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      60 anos de Cazuza: “o poeta está vivo”, atual e cultuado!

      4 de abril de 2018 8:49 Por Gustavo Morais

      4 de abril de 1958 foi um dia que nasceu feliz na casa da família Araújo. Os ventos do outono daquela data serviram de cenário para que viesse ao mundo uma criança que recebeu, em homenagem ao avô paterno, o nome de Agenor de Miranda Araújo Neto. Mas antes de nascer, no entanto, o garoto já era chamado pelo apelido que o tornou conhecido no Brasil inteiro: Cazuza.

      Cazuza nos tempos de Barão (Foto: Internet)

      Ao longo de uma carreira breve, louca e intensa, Caju lançou nove discos e teve maestria para transitar entre o rock e a MPB. Dono de habilidade incomum com as palavras, ele imortalizou uma poesia capaz de denunciar uma sociedade traiçoeira, competitiva e de futuro duvidoso. Com todo deboche e ironia do mundo [ele era mesmo EXAGERADO!], Cazuza não poupou nem mesmo a própria classe social:

      Pobre de mim que vim do seio da burguesia/Sou rico mas não sou mesquinho/Eu também cheiro mal/ [...] Eu sou burguês, mas eu sou artista/Estou do lado do povo/A burguesia FEDE/

      A seguir, breves análises de alguns dos melhores momentos da curta, porém intensa carreira do poeta que faria 60 anos hoje.

      Pro Dia Nascer Feliz
      Com esta canção, o Barão Vermelho encerrou a histórica apresentação na primeira edição do festival Rock In Rio, em janeiro de 1985. Na ocasião, Cazuza desejou “um dia lindo pra todo mundo”, “um Brasil novo” e uma “‘rapaziada ‘ixsperta’”. Pena que no curso da história, quando a gente faz um análise ao redor, entendemos que a situação não foi bem assim…

      Exagerado
      Em 1985, após uma conturbada saída do Barão, Cazuza lançou “Exagerado”, o seu primeiro trabalho solo. A faixa título do álbum tornou-se um cartão de visitas do artista e até hoje é tocada nas rádios e rodinhas de violão. Com versos viscerais, a música é sem dúvida uma das grandes canções de amor escritas na língua portuguesa. Seja menos puritano e se renda!

      O Nosso Amor a Gente Inventa (Uma Estória Romântica)
      O disco “Só se For a Dois”, lançado em 1987, apresenta um lado romântico assumido de Caju. Surgem novas parcerias musicais e as letras ganham um conteúdo mais maduro, isto é, Cazuza mostrou ao cancioneiro brasileiro passa a escrever sobre temas que vão além do cenário da vida noturna do Rio de Janeiro.

      O cara que viu o futuro repetir o passado (Foto: Internet)

      Brasil
      Munido com uma poesia ácida, Cazuza fez esta canção e vociferou contra as falcatruas que tomavam conta da nação no final dos anos 80. Passados tantos anos, o Brasil presente neste samba rock é o mesmo Brasil dos brasileiros: pobre, violento e repleto de governantes que são achacadores e gigolôs do povo.

      O Tempo Não Pára
      Inspirado no discurso apocalíptico de Bob Dylan, Cazuza escreveu, em parceria com Arnaldo Brandão, esta música que tornou-se hino de toda uma geração. A canção apresenta na letra a realidade de um povo que vive esmagado no terceiro mundo, onde há riquezas concentradas nas mãos de poucos e pobreza (principalmente financeira e intelectual) distribuída para a grande maioria.

      Homenagens ilustres!

      No ano em que completaria 60 anos, Cazuza será homenageado por artistas dos mais variados segmentos da música. Dono de uma obra que é capaz de fazer qualquer dia nascer feliz, o “Exagerado” merece ser celebrado sempre!

      Nesta quarta (4), o Rio de Janeiro recebe um show em homenagem ao aniversariante. Realizado pelos irmãos Rogério Flausino e Wilson Sideral – o último assina a direção – o espetáculo vai acontecer Circo Voador. Em cena, os mineiros “maneiros” passarão por todas as fases musicais de Cazuza e contarão com as participações de Bebel Gilberto e Caetano Veloso.

      Rodrigo, Leila e Menescal vão fazer turnê em homenagem a Cazuza (Foto: Internet)

      Na quinta (5), em São Paulo, vai rolar a estreia da turnê “Faz Parte do Meu Show”. O espetáculo será comando por Roberto Menescal, a cantora e pianista Leila Pinheiro e Rodrigo Santos, ex-baixista do Barão. A ideia é rearranjar, no ritmo que consagrou nomes como João Gilberto, Tom Jobim e o próprio Menescal, os maiores sucessos da carreira de Cazuza.

      Já na sexta (6), para começar bem o fim de semana, no Blue Note Rio, na “Cidade Maravilhosa”, um outro time da pesada celebrará a entrada de Caju na terceira idade! A festa será comandada por Paulo Ricardo, Danni Carlos, George Israel (ex-Kid Abelha), Arnado Brandão (Hanoi-Hanoi) e Guto Goffi, batera do Barão. Nunca é demais lembrar que George, Arnaldo e Guto foram parceiros musicais importantíssimos na carreira de Cazuza.

      Por aqui, a gente parabeniza Cazuza com um som que a galera do Cifra Club fez no Dia Mundia do Rock 2017. Dê o play e celebre conosco!

      Cazuza saiu da vida, em julho de 1990, mas já estava imortalizado na história da arte. Nesta tão querida data de hoje, só há duas palavras para dizer:

      Viva Cazuza!