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      75 anos de John Lennon, um dos maiores ícones da história da música

      9 de outubro de 2015 10:21 Por Gustavo Morais

      Vida, casamento, divórcios e morte

      O garoto John Winston Lennon não teve uma infância das mais tranquilas

      Era o dia 9 de outubro de 1940, outono na cidade de Liverpool, na Inglaterra, quando em meio a um bombardeio alemão durante a Segunda Guerra Mundial nasceu John Winston Lennon.

      O garoto, filho do marinheiro Alfred  Lennon com a dona de casa Julia Stanley, teve uma infância tumultuada e marcada pela separação de seus pais. Entre idas e vindas – hora vivendo com o pai e hora vivendo com a mãe – acabou sendo criado por Mimi, irmã de Julia. Na escola era conhecido por ser do tipo que não evitava confusão e pelos talentos artísticos de criar desenhos e mímicas.

      John com sua primeira esposa, Cyntia Powell

      Aos 18 anos de idade John perdeu a mãe, vítima de um atropelamento. Na mesma época conheceu Cynthia Powell, com quem mais tarde ficou casado por quatro anos. Desta união nasceu Julian Lennon. Em 1966, Lennon conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono e desfez o casamento com Cynthia. Naquele mesmo ano, junto com seus colegas de banda, foi condecorado com a medalha da Ordem do Império Britânico. Em 1971, John e Yoko mudaram-se para Nova Iorque, nos Estados Unidos. Na época, o casal recebia em sua casa vários ativistas e não economizava criticas a postura política de Richard Nixon, então  presidente estadunidense.  Anos mais tarde, o FBI revelou que investigava a vida de John por causa de seu envolvimento político.

      John entre os filhos Julian (esquerda) e Sean (direita)

      Em 1973, John e Yoko se separam. O músico se mudou para Los Angeles e por indicação de Yoko manteve um relacionamento com a assistente May Pang. Este período ficou conhecido como ‘fim de semana perdido’. Nesta época, Lennon naufragou no uso do álcool e ao lado de amigos como Ringo Starr, Harry Nilsson e Keith Moon promoveu bebedeiras e confusões homéricas. Mantinha sempre contato com Yoko e queria voltar para Nova Iorque, mas ela alegava que ainda não era o momento certo para reatarem. Quatorze meses após o rompimento, o casal se reconciliou. Para completar a festa, em 1975, Yoko deu à luz a Sean Lennon e John ganhou o green card americano, o documento que lhe deu direito de continuar morando nos Estados Unidos. Após o nascimento do filho, o músico passou cinco anos recluso enquanto a esposa gerenciava os negócios da família. Na ocasião, John passava seu tempo cuidando do garoto e fazendo pão.

      Lennon e sua amante May Pang

      No ano de 1980, o ex-beatle decidiu retomar a carreira artística. Mas o destino implacável abreviou sua trajetória de sucesso. John Lennon contava 40 anos quando na noite do dia 08 de dezembro foi assassinado por um fã, que durante o dia havia recebido um autógrafo do astro. O algoz de Lennon se chama Mark David Chapman e disparou cinco tiros, sendo que quatro deles atingiram o músico que morreu após perder 80% de seu sangue. Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se aglomerou em frente ao prédio em que ele morava, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de artista foi cremado  e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.

      John Lennon ao lado de Mark Chapman, o homem que tirou sua vida

      O assassino foi preso em flagrante, pois permaneceu no local do crime, esperando as autoridades chegarem. Ao ser conduzido para a viatura, pediu desculpas aos policiais pelo transtorno que havia causado. No dia de seu julgamento alegou ter lido em “O Apanhador No Campo de Centeio” uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Recebeu a pena de  prisão perpétua e até hoje está encarcerado em uma cela individual, devido às ameaças de morte que recebeu. Por oito vezes, o criminoso teve pedido de liberdade condicional negado.

      O assassinato de Lennon ganhou uma versão Lego

      Após a morte de John foi criado um memorial chamado “Strawberry Fields Forever”. O monumento foi erguido no Central Park, em frente ao edifício Dakota, onde o músico viveu os últimos anos de sua vida.

