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      ‘Não me avisaram’,diz rapper angolano impedido de viajar para o Brasil

      25 de novembro de 2015 10:40 Por Damy Coelho

      MCK: ativismo censurado

      Um dos rappers mais importantes da Angola, MCK, foi impedido de viajar para o Brasil nesta terça-feira (24). O músico se apresentaria no o festival Terra do Rap, que acontece no Rio de Janeiro. Segundo o rapper, ele não foi avisado da interdição de seu passaporte.

      “Em nenhum momento me avisaram sobre meu passaporte. Estava no aeroporto, pronto para embarcar para o Brasil. A última vez que saí do país foi para me apresentar em Lisboa, há dois meses, e não tive nenhum problema”, afirmou MCK em entrevista para o jornal O Globo.

      Sobre o que pode ter ocorrido, o rapper aponta: “Deve ter sido por força da repercussão do show ou pelos acontecimentos que surgiram aqui a respeito das manifestações, das reivindicações públicas, dos quinze ativistas detidos. De um modo geral, os ativistas que estão em Angola são perseguidos politicamente”, afirmou.

      Segundo MCK , seu passaporte foi retido pela polícia angolana. As autoridades afirmaram que ele estava impedido de sair do país por “ordens superiores”. Em um comunicado publicado em sua página do Facebook logo após o ocorrido, MCK afirma que foi censurado por pensar diferente.

      Nesta quinta-feira, porém, MCK conseguiu uma liminar na justiça para viajar para fora da Angola e já embarcou para o Brasil. Segundo a organização do Terra do Rap, MCK deixou seu país nesta manhã. A Anistia Internacional já havia emitido uma nota em apoio ao rapper:

      “A vinda do MCK significa um recuo do regime, mas ainda é uma pequena vitória diante do que o Angola passa nessa Ditadura. Ele é um cara relevante na história da cultura hip hop e no rap lusófono, que é o tema central do nosso Terra do Rap”, disse Vinicius Terra, um dos criadores e curador do festival, em comunicado.

      Posicionamento de luta

      MCK é considerado a voz de uma geração na Angola. Além de rapper, é formado em Filosofia e Direito. Suas letras, em tom crítico, acusam a situação política de seu país, criticam a “longa permanência no poder de alguns dirigentes africanos” e apoiam uma melhor “distribuição da riqueza” na Angola, segundo o site angolano DW.

      Supõe-se que o principal motivo da interdição do passaporte do cantor seja o seu posicionamento em relação aos 17 jovens presos acusados de “rebelião” contra o estado. As autoridades da Angola ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

      Ativismo

      Luati Beirão/(Foto: Reprodução)


      O rapper angolano Luaty Beirão foi um dos jovens detidos por protestarem contra a política angolana. Ele afirmou que foi mantido detido além do tempo previsto nos casos de prisão preventiva, e iniciou uma greve de fome para chamar a atenção de outros países para o assunto. O protesto durou 36 dias e gerou comoção internacional. Luaty Beirão afirmou, em uma carta aberta, que não vai desistir de lutar. Na “Carta aos meus companheiros de prisão”, divulgada na íntegra pelo Rede Angola, o rapper afirma: “Não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros e todas as pessoas que manifestaram tanto amor e que me encheram o coração. Muito obrigado. Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio da mídia não pare.”

       

      Confira abaixo o rap de MCK, “O País do Pai Banana”