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      Saudades: 25 anos sem Cazuza, o poeta Exagerado do rock

      7 de julho de 2015 9:02 Por Gustavo Morais

      Os ventos do outono daquele 4 de abril de 1958 serviram de cenário para que viesse ao mundo uma criança que recebeu, em homenagem ao avô paterno, o nome de Agenor de Miranda Araújo Neto. Mas antes de nascer, no entanto, o garoto recebeu do pai o apelido pelo qual o Brasil inteiro o conheceu: Cazuza.

      O período que se estende entre a infância e adolescência de Caju – um dos codinomes de Cazuza – foi cercado por um bom ambiente familiar. Como era filho único, teve sobre si toda atenção e carinho dos pais. Boas escolas e incentivo nunca faltaram. Ele chegou a começar cursar Comunicação Social, mas abandonou as aulas em menos de um mês, pois, o que realmente desejava era viver intensamente.

      Cazuza tentou seguir diversas carreiras como fotógrafo, ator e divulgador musical de uma gravadora. Mas foi através do amigo Léo Jaime que Caju foi apresentado aos integrantes de um grupo de rock que ainda estava em formação.

      O ano era 1981 quando Cazuza (voz) se juntou a Guto Goffi (bateria), Dé (baixo), Maurício Barros (teclados) e Roberto Frejat (guitarra) e decretou então a formação original do Barão Vermelho. Durante quatro anos o quinteto permaneceu junto. O grupo lançou três discos, que serviram de suporte para obras que hoje são clássicos da música brasileira como, por exemplo, “Por que A Gente é Assim?”, “Todo Amor Que Houver Nesta Vida” e “Carne De Pescoço”.

      Veja fotos de Cazuza:

      Em julho de 1985, após várias brigas internas, Cazuza deixa o Barão e logo levanta o vôo da carreira solo. Pouco depois de sair do grupo, o artista descobriu ser soropositivo. Começou então a sua luta contra a doença degenerativa e a urgência em imortalizar sua arte. Em um período de cinco anos, o poeta lançou cinco álbuns e formou diversas parcerias musicais. Explorou sua versatilidade musical e gravou temas que vão do pop ao blues, passam pela bossa-nova e navegam pelo rock.

      Na manhã do dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos, Cazuza faleceu em razão das complicações decorrentes da AIDS. Uma das principais características de seu peculiar estilo de composição é a presença de uma poesia que denunciava uma sociedade traiçoeira, competitiva e de futuro duvidoso. De maneira póstuma, foram lançados três trabalhos, sendo que um deles é um registro que sintetiza as apresentações do Barão na primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 85, e alguns tributos.

      A seguir alguns dos melhores momentos da curta, porém intensa carreira do poeta que há 25 anos deixou a música brasileira órfã.

      Pro Dia Nascer Feliz
      Esta canção inicialmente fez sucesso graças a versão do cantor Ney Matogrosso, registrada no disco “…Pois É”, de 1983. Mas pouco tempo depois a versão do Barão ganhou as FM’s e vitrolas dos roqueiros da época e levou de uma vez por todas os holofotes para a dupla Frejat/Cazuza. “O Ney foi nossa fada madrinha”, dizia Cazuza sobre o fato de a música ter se tornado conhecida por meio da interpretação de Ney. Com esta canção o Barão encerrou a histórica apresentação na primeira edição do festival Rock In Rio, em janeiro de 1985.

      Bete Balanço
      Em 1984 o Barão foi convidado para escrever a música tema de um filme dirigido por Lael Rodrigues. Mais uma vez a dupla Frejat/Cazuza entra em ação e dá vida a canção que recebeu o mesmo nome que o longa: “Bete Balanço”. De quebra, os Barões participaram do filme que teve no elenco Débora Bloch, Lauro Corona, Diogo Vilela, entre outros.

      Exagerado
      Em 1985, após uma conturbada saída do Barão Vermelho, Cazuza lançou Exagerado, o seu primeiro trabalho solo. A faixa título do álbum tournou-se um cartão de visitas do artista e até hoje é tocada nas rádios e rodinhas de violão.

      O Nosso Amor a Gente Inventa (Uma Estória Romântica)
      O disco Só se For a Dois, lançado em 1987, apresenta um lado romântico assumido de Caju. Surgem novas parcerias musicais e as letras ganham um conteúdo mais maduro, isto é, Cazuza passa a escrever sobre temas que vão além do cenário da vida noturna do Rio de Janeiro.

      Brasil
      Munido com uma poesia ácida, Cazuza fez esta canção e vociferou contra as falcatruas que tomavam conta da nação no final dos anos 80. Passados tantos anos, o Brasil presente neste samba rock é o mesmo Brasil dos brasileiros: pobre, violento e repleto de governantes que são achacadores e gigolôs do povo.

      O Tempo Não Pára
      Inspirado no discurso apocalíptico de Bob Dylan, Cazuza escreveu, em parceria com Arnaldo Brandão, esta música que tornou-se hino de toda uma geração. A canção apresenta na letra a realidade de um povo que vive esmagado no terceiro mundo, onde há riquezas concentradas nas mãos de poucos e pobreza (principalmente financeira e intelectual) distribuída para uma grande maioria.