      Enveredando pelos caminhos da música

      John Lennon nos tempos do The Quarrymen

      Aos 16 anos, em 1956, ganhou de Julia sua primeira guitarra. Com o amigo Pete Shotton, Lennon fundou a banda de skiffle (ritmo que fazia sucesso na Inglaterra na época) The Black Jacks, nome que durou por apenas uma semana e em seguida foi substituído por The Quarrymen. John cantava e tocava guitarra, Shotton tocava uma tábua de lavar roupas (esse instrumento era usado no skiffle para dar um som rítmico às canções) e o grupo ainda contava com Eric Griffths (violão), Bill Smith (baixo improvisado) e Rod Davis (banjo). Ainda naquele ano Paul McCartney, que a princípio era guitarrista, entrou para a banda.

      Entre 1957 e 1958, Lennon  começou a compor e o grupo passou por um processo de reformulação: Rod e Bill abandonam o barco e são substituídos por George Harrison e Stuart Sutcliffe (conhecido por Stu), respectivamente. Em 1960, o sexteto muda de nome cinco vezes. Stu sugeriu o nome The Beetles (os besouros). Mas após uma turnê  pela Escócia, surge a ideia de usarem o nome que marcaria a história da música: The Beatles.

      Um dos episódios mais marcantes desta época na vida de Lennon aconteceu quando a sua tia Mimi disse que ele não chegaria em lugar algum com uma guitarra na mão.

      O mundo conhece a Beatlemania

      Os quatro garotos de Liverpool, da esquerda para à direita: Paul, George, John e Ringo

      Em 1961, os Beatles fizeram o primeiro show no Cavern Club de Liverpool. Na mesma época Stu se casou e saiu da banda, fato este que fez McCartney assumir o posto de baixista. No final daquele ano, o grupo era um quarteto empresariado por Brian Epstein e formado por John Lennon (voz/guitarra), George Harrison (guitarra), Paul McCartney (baixo/voz) e Pete Best (bateria). Esta formação foi rejeitada pela gravadora Decca Records, mas em 1962 a companhia Parlophone Records contratou o grupo. Por sugestão de George Martin, o baterista Pete Best foi substituído por Ringo Starr, um sujeito narigudo, cheio de anéis e sempre sorridente. A partir deste momento a carreira do grupo decola e surge o fenômeno da “beatlemania”. Os ‘quatro rapazes de Liverpool’ viram referência no que diz respeito ao comportamento e atitude de uma legião imensa de fãs.

      No começo da carreira do grupo, John era responsável pela maioria das composições, mesmo elas sendo assinadas como dupla Lennon/McCartney. Por influência de Bob Dylan, Lennon começou a aprimorar-se como letrista e compôs canções de cunho mais pessoal como “I’m a Loser” e “You’ve Got To Hide Your Love Away”. Durante a segunda fase dos Beatles, John aprimorou ainda mais o talento de compositor. Entre suas composições estão “Lucy In The Sky With Diamond”, “Strawberry Fields Forever”, “A Day In The Life” e “Across the Universe”.

      Em meados da década de 60, a banda assumiu um visual mais psicodélico e despojado

      Em 1966, John Lennon polemizou a história da música pop ao afirmar que o cristianismo estava com os dias contados e os Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo. A declaração gerou revolta e milhares de fãs quebraram discos do quarteto. Posteriormente John se desculpou e desta forma apazigou a situação. Em junho de 1967, o quarteto lançou “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o disco que é apontado por muitos críticos como o mais importante da história do rock.

      Após a morte do empresário Brian Epstein, em 1967, John começou a perder a liderança da banda para Paul McCartney. A presença constante de Yoko Ono nos estúdios de gravação e a busca turbulenta por um novo empresário, serviram de trampolim para que o quarteto mergulhasse em um mar de conflitos internos. Durante as gravações o clima estava cada vez mais insustentável e em 1970, Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles.

      Carreira solo e atividades pacifistas

      John e Yoko durante manifestação pela paz

      A carreira solo de Lennon começou quando ele ainda fazia parte dos Beatles. Em 1968, John lançou em parceria com Yoko Ono o disco Two Virgins. O álbum apresentou canções de conteúdo experimental e gravações caseiras, mas ganhou destaque em razão do casal aparecer nu na foto da capa.

