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      Dívidas da Gibson chegam na casa dos US$ 560 milhões

      21 de março de 2018 10:28 Por Gustavo Morais

      Alguns modelos lendários da Gibson (Foto: Site Oficial)

      Em sua lista de adeptos, em diferentes momentos da história, a Gibson conta com guitarristas do gabarito de Jimmy Page, Slash, B.B. King, entre outros ícones. Empunhando um violão Gibson J200Elvis Presley também ajudou a imortalizar o nome da fabricante. Com tantos “embaixadores de peso”, não há dúvidas de que a empresa é praticamente unanimidade no meio musical.

      E a história não para por aí: com o solo imortalizado na música “While My Guitar Gently Weeps”, dos BeatlesEric Clapton, um ferrenho adorador da Fender Stracaster, também deu sua colaboração para que a Gibson fosse ainda mais icônica. Na ocasião, Clapton usou uma 1957 Les Paul Standard “Lucy”, uma das peças do arsenal de George Harrison.

      Precisa de legenda? (Foto: Site Oficial)

      Apesar da indiscutível qualidade e relevância de seus produtos, a Gibson atravessa a pior fase de sua centenária trajetória. Após 116 anos de história, a fabricante se encontra “entre a cruz e a espada”. De acordo com o site peruano Diario Gestión, especialista em economia, as dívidas da empresa estão na casa dos US$ 560 milhões. Ainda segundo o veículo, a quantia astronômica deve ser paga no terceiro trimestres de 2018.

      Os principais acionistas da Gibson estudam a possibilidade de afastamento do CEO empresa, Henry Juszkiewicz. Com um diploma da Harvard Business SchoolJuszkiewicz é o mandatário da marca desde 1986. A maneira do executivo negociar, no entanto, não é exatamente bem vista aos olhos de quem injeta dinheiro na corporação.

      Culpa da Diversificação?

      Na tentativa de fazer da Gibson a maior e mais importante fabricante de guitarras do mundo, Juszkiewicz comprou partes de empresas de produtos eletrônicos de consumo para transforma a Gibson Guitars em Gibson Brands, uma empresa de “estilo de vida musical”.

      Henry Juszkiewicz desagrada acionistas (Foto: Site Oficial)

      Ele também adquiriu uma linha de produtos eletrônicos da empresa japonesa Onkyo. Na lista de compras do CEO também está a WOOX Innovations, a divisão de áudio e entretenimento doméstico da Royal Philips, por US$ 135 milhões.

      “Meu sonho era ser a Nike do estilo de vida musical. Neste momento, francamente, preciso reduzir essa ambição”, disse ele em entrevista recente.

      O resultado não saiu de acordo com o planejado. As aquisições consumiram mais dinheiro do que o esperado, sobretudo após o acordo com a Philips. Para agravar a situação, está marcado para o dia 1º de agosto de 2018 o vencimento de uma dívida na casa dos US$ 375 milhões. Em caso de inadimplência ou de de refinanciamento, um empréstimo bancário no valor de U$145 milhões será adicionado ao saldo devedor.

      Mais problemas

      A Gibson também enfrenta problemas com com alguns varejistas. Vários deles romperam relações comerciais com a marca, sob a alegação de demandas inaceitáveis. Para azedar ainda mais o diálogo entre as partes, em entrevista recente, Juszkiewicz criticou a organização das lojas instrumentos. Segundo ele, os lojistas pecam por não investirem em merchandising e logística.

      Gibson está com dificuldade até para comprar matéria-prima (Foto: Site Oficial)

      Outro foco de crise na fabricante está na falta de alinhamento com os fornecedores. Segundo a a S&P Global Ratings, a Gibson está com problemas de crédito e também sofre uma pressão, cada vez maior, devido às novas restrições à importação de jacarandá, uma matéria-prima fundamental para os instrumentos de alto nível.