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      Wendy Carlos, a trans que assina a trilha sonora de Laranja Mecânica

      16 de novembro de 2017 10:40 Por Damy Coelho

      Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, é um dos clássicos-cult dos anos 70.

      Baseado no romance de Anthony Burgees, a história do sociopata Alex ditou tendências e popularizou tanto as vestimentas dos personagens quanto a trilha sonora, assinada por Wendy Carlos.

      Na trilha sonora do filme (que foi lançada no Brasil em versão LP), a artista é creditada como Walter Carlos, seu nome de batismo.

      (Reprodução)

      Wendy é uma mulher trans. Nasceu homem, e passou pela cirurgia em 1972, período em que as pessoas trans sofriam ainda mais com o preconceito.

      Além de ser precursora na cirurgia de mudança de sexo, Wendy foi bastante inovadora na música – ponto que nos interessa aqui.

      Wendy Carlos(Reprodução)

      Em 1968, lançou o álbum de música eletrônica Switched-On Bach, considerado um dos primeiros a usar sintetizadores. Como o nome indica, o álbum continha versões eletrônicas e totalmente inusitadas das canções eruditas de Sebastian Bach.

      Imagine só o quão inovador foi, em 68, ouvir um álbum de música erudita todo tocado naquele instrumento estranho?

      O álbum foi um sucesso – foi o primeiro álbum de música “erudita” a ganhar um disco de platina. Switched-On Bach ainda ajudou a popularizar o Moog, um trambolhão que foi a primeira versão dos sintetizadores, inventada pelo músico e engenheiro, Robert Moog.

      A formação clássica de Wendy, que começou a tocar piano com 6 anos e foi mestre em música pela Universidade de Brown, se mistura ao seu caráter curioso e inovador: membra da contracultura nova-iorquina dos anos 70, a artista conseguiu como poucos o universo erudito e moderno.

      Em 1972, já assinando como Wendy, participa da trilha sonora de outro clássico, O Iluminado, atuando como compositora.

      Pouco depois, lançou o Digital Moonscapes, que contava com uma espécie de orquestra digital pela primeira vez em um álbum. Neste momento, a artista trocou os sintetizadores analógicos por digitais e sampleou o órgão da The Royal Albert Hall, em uma viagem sonora inspirada no sistema solar.

      A instrumentação eletrônica feita antigamente não era do tipo que permitia você samplear muito literalmente nota por nota de cada instrumento e tentar agrupá-las depois. Aquilo acabou se tornando muito parecido com colagem do clip art. Você teria que pegar um sample de, sei lá, cada jeito que uma cabeça pode virar, juntar todas as suas expressões, movimentos da mão e então tentar criar uma arte de verdade a partir de pequenas peças

      O próprio inventor do sintetizador Mogg, que trabalhou junto com Wendy, falou sobre o talento da artista: “Wendy construiu sons líricos que antes ninguém imaginaria que poderiam sair de um sintetizador digital”, disse, em uma entrevista de 1985 para a People. “Ninguém está no mesmo patamar que ela”.

      Wendy Carlos (Reprodução)