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      Cifra Club indica: bandas independentes que você precisa ouvir

      9 de maio de 2016 8:13 Por Damy Coelho

       

      Maglore/Divulgação

       

      A cena independente nacional é tão culturalmente variada e versátil que fica difícil – muito difícil – escolher apenas alguns nomes dentre as várias pérolas que temos por aqui. Selecionamos algumas bandas para apresentar ao público do Cifra Club bandas que transitam bem entre os mais diversos estilos, como o rock e a MPB, e que nem todos têm a chance de conhecer.

      A gente já sabe que a internet facilitou e muito o processo de divulgação das bandas, mas ainda não é fácil divulgar o trabalho em meio a vários outros também de qualidade – fora os percalços que são enfrentados diariamente por esses músicos: a falta de dinheiro para bancar um show, dificuldade em encontrar apoio para gravar discos – até diversificar o público parece uma tarefa complicada. São problemas que acontecem em toda a cena independente, seja a de São Paulo, de Belo Horizonte, do Rio, de Salvador e de outras cidades que procuramos abordar nesta matéria. Mas, apesar das adversidades, essas bandas seguem fazendo o seu trabalho com cada vez mais qualidade e vontade de viver de música.

      Ouça com gosto a nossa playlist (é só clicar aqui) com o melhor de cada banda e aproveite para pesquisar um pouco mais sobre cada uma delas. Afinal, a música independente brasileira merece ser celebrada.

      Jéf

       

      Nasceu no interior do Rio Grande do Sul, Jéferson de Souza, mas conhecido como Jéf, o cantor que uniu de forma simples o indie folk a letras verdadeiras, sinceras e com boas energias. Foi essa interseção que o levou a ter seu destaque no cenário musical.

      Além de publicitário, Jéf é compositor, escritor e músico. Porém, é a leveza e seu olhar poético que transmite a pureza de seus pensamentos e sentimentos em suas composições, que levaram alguns de seus fãs a cravarem na pele a sua poesia. Suas influências vão de Roberto Carlos e Los Hermanos a Regina Spektor, mostrando a variedade de estilos que permeia o trabalho do músico.

      Começou sua carreira no início de 2014 e participou do Breakout Brasil, do Canal Sony, que teve como intuito revelar nomes da música autoral contemporânea. Concorreu com mais de 6 mil artistas inscritos, e após apresentações avaliadas pelos jurados, Supla, Lucas Silveira e Bianca Jhordão, foi eleito o favorito do público no voto popular.

      O prêmio foi nada menos que um contrato assinado com a Sony Music. Foi a partir desse ponto que sua carreira decolou, logo veio o álbum intitulado Leve (2014), e lançou em 2015 o álbum Interior. As composições que ganharam destaque nas programações das rádios foram “Oi“, “Pra Colar” e “Leve“. Em 2015, o artista ganhou o prêmio Palco MP3, sendo o mais acessado do ano na categoria “Indie”. Para conhecer melhor o som de Jéf, confira seu perfil no site.

       

      Maglore

       

      Misture as influências de clássicos brasileiros da década de 70, como a Tropicália, junto à clássica MPB e o rock psicodélico e você terá uma pista do som original feito pela banda Maglore. Mas não se limite apenas a essas influências: a banda de Salvador vai muito além disso.

      O Maglore iniciou a carreira em 2009, com um EP chamado Cores do Vento. Desde então sofreu algumas alterações, principalmente em meio à turnê do segundo disco Vamos Pra Rua (2013), e a partir deste ponto, três passou a ser o número que iria definir a banda Maglore. Três instrumentos, sendo eles: guitarra, baixo e bateria; e três vozes, sendo elas de Teago, Rodrigo e Felipe.

      O intuito da banda é produzir músicas simples, diretas e concisas, e a partir desta vontade que Teago e Felipe compõem as letras. Possuem uma longa lista de participações em festivais, como: Festival de Verão, Conexão Vivo, Virada Cultural Paulista, Festival do Sol, Festival Vaca Amarela, Festival Tomarrock. Além disso, já foram nomeados em diversas listas de melhores do ano, especialmente com o último álbum, lançado em 2015.

      Após o lançamento de Veroz (2011) e de Vamos Pra Rua (2013), a banda está trabalhando bastante na divulgação e na realização de shows pelo maior número de cidades possíveis para que o público cante junto todas as composições de III (2015), que é um disco cheio de reflexões e sonoridades interessantíssimas. Recentemente eles se apresentaram no festival Lollapalooza, um dos mais importantes do mundo.

      Far From Alaska

       

      Far From Alaska é uma banda de Natal (RN) que vem se consolidando e crescendo ano após ano. Gostam de frisar que, se todas as pessoas interessadas em música autoral direcionassem um pouco mais de atenção às bandas, inclusive as de sua terra natal, iriam encontrar músicas de altíssima qualidade e personalidade.

      Tiveram início em 2012, quando Cris Botarelli (synth, lap steel e voz) e Emmily Barreto (voz) decidiram montar uma banda na qual Emmily sairia do posto de bateria e assumiria somente o vocal. E, com a aglutinação de Edu Filgueira (baixo), Rafael Brasil (guitarra) e Lauro Kirsch (bateria), teve início a formação da FFA.

