram um auge nos anos 90 para ressurgirem, anos depois,  em outros projetos – Chester Bennington foi o grande primeiro ídolo do rock contemporâneo de muita gente.

      Os vocais impressionantes do cantor no Linkin Park chamavam a atenção para um conjunto da obra consistente: todos os integrantes são músicos de talento e lançaram álbuns com alto nível de produção. Mas Chester conquistava ainda mais a atenção. Para além de ser um frontman digno do termo – um dos últimos que nós vimos surgir – o artista também era um compositor dedicado.

      FALANDO SOBRE AS LETRAS

      O cantor falava abertamente de seus problemas com o vício e sua depressão em entrevistas – mas é nas suas letras que o artista se mostrava completamente aos fãs. Seus desejos e frustrações eram escancarados ao público e isso ficou (ainda mais) evidente com o último álbum lançado pelo Linkin Park, One More Light. O disco foi lançado neste ano e chegou a dividir a opinião dos fãs – enquanto alguns reclamavam da nova sonoridade adotada pela banda, artistas defendiam os novos rumos, elogiando a autenticidade de Chester por não temer seguir novos caminhos musicais.

      Bennington chegou a escrever sobre as letras recentes em um famoso site de música, no mês passado. Segundo o próprio, o disco visceral escancara os questões que o cantor estava vivendo, como lidar como vício, perder parentes próximos, conviver com a depressão. Destacamos um trecho da fala do cantor para a música Heavy, que está neste último disco. A música fala abertamente sobre a angústia de se sentir incapaz de controlar seus próprios instintos, que podem ser negativos. Chester falou abertamente sobre a temática desta canção:

      Quando estávamos falando sobre a música, eu estava tipo ‘olha, eu não sei’. Às vezes eu me vejo pensando nesse tipo de coisa. Às vezes eu me vejo mergulhado nesses comportamentos que eu tenho. Faço essas coisas tentando não fazer, e de repente me vejo fazendo de novo. É como se eu fosse obrigado a ferrar com tudo de novo. Ou tornar as coisas mais difíceis ou cair em uma armadilha. Acho que todo mundo, do seu jeito, pode se identificar com isso. Pra mim, isso vem do fato de eu ser um viciado. Tem pensamentos que são um padrão. Uma compulsão, essa coisa obsessiva que acontece no meu cérebro e eu não posso conter. E isso leva a uma mentira, leva a um isolamento e todas essas outras coisas que acabam com a minha vida. É como se eu pensasse ‘por que eu me isolo?’ e eu simplesmente não vejo todas as outras coisas que me isso me causa. Eu acabo me focando em um sintoma só, e não no problema real.

      Mais que um desabafo, as letras de Chester Bennington mostram a urgência de se tratar com seriedade os temas relacionados à saúde mental. Depressão não é “frescura”, e o vício não é uma fraqueza. Que as músicas do cantor se tornem mais que um legado aos fãs, mas uma forma de reflexão sobre vícios, depressão e como esses temas precisam ser debatidos atualmente.

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