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      Conheça as inovadoras técnicas do trabalho da Luthieria de Pobre

      17 de agosto de 2017 17:57 Por Gustavo Morais

      Lutheria de pobre

      Responsável pela Lutheria de Pobre, Jônatas Kerr exibe uma de suas criações (Foto: Divulgação)

      Em tempos de crise econômica, mais do que nunca, o profissional da música precisa se reinventar, pois, afinal, o show não pode parar. Pensando em dar um help aos que tão com pouca grana no bolso, o técnico de audiovisual Jônatas Kerr criou o projeto Luthieria de Pobre. A ideia é produzir instrumentos de baixo custo, sempre usando materiais reciclados e ferramentas improvisadas. No fim das contas, a verba empregada no equipamento desenvolvido fica sempre o mais baixo possível. O objetivo é “manter o custo do próximo de R$0,00″, como diz a descrição da luthieria no Facebook.

      No ar desde 2016, o canal da Luthieria de Pobre no YouTube já publicou 67 vídeos relacionados a assuntos do universo musical. Na maioria das vezes, as produções são voltadas para dicas e tutoriais que podem resolver muita coisa na vida do músico que ‘tem muito mês no final do dinheiro’. Um dos muitos conteúdos úteis publicados no canal é o vídeo com dicas rápidas sobre como resolver um probleminha no braço da guitarra. Em cena, Jônatas explica como enxertar um pedacinho de madeira na escala lascada do instrumento.

      Em um bate-papo exclusivo com o Cifra Club, Jônatas Kerr comentou que a necessidade de ter um banjo foi o combustível para criar a luthieria. Na época, ele precisava do simpático instrumento para gravar uma faixa do disco do Ovelhitos, um projeto voltado ao público infantil. Segundo Kerr, a matéria-prima foi encontrada em uma escrivaninha que estava apodrecendo ao relento. “Peguei as tábuas e levei para um amigo meu que é marceneiro, e ele me falou que eram tábuas de Imbuia, uma madeira nobre e que hoje nem se pode cortar mais. Neste momento que surgiu a ideia: construir o banjo que eu precisava com esse material nobre encontrado no lixo. Procurei na internet, e encontrei projetos de banjo. Construí ele e aprendi a tocar um pouco, só o suficiente para gravar as músicas dos Ovelhitos. Deu certo!”, comemora.

      O começo da Lutheria de Pobre

      O banjo que inaugurou a Luthieria de Pobre (Foto: Acervo Particular)

      Segundo Jônatas, a metodologia de trabalho da luthieria é feita na base do ‘do it yourself’, mandamento da cultura punk. “No momento, estou desenvolvendo todo o projeto sozinho. Acabo tendo de estudar sobre cada instrumento, pensar em como adaptar as técnicas e ferramentas para um cenário de baixo custo, encontrar o material na rua, construir o instrumento e filmar ao mesmo tempo e, finalmente, editar e compartilhar na internet”, disse.

      Outro projeto interessante é a série de vídeos sobre a construção de um ukulele sustentável. Ao longo de 20 vídeos, a luthieria explica como criar um ótimo instrumento com material de baixo custo.

      O trabalho da Luthieria de Pobre nem de longe tem uma visão tecnocrata. Sem contar com recursos vindos de Leis de Incentivo ou patrocínios, essa iniciativa 100% sustentável tem como mantra o altruísmo e a ideia de injetar energia positiva nas veias do universo musical. “Se fosse calcular o tempo investido e o retorno que o YouTube dá com as propagandas, financeiramente nunca valeria a pena, mas é muito bom ver a resposta do público, as pessoas enviando fotos dos instrumentos que construíram e investindo seu tempo em algo que pode se tornar uma profissão. É muito bom saber que você fez a diferença na vida de alguém, e de forma positiva”, afirma Kerr.

      Para conhecer mais sobre esse trabalho exemplar, você pode curtir a página da Luthieria de Pobre no Facebook e/ou se ligar nos vídeos divulgados no canal do YouTube.