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      O que é sample?

      4 de setembro de 2017 9:36 Por Damy Coelho

       

      Você já deve ter notado: 10 entre 10 artistas do pop contemporâneo usam samples em suas músicas. De Beyoncé a MC Kevinho.

      Usar o sample de outra obra em uma canção pode ser uma forma de homenagear o artista, de retomar um período na história da música ou simplesmente dar origem a uma nova batida.

      Um uso de sample bastante comentado nos últimos dias foi o de Taylor Swift em Look What You Made Me Do. Neste caso, Taylor usou o trecho de uma canção dos Peaches pra mandar uma indireta/alfinetada na sua arquirrival, Katy Perry.

      Mas nem precisa manjar da história da Katy Perry pra identificar outro sample na música – esse, mais óbvio aos ouvidos: o do hit chiclete dos anos 90, I’m Too Sexy.

      Mas, de onde vem essa estratégia de usar samples para criar novas músicas?

      ORIGEM

      Ao voltar um pouco na história da música, podemos perceber a presença do sample (“amostra”, em inglês) como forma de criar novos beats. Alguns teóricos mostram que essa estratégia veio da Jamaica, como base da construção do reggae, e chegou aos EUA nos anos 70.

      A história do sample se confunde, entre outros marcos, com o nascimento do rap. O scratch, aquele recurso em que os DJs “arranhavam de propósito” um trecho do vinil para uma batida soar duas vezes, deu origem tanto ao sample quanto ao rap: esse gênero nasceu justamente quando os MCs passaram a rimar em cima desse tipo de beat.

       

      O SAMPLE E A MISTURA DE INFLUÊNCIAS

      Enquanto a tecnologia digital evoluiu, o uso dos samples evoluiu também. Saiu do vinil e ao entrar em formato digital, mostrou suas inúmeras possibilidades de usos. O sample de 5 segundos de uma música é capaz de servir de base para diversas outras canções dos mais diversos gêneros diferentes – não à toa, essa mistura de gêneros é a mesma base que deu origem ao rap e ao hip hop.

      Considerado o primeiro rap brasileiro, o Melô do Tagarela já levava um sample, o clássico do Sugarhill Gang. (Anos mais tarde, até o Gabriel, O Pensador iria usar o mesmo sample).

      Quem também usava samples para criar novas músicas é o Run DMC, um dos grupos que ajudou a popularizar o rap nos anos 80.

      Um exemplo é o Beats To The Rhyme, que tem um trecho de Talkin Loud & Say Nothing, do James Brown.

      Outro gênero que de certa forma nasceu do sample foi a música eletrônica, que foi ganhando popularidade à medida que os computadores foram se modernizando.

      Um exemplo clássico de uso do sample como origem para outras músicas é o álbum Technodelic, do Yellow Magic Orchestra, de 1981 – a base do álbum vem, entre outras coisas, de trilhas sonoras de videogames da época.

      Certa vez, o DJ Grandmaster Flash falou sobre o hip hop: “Quando pedem para eu tocar um set de hip hop, tem pop, rock, jazz, blues, funk, disco, R&B. Toco breaks de 20 gêneros diferentes. Isso é hip hop.”

      Uma das coisas mais mágicas do sample é a sua inventividade e capacidade de se encaixar nos mais diversos gêneros. Não à toa, o sample deu origem ao rap e ao hip hop, dois gêneros capazes de fundir muitos estilos em um só, como bem disse o DJ.

      E como a música atual está cada vez mais globalizada e antropofágica – se sai bem o artista que consegue beber de várias influências sem precisar rotular o seu som – o sample é a cara dessa nova realidade.

      Pensando nisso, escolhemos 3 artistas que usaram samples dos mais diversos gêneros em suas músicas. Por que isso não começou com a Taylor Swift, é claro.

      1. Beyoncé

      Só no Lemonade, Beyoncé usou mais de 20 samples (!). Em Hold Up, ela canta um sample de Maps, do Yeah Yeah Yeahs, por cima da batida inspirada em Andy Williams.

      2. Selena Gomes

      A nova investida pop-sexy-experimental da cantora conta com vários samples que deixam a sua música ainda mais cool. Um exemplo é Bad Liar.

      Reconheceu o baixo deste clássico do Talking Heads repetindo ao longo de toda a música?

      Amigos de Selena Gomez contaram que ela é fã de Talking Heads. E a homenagem foi aprovadíssima por David Byrne, por sinal.

      3. Future

      A música latina voltou a ser tendência global, e o funk brasileiro não fica de fora (alô, Major Lazer!). Em seu novo CD, o rapper Future usou um beat do funk de Mc Pocahontas, Mulher do Poder.

      E você, se lembra de algum sample favorito?