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      50 anos de Paulo Ricardo, um verdadeiro ícone do rock nacional

      23 de setembro de 2012 9:00 Por Gustavo Morais

      No ano de 1962, o Brasil ainda não era orquestrado pela batuta de ferro dos maestros do regime militar. A seleção brasileira de futebol, até então bicampeã mundial, apresentava um perfil mais romântico e menos mercenário. Os Beatles e os Rolling Stones estavam começando suas gloriosas carreiras. Elvis Presley já era um mito e Rod Stewart, por sua vez, ainda era um coveiro aspirante a atleta. A música jovem brasileira vivenciava a geração em que o rock e a bossa nova transitavam em uma mesma via, produzindo letras que falavam de praia, paquera e assuntos ligados ao cotidiano. Bons tempos, não? E foi sob a beleza da primavera daquele ano, em 23 de setembro, no bairro carioca da Urca, que veio ao mundo Paulo Ricardo Oliveira Nery de Medeiros, que anos depois se tornou um dos nomes mais importantes do rock nacional.

      Apesar de ser um carioca da gema, Paulo Ricardo passou parte da infância e da adolescência nas cidades de Florianópolis e Brasília. Por um capricho do destino (ou não?!), o período em que morou na capital brasileira não coincidiu com o começo da “Turma da Colina”, que serviu de alicerce para o surgimento de bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Os Paralamas do Sucesso. Resta aos fãs de rock nacional o pensamento a respeito de “como seria a cena brasiliense com a presença de Paulo…”. No mínimo, aquele time de roqueiros teria mais um camisa 10 genial.

      Entre 1978 e 1982, Paulo cursou Jornalismo, morou em São Paulo e conheceu o tecladista Luiz Schiavon, com quem formou a banda Aura, que não teve muito êxito. Viveu em Londres e, durante esta temporada na Europa, bebeu nas fontes das tendências tecno pop, new wave, pós-punk e do pop/rock britânico. Com uma sagacidade que sempre lhe foi peculiar, o então jornalista aspirante a roqueiro voltou para o Brasil e trouxe na mala um caldeirão de referências sonoras – que eram sucesso na indústria fonográfica internacional – e trabalhou em cima do conceito daquele que viria a ser um das maiores nomes do rock nacional em todos os tempos, o RPM.

      Paulo Ricardo é dono de uma presença de palco incomum

      Já liderando o RPM, o baixista e vocalista Paulo Ricardo ocupou o posto de maior galã da música nacional. Durante os anos 80, época da explosão do rock no Brasil, oito em cada 10 meninas queriam namorá-lo. Além de tudo, os meninos queriam ser iguais a ele. De longe, seu reinado foi rivalizado somente por Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, e Avellar Love, do João Penca & Seus Miquinhos Amestrados. Até o surgimento daquele sujeito até então franzino, com nome de príncipe, cabelo diferente e voz rouca, o rock nacional vivia sob o paradigma do ‘roqueiro brasileiro tem cara de bandido’, sabiamente retratado na música “Ôrra Meu“, da não menos roqueira Rita Lee.

      Paulo Ricardo chega aos 50 anos com a consciência e com o refrigério emocional de que conseguiu driblar diversos problemas. O rock nacional brinda hoje o cinquentenário do mais voraz de seus militantes! Entre questões de ordem pessoal, uso de drogas e principalmente o rótulo de ‘cantor brega’ – que lhe foi imputado pela parte maldosa da imprensa durante um de seus voos solos -, este artista construiu uma brilhante carreira.

      Depois de sobreviver a todas as armadilhas do sucesso e da indústria cultural, ele pode simplesmente ser chamado de… Vencedor. Longa vida ao roqueiro da voz rouca, que continua por aí tocando os nossos corações e fazendo a revolução!