      A banda foi campeã do concurso Som Pra Todos e, como prêmio, assinaram a distribuição do primeiro EP e abriram o Festival Planeta 2012. O Far From Alaska também tocou no Lollapalooza, outro grande festival que ajudou a banda a expandir o seu público.

      Uma curiosidade: o festival Planeta Terra acabou abrindo muitas portas para a banda: eles mostraram algumas músicas para ninguém menos que Shirley Manson, vocalista do Garbage, que também tocou na edição do evento. Shirley ficou tão impressionada com a música “Monochrome” que fez questão de divulgar a banda no perfil do Garbage no Facebook. Honra e tanto!

      O Far From Alaska tem um álbum cheio lançado em 2014, intitulado modeHuman. Atualmente, estão alçando novos voos e planeando tocar internacionalmente. A gente não tem dúvidas de que o sucesso será garantido por lá também.

      Vespas Mandarinas

       

      Com o lema “queremos tocar no seu rádio”, Vespas Mandarinas deixa declarado: “queremos que todos ouçam nossas músicas”. E quem foi em alguns dos festivais mais importantes do Brasil como: João Rock, Porão do Rock, Bananada e Lollapallooza já tiveram a oportunidade de ouvir a banda ao vivo.

      Além de capricharem nos efeitos sonoros, a banda composta por Chuck Hipolitho (ex Forgotten Boys), Thadeu Meneghini (ex Banzé), Flavio Guarnieri e Pindé (ex Sugar Kane) acham crucial a importância às letras; pois serão elas que farão conexão com as pessoas que os escutam. E é por este motivo que já fizeram parcerias poéticas com Adalberto Rabelo Filho, Bernardo Vilhena, Marcelo Yuka e Arnaldo Antunes.

      A banda nasceu em 2010, já lançando o EP Da Doo Ron Ron. Aí já estava claro que eles mostram  que na essência são uma banda de rock, mas que não dispensam a busca de referência em outros gêneros. Uma das recompensas de seus esforços em seus trabalhos e projetos foi visível logo na estreia de Animal Nacional, pois o álbum lançado em 2013 foi indicado ao Grammy Latino, e emplacou a faixa “Não Sei o Que Fazer Comigo“, levando a banda ter uma grande divulgação no cenário do rock brasileiro atual.

      Após rodar o país com seu show, lançar um DVD ao vivo e o compacto o o v o e n j a u l a d o, eles estão em estúdio preparando seu novo álbum, previsto para esse ano e já na lista dos mais aguardados.

      Teach Me Tiger

       

      Um power trio belo-horizontino que mistura o indie e o garage rock a um estilo eletrônico, que beira ao trip hop. Ou, explicando melhor: imagine uma banda que mistura influências que vão de The XX a Portishead, com uma vocalista de performance tímida, mas que dá conta de encher o palco quando se divide entre os vocais e efeitos nos sintetizadores. Essa é apenas uma maneira de definir a Teach Me Tiger – uma banda que está só começando, mas promete ser bastante comentada justamente pelo conjunto da obra.

      Formada originalmente pela paulistana Chris Martins e pelo belga Yannick Falisse, a banda atualmente conta com a presença de Victor Magalhães (eletronic drum) nos shows. A banda faz parte do selo La Femme Qui Roule desde 2013, quando lançou o EP homônimo. Atualmente, está em fase de mixagem do primeiro álbum cheio.

      Carne Doce

       

      Goiás tem uma veia rock’n'roll muito forte – ao contrário do que pensam aqueles que associam o estado apenas ao estilo sertanejo. Basta pensar na banda brasileira que vem alçando voos cada vez mais altos, tocando até em festivais internacionais: O Boogarins saiu de Goiânia e vem conquistando várias partes do mundo. Outras bandas-irmãs, que saíram da mesma cena de Goiânia e até compartilham dos mesmos integrantes, é o Luziluzia e a Carne Doce, esta que ganha aqui um destaque especial.

      A banda nasceu a partir da união do casal Salma Jô (vocalista) e Macloys Aquino (guitarrista) em 2009, quando passaram a viver e compor juntos. Em 2013 lançaram o EP de nome Dos Namorados, reunindo em 6 faixas com uma sonoridade crua, suja e sensual. Para acrescentar a formação inicial, a dupla virou banda: João Victor (guitarra e sintetizador), Ricardo Machado (bateria) e Anderson Maia (baixo) integram a formação.

      A partir daí lançaram o álbum Carne Doce (2014), que entrou em algumas listas de álbuns recomendados do ano. As composições são provocantes, falam de sexo de forma lúdica, política (de uma forma tão sutil que quase não se nota) além do amor do preconceito e das minúcias do cotidiano. A sonoridade é excêntrica, o vocal de Salma transita com facilidade entre graves, agudos, sussurros e uma grande potência, chegando a ser comparada com a cantora Elis Regina.

      A mistura das letras com os riffs de extrema qualidade se torna uma viagem sensorial, remetendo ao corpo, ao amor, à intimidade, à liberdade, ao toque, ao ciúme, à amizade e à modernidade. Em relação à sonoridade, espere uma mistura fina de MPB, rock psicodélico e indie rock. A banda está em fase de finalização do próximo álbum.

      Young Lights

       

      Quem acompanha a cena autoral de Belo Horizonte provavelmente viu de perto o crescimento da Young Lights. Criada originalmente por Jairo Horsth, brasileiro criado em Boston, nos Estados Unidos, a banda aos poucos foi tomando corpo com a entrada de mais integrantes. São eles: Vitor Ávila (guitarra), João Pesce (baixo), Gentil Nascimento (bateria) e Fernando Motta (guitarra), que recentemente fez seu último show com a banda.

      Alçando voos ainda mais altos em 2016, a banda de folk-indie-rock-alternativo (e coloque aí mais uma lista de gêneros – rotulá-la seria limitar um som tão autêntico e versátil) está em fase de pré-produção do novo disco: os integrantes estão gravando as novas músicas em uma casa, isolados e já têm parte do repertório formado. Aguarde um som ainda mais encorpado e cheio de boas referências, que vão de Bon Iver a The Tallest Man on Earth.

      Fique de olho em músicas como “Alaska, I Just Want To Be Home“, “Other Kids” (que cutuca a cena cover da cidade, que vem tomando espaço de bandas autorais), “Honestly” e “The Hand That Feeds“, uma linda música que Jairo dedica à sua mãe. De emocionar.

      Raça

      Um som sujo, bem-humorado e ao mesmo tempo sensual, inspirado nas bandas de garagem dos anos 90. Isso é pouco, mas pode ajudar a entender uma das bandas mais versáteis do cenário independente atual, a Raça.

      De São Paulo, a banda vem aos poucos conquistando públicos de outras capitais, principalmente com as turnês que andam fazendo. Formada em 2012, os integrantes já têm dois discos na bagagem: Deu Branco (2014) e Saboroso, este recém-lançado graças à vitória no concurso Converse Rubber Tracks, em que a banda disputou com vários outros músicos independentes pela chance de gravar um álbum cheio.

      Em relação ao novo álbum, ouça e se depare com letras que falam do cotidiano de forma direta e honesta, mas sem perder o bom humor. Fique atento também ao instrumental bem trabalhado. E salve essa banda na sua playlist definitivamente.

      Jonathan Tadeu

      Divulgaão/Flávio Charchar

      Ex-integrante de outra querida banda do cenário independente, a Quase Coadjuvante, Jonathan Tadeu procurou criar uma musicalidade ainda mais intimista em sua carreira solo. De voz suave e arranjos consistentes de guitarra (que remetem ao som de Cat Power e Elliot Smith), o seu trabalho vem, aos poucos, ganhando bastante espaço no meio cultural. Oriundo do projeto “Geração Perdida de Minas Gerais“, um coletivo de músicos e escritores que tem como objetivo divulgar um trabalho que vai de encontro aos produtos artísticos do estado, Jonathan ganha vários novos fãs a cada belo clipe lançado – que, aliás, são filmados e editados pelo próprio.

      Foi do primeiro disco, intitulado Casa Vazia que saíram as músicas mais pedidas pelo público nos shows, como “Começar de Novo“, “Mãe” e “Estorvo“. O trabalho celebra o post-rock e o sadcore – vale considerar que estes estilos musicais, inspirado em bandas dos anos 90 como Red House Painters, vêm ganhando cada vez mais bandas adeptas ao redor do Brasil.

      Jonathan acaba de lançar o seu segundo álbum, Queda Livre. Com letras que falam sobre o cotidiano e do amor de forma realista, o trabalho já vem sendo celebrado por jornalistas especializados e pelos fãs, que aguardavam ansiosamente o segundo disco. E não é para menos.

      Ventre

      Os cariocas têm até pouco tempo de carreira – a banda foi formada em 2012 – mas Gabriel Ventura (guitarra/vocal), Hugo Noguchi (baixo) e Larissa Conforto (bateria) passaram dois anos em processo criativo intenso.

      Isso foi essencial para que eles chegassem em 2014 com um consistente álbum de estreia. O disco homônimo rapidamente ganhou a crítica independente, entrando em várias listas de melhores do ano, graças especialmente ao som homogêneo e completo da banda: isoladamente, cada integrante se destaca por tocar muito bem cada um de seus instrumentos. Juntos, formam um power trio poderoso – a apresentação deles ao vivo é grandiosa e visceral.

      O curioso nome foi sugestão de um amigo: “O Pedrosa foi a um ensaio no nosso estúdio, assistiu tudo calado, até que ele sugeriu: ‘Tinha que ser Ventre. É visceral e delicado, forte e bonito.’ Ficou!”, explica Larissa. Com um som inspirado em misturas de Jimmy Hendix, Jeff Buckley e até Gonzaguinha, as guitarras altas e com vários efeitos se misturam às letras confessionais, que falam da devoção a uma musa inspiradora. Atualmente, a banda segue em turnê de divulgação do disco homônimo. Destaque para as músicas “Carnaval” e “Peso do Corpo”. Não deixe de ouvir.