      Em 1969, John e Yoko lançaram os discos “Life With The Lions “ e “Wedding Album”. Na mesma época, protagonizaram uma série de eventos de cunho pacifista.  Em Amsterdan – capital da Holanda – realizaram  o primeiro  ”Bed-in for Peace”, uma conferência de imprensa em favor da paz, promovida em uma cama de hotel. A imprensa não reagiu com bons olhos ao ato e acabou por ridicularizá-lo. Ainda em 69, fizeram a segunda manifestação na cidade de Montreal, no Canadá. Em uma suíte de um hotel gravaram a música “Give Peace a Chance”, que se tornou um hino a favor da paz. No final daquele ano, John Lennon chocou os conservadores da sociedade inglesa ao devolver a MBE (Membro do Império Britânico) que havia recebido da rainha Elizabeth II. Na ocasião, ele alegou que esta atitude era uma maneira de protestar contra o envolvimento britânico na guerra do Biafra e contra o apoio dado aos Estados Unidos na guerra do Vietnã.

      O casal durante a realização de algum Bed In

      No final de 1970, após o fim oficial dos Beatles, John Lennon lançou o disco “John Lennon Plastic Ono Band”. Participaram do álbum os músicos  Ringo Starr, Billy Preston e Alan White, futuro membro do Yes. Nas letras das músicas, Lennon trata de temas mais pessoais como os traumas de infância e  descrença. Na canção “God” John diz que ’o sonho acabou’ em referência aos Beatles, e afirma não acreditar em mais nada a não ser em Yoko e em si próprio. No ano seguinte, foi lançado o disco Imagine. A faixa título fez muito sucesso e transformou-se em um hino mundial da paz. Neste álbum, John contou com a participação de George Harrison, que tocou guitarra na música “How do you sleep?”. O álbum foi produzido por Phill Spector em parceria com Yoko. O disco trazia canções polêmicas como “Woman is The Nigger of The World” e “Sunday Bloody Sunday”, que denunciavam o racismo e a violência policial.

      Em 1973, John lançou o álbum “Mind Games” que marca o iníco de sua separação de Yoko Ono. Além da música que empresta o nome para o disco, o destaque do trabalho vai para a foto da capa que apresenta Lennon andando na frente de uma montanha que tem o rosto de Yoko Ono. Esta simbologia indica que  John estava andando longe da influência da esposa.

      Em 1974, lançou neste ano o álbum “Walls And Bridges”. Alcançou sucesso com as canções “#9Dream” e “Whatever Gets You Thru The Night”, esta, com a participação de Elton John no piano e vocalização. No ano seguinte, John lançou o álbum “Rock and Roll”, que apresentava suas releituras para músicas que ouviu durante a adolescência. Conseguiu, mais uma vez, saborear o sucesso com a canção “Stand by Me”.

      Usar trajes militares era uma das maneiras do protesto pacífico de Lennon

      Após cinco anos de longe da mídia, em 1980, John Lennon voltou ao cenário com o álbum “Double Fantasy”. O repertório do disco foi dividido entre canções de Lennon e Yoko. Em “(Just Like)Starting Over”, John faz referências à sua volta ao meio musical. “Starting Over” e “Woman” atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso. Ainda fizeram sucesso “Watching the Wheels” e “Beautiful Boy”, sucesso que foi impulsionado pela morte de John Lennon. Alguns discos póstumos foram lançados, como “Milk and Honey”, que reuniu as canções não aproveitadas no disco “Double Fantasy”. Diversas coletâneas  foram lançadas após a morte do músico. Yoko Ono administra tudo o que se refere a John Lennon, inclusive questões inerentes aos direitos autorais sobre as músicas de sua carreira solo, vídeos e filmes.

      John Lennon, o mito

      Quase 35 anos se passaram desde que o rock perdeu John Lennon. O talento, a irreverência e a capacidade de liderança dele são atributos impagáveis. Estão imortalizadas em sua arte uma característica  capaz de denunciar uma sociedade traiçoeira, competitiva e sem muitas propostas sedutoras para o futuro. Neste sentido, conclui-se que a obra do cantor e compositor, assim como de sua banda, permanecerá como referência eterna no cenário do rock and roll.


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