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      Cifra Club News

      “Dia Mundial do Rock”: comemore esta data conhecendo bandas latinas

      13 de julho de 2014 10:30 Por Andrea Martins e Gustavo Morais

      O rock da América Latina vai além de

      Chegou mais um “Dia Mundial do Rock”, data esta que é celebrada, com louvor, por milhares de roqueiros por todo mundo!

      Comemorar esta data fantástica relembrando “os maiores boatos do rock”, citando “os melhores discos de todos os tempos” ou recontando a “trajetória do rock and roll” é algo subjetivo, previsível e fácil de fazer-se. Partindo destas condições, o Cifra Club News decidiu assumir um posicionamento mais antropológico e apresentar ao amigo leitor algumas bandas da América Latina que fazem rock and roll.

      Inexplicavelmente, ainda existe uma barreira cultural que parece intransponível entre os idiomas português/espanhol. Infelizmente, há brasileiros que não concordam com a realidade de que somos latinos e por isso torcem o nariz para a música feita por nossos vizinhos. Invariavelmente, a música latina que chega ao mercado brasileiro é direcionada ao pop radiofônico. Por isso, somos acostumados apenas com o trabalho de nomes como Ricky Martin, Enrique Iglesias, Shakira, Juanes e tantos outros. O Rock in Rio já trouxe Maná e Santana, mas como são dois artistas mexicanos, não é prudente usá-los como parâmetro para o rock latino.

      É impossível citarmos todos os artistas que gostaríamos e que merecem menções em qualquer matéria sobre música, por isso, muita gente boa, de muito país latino-americano, ficou de fora.

      Feliz dia mundial do rock e boa leitura!

      Quem é?
      Os argentinos Gustavo Cerati (guitarra / voz), Zeta Bócio (baixo) e Charly Alberti (bateria) formaram, em 1982, na cidade de Buenos Aires, o trio Soda Stereo, um dos nomes de maior prestígio no cenário do pop rock latino-americano. O trio permaneceu na estrada por 15 anos ininterruptos, vendeu milhares de cópias de discos e conseguiu fazer sucesso em países da Europa e também nos Estados Unidos. Em 1997, problemas de relacionamento interno decretaram o fim das atividades do Soda Stereo.

      Como está atualmente?
      Após uma bem sucedida turnê de reunião, que durou entre 2007 e 2008, o Soda voltou a se separar e cada um dos integrantes seguiu com seus projetos. Zeta Bócio tem a ‘difícil missão’ de mergulhar nos bastidores de festivais de música mundo afora comandando o programa “Rock n’ Road”, exibido pelo canal de TV a cabo “Bio”. O batera Charly Alberti atualmente toca, com seu irmão mais novo, na banda MOLE. Já Gustavo Cerati é dono de uma bem sucedida carreira solo, mas sofreu um AVC após um show na Venezuela e está em estado de coma desde o dia 15 de maio de 2010.

      Para ouvir:
      O Soda Stereo é um ilustre desconhecido no Brasil. Mas a canção “De Musica Ligera“, a faixa mais emblemática do repertório deles, conseguiu sucesso no Brasil graças a versões abrasileiradas dos grupos Capital Inicial e Os Paralamas do Sucesso. A seguir, uma surreal versão do Soda diante de um estádio completamente lotado por uma multidão de roqueiros argentinos.


      Quem é?
      Nos idos de 1994, sob a influência dos Beatles e do Oasis, os uruguaios Emiliano Brancciari (voz / guitarra), Mateo Moreno (baixo) e Pablo Abdala (bateria) decidiram montar uma banda. Surgiu, então, o No Te Va Gustar. Porém, entre os anos de 1996 e 1997, o trio agregou influências calcadas no reggae, salsa e murga (ritmo típico uruguaio) às sonoridades do rock clássico e incorporou os músicos Gonzalo Castex (percussão), Martin Gíl (trompete), Denis Ramos (trompete), Mauricio Ortiz (sax tenor) e Marcel Curuchet (teclados) em sua formação. Com este time, a banda partiu para diversos festivais regionais e shows pelas faculdades do Uruguai. Em 1999, a banda lançou o seu disco de estreia, “Solo de Noche”, e desde então não parou mais de produzir. São seis álbuns lançados e três DVDs.

