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      35 anos sem Bob Marley; saiba mais sobre o Rei do Reggae!

      11 de maio de 2016 15:40 Por Gustavo Morais

      Vida, casamento e morte

      No palco, Marley estabelecia a conexão entre música e espiritualidade rasta

      A partir do relacionamento entre Cedella Booker, uma jamaicana de 18 anos e Norval Sinclair Marley, capitão do exército inglês e 32 anos mais velho que Cedella, veio ao mundo Robert Nesta Marley, que mais tarde seria mundialmente conhecido como Bob Marley. O garoto nasceu no dia 6 fevereiro de 1945, na vila Nine Mille, interior da Jamaica.

      Apesar de não desamparar a esposa e o filho financeiramente, o capitão foi um pai ausente, pois, viajava constantemente prestando serviços à corte britânica. Em 1955, com a morte de Norval, não restaram muitas alternativas e muito menos recursos financeiros suficientes para Bob Marley e sua mãe seguirem em frente. Diante desta situação acabaram mudando para Trenchtown, uma favela localizada em Kingston. Como era mestiço e de baixa estatura (1,63m), Bob sofria bullying por parte dos moradores locais. Tal adversidade tornou a personalidade de Marley forte e, inevitavelmente, colaborou para que ele desenvolvesse um certo teor crítico, diretamente percebido em suas canções.

      O ambiente familiar construído pelo cantor foi um bastante movimentado. Ele teve um relacionamento com Cindy Breakspeare, uma modelo canadense, radicada na Jamaica, que chegou a conquistar o título de “Miss Mundo”. Mas foi com Rita Anderson que Marley teve seu casamento mais sólido. Trocaram alianças em 1966 e tiveram quