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      Resenha: Uma Adele fora da zona de conforto

      23 de novembro de 2015 8:10 Por Damy Coelho

      Não há o que discutir: 25 foi o álbum mais aguardado do ano, tanto pela crítica quanto pelo público. Tanta admiração foi minunciosamente construída ao longo dos anos, por uma cantora discreta, que não deixa a vida pessoal transpor sua arte. Adele cravou seu nome na indústria fonográfica com o álbum 19, lançado em 2008 e, de lá pra cá, vem colecionando fãs, críticas positivas e fortunas com seus álbuns, que sempre lideram as paradas.

      O primeiro clipe do novo álbum “Hello”, já estreou quebrando recordes de visualizações no YouTube – mais de um milhão em poucas horas e no iTunes – não apenas alcançou o primeiro lugar, mas fez com que os álbuns anteriores da cantora voltassem ao topo das paradas dos mais escutados, mesmo anos depois da data de lançamento.

      Tal fenômeno tem razão de ser: Adele é uma exímia compositora e consegue transpor os sentimentos de coração partido de uma maneira que não soa piegas, mas sincera e emocionante. Além disso, sua voz grave que atinge potências altíssimas é unanimidade quando se questiona qual a melhor voz da atualidade, no mundo pop. Como não deveria deixar de ser, o novíssimo álbum de Adele, 25, (lançado no último dia 20, pela gravadora XL) possui essas e outras características que já fazem dele um clássico para os fãs.

      A influência do R&B é latente no decorrer de todo o álbum e é uma surpresa extremamente positiva. Ouvir a voz de Adele mais intimista e macia, sem precisar apelar para notas sempre altas, faz pensar que a cantora deveria investir mais neste estilo de som. Destaque para a suingada “Send My Love To Your New Lover”.

      Ao passear pelas canções, percebemos que há um pouco de influência também do novo cenário pop. O álbum pode muito bem se aproximar da música feita por bandas como Florence and The Machine, Sia e até Beyoncé, por exemplo. Que fique claro, trata-se de uma “aproximação” – a veia inovadora de Adele não permite que a cantora seja comparada a nenhuma outra figura do pop atual.

      O que chama a atenção também é que Adele, aos poucos, vem deixando de lado a persona melancólica que conquistou o seu público. O fato de a cantora atualmente estar casada e ser mãe pode ter influenciado nessa mudança de personalidade. Em relação às composições, percebe-se um amadurecimento e pacificidade no modo como o eu-lírico entende a vida e seus problemas. Isso não quer dizer que a temática do coração perdido tenha se desmanchado de vez da obra da cantora – ela só adotou uma roupagem diferente para falar de um amor perdido. Uma visão (um pouco) mais tranquila e otimista, se compararmos com seus dois álbuns anteriores.

      A prova de que a melancolia não abandonou a personalidade criativa da cantora é a faixa “Remedy”. Aliás, ela representa essa personalidade muito melhor que a faixa “Hello”. Provavelmente, será um potencial single. Destaque também para “Million Years Ago”, faixa claramente inspirada nas divas dos anos 60 – um som bem parecido com aquele dos álbuns ‘19’ e ‘21’e, talvez, a única faixa além dos singles lançados que podem remeter aos trabalhos anteriores.
      O restante é inovação pura.

      Por fim, não espere um disco parecido com os singles que o divulgaram, “Hello” e “When We Were Young”. E isso, ao contrário do que muitos podem pensar, é estremamente positivo. As duas músicas, extremamente grandiosas (até demais) e que apelam para o sentimentalismo piegas não representam bem o álbum do qual elas vieram, que é muito mais rico em questão de estilo. Por incrível que pareça, os hits escolhidos para o álbum são os pontos fracos de 25. O mundo não precisa de mais músicas iguais da Adele.

      No mais, se nos desafiassem a resumir ‘25’ em três palavras, provavelmente seriam essa: inovador, inesperado e arriscado. Aliás, continue se arriscando, Adele. Sair da zona de conforto foi a coisa mais sábia que você fez nos últimos anos.