      Como está atualmente?
      O No te Va Gustar segue consolidando sua carreira pela América do Sul e pouco a pouco começa a alçar voos mais altos. Graças a alguns shows e intercâmbios musicais com as bandas Nenhum de Nós e Biquini Cavadão, gradativamente eles estão adentrando em solos brasileiros. Em 2011, foram indicados em duas categorias do “Grammy Latino”, mas não saíram vencedores. Para este ano, o grupo prepara um novo álbum e está com shows agendados em países como Chile, México e Estados Unidos.

      Para ouvir:
      A banda mescla diversas influências, latinas ou não, e produz um som coeso e detalhista. No palco, esbanjam carisma e identificação com o público. Se cantassem em português, inevitavelmente estariam entre as bandas favoritas do roqueiro brasileiro. Se for agraciado com a oportunidade de contar com um pouco de boa vontade dos grandes festivais, da mídia e da imprensa, o No Te Va Gustar pode cair nas graças do público.

      Quem é?
      Formado em 1990 por Andrea Echeverri (violão e vocais) e Héctor Buitrago (baixo), o duo colombiano Aterciopelados mescla rock e ritmos latinos tradicionais. Graças ao sucesso da música “Bolero Falaz“, em 1995, a dupla conseguiu dar ao rock da Colômbia uma projeção internacional. Em 2001, conquistaram o “Grammy Latino”, na categoria “Melhor Álbum de Rock”, com o quinto disco de estúdio, “Gozo Poderoso”. Três anos mais tarde, entraram em recesso devido à gravidez da vocalista, mas voltaram a se reunir em 2006, mesmo ano em que a revista Time os indicou como uma das melhores bandas de rock do mundo em todos os tempos.

      Como está atualmente?
      A gravidez de Andrea Echeverri a inspirou a gravar um disco solo, que levou seu nome. Paralelamente, Héctor Buitrago lançava o projeto independente Conector. Depois do fim do hiato, que durou dois anos, fizeram turnês pela Europa e América do Sul, participaram de festivais no Brasil e mergulharam ainda mais com questões políticas, sociais e ambientais, que sempre estiveram presentes em suas carreiras.Uma interessante aproximação com os mineiros da banda Patu Fu, ajuda os colombianos desbravarem os solos brasileiros. Atualmente, o duo deu mais uma pausa e mantém o foco nas respectivas carreiras individuais de cada integrante.

      Para ouvir:
      No ano passado, o duo dividiu o palco com Fernanda Takai, do Pato Fu, no festival “Soy Loco Por Ti America”, em Brasília. Cantando hits de ambas as bandas como “Tudo Vai Ficar Bem” e “A Eme O“, a proposta era a interação entre a cultura musical da Colômbia, do Brasil e de países vizinhos. Abaixo, a música de destaque é “Canción Protesta”, que em 2008 foi escolhida pela “ONG Anistia Internacional” pra ser o tema da “Campanha dos Direitos Humanos” daquele ano.

      Quem é?
      Pelos idos de 1994, nos corredores do colégio “Don Bosco La Cisterna”, em Santiago, no Chile, surgiu a banda Chancho En Piedra. Um quarteto formado pelos colegas Eduardo “Lalo” Ibeas (voz/teclados), Pablo “K-V-Zón” Ilabaca (guitarra/voz), Felipe “Felo” Ilabaca (baixo/voz) e Leonardo “Toño” Corvalán (bateria/percussão e voz) decidiu unir forças e formar um grupo cuja sonoridade fosse inspirada em bandas como Red Hot Chili Peppers e Living Colour, mas sem deixar de lado as referências da música chilena.
      Em 1995 lançaram o seu disco de estreia, “Peor Es Mascar Lauchas”, e desde então, a popularidade da banda e sua discografia cresceram de maneira exponecial. Já lançaram 10 álbuns, sendo que dois deles foram gravados ao vivo. O grande destaque vai para o álbum “Ríndanse Terrícolas”, que colocou seis músicas nas parads de sucessos chilenas.

      Como Está Atualmente?
      Em 1995 lançaram o seu disco de estreia, “Peor Es Mascar Lauchas”, e desde então, a popularidade da banda e sua discografia cresceram de maneira exponencial. Já lançaram 10 álbuns, sendo que dois deles foram gravados ao vivo. O grande destaque vai para o álbum “Ríndanse Terrícolas”, que colocou seis músicas nas paradas de sucessos chilenas. Desde 1998, o Chancho en Piedra possui contrato com a gravadora Sony Music.

      Para Ouvir:
      Em 2011, lançaram o disco “Otra Cosa Es Con Guitarra” , que é um trabalho revisionista gravado em homenagem a música chilena. Neste curioso álbum, o quarteto oferece releituras a músicas de artistas como Victor Jarra, Los Viking’s 5 e Los Jaivas. No começo dos trabalhos de gravação do CD, o grupo teve parte de seu equipamento roubada. Felizmente, conseguiram recuperar os apetrechos a tempo de concluírem o álbum. A seguir, o clipe de “Lago Tour“, um dos grandes sucessos da banda Sol y Lluvia, que por sinal, continua em atividade.

      Quem é?
      Da fusão entre uma banda cover dos Beatles e outra de rock pesado, surgiu em Lima, capital do Peru, no ano de 1998, a banda Libido. Inicialmente, o grupo era um quarteto formado por Salim Vera (voz/guitarra rítmica), Antonio Jáuregui (baixo), Manolo Hidalgo (guitarra) e Jeffry Fischman (bateria). O primeiro disco, que leva o nome da banda, conquistou o público peruano graças às influências de rock britânico e do movimento grunge. O trabalho atingiu níveis de venda inacreditáveis para uma gravação independente. Devido a esse sucesso, os roqueiros assinaram contrato com a “Sony Music Entertainment Perú”, que impulsionou a carreira internacional da Libido, rendendo dois prêmios da “MTV América Latina” e destaque em revistas como “Rolling Stone” e “Billboard”.

      Como está atualmente?
      Após gravar três discos de estúdio e um acústico ao vivo com a Libido, o baterista Jeffry Fischman deixou a banda, em 2004, e se lançou como produtor e compositor de outros artistas nos Estados Unidos. Iván Mindreau, o batera que o substituiu, tocou com a Libido até 2011, quando resolveu regressar a sua antiga banda, Los Dickens. O quarteto, incluindo o atual baterista, Wilder López, participou de um show privado para o “Terra Live Music”, em maio deste ano e, atualmente, trabalha no seu 10º álbum.

      Para Ouvir:
      O terceiro álbum de estúdio, “Pop*Porn”, recebeu “Disco de Platina”, pela venda de 50 mil cópias só no Peru. O rock preciso, aclamado pela crítica, rendeu à banda o título de “Personalidade do Ano”, no anuário de 2003 da edição peruana da revista “Rolling Stone”. A seguir, o clipe de “Frágil“, um dos singles do disco “Pop*Porn”.

      O rock and roll é uma linguagem universal e imortal

      O advento do movimento musical, e também cultural, denominado rock and roll ocorreu nos Estados Unidos, durante o período compreendido entre o fim da década de 1940 e começo dos anos 50. A construção definitiva da música rock pode ser explicada pela fusão promovida entre gêneros musicais afro-americanos e a música tradicional branca.

      O calendário da história chega ao século XXI e o gênero rock and roll mantém-se entre os mais importantes do universo da música. Apesar de sempre se reciclar, o estilo não parece revelar tendência de deixar de existir.
      Inúmeras mudanças, revoluções e evoluções aconteceram ao longo da trajetória do rock desde seu surgimento. O que não mudou, e tão pouco há indícios de que vá seguir outras tendências, é a maneira revolucionária, contestada e geniosa com a qual o rock and roll escreve a própria história, que começou há muito tempo… Continua até hoje… E só parece melhorar!

      Longa vida ao rock and roll!

      Republicação do post originalmente publicado no dia 13 de julho de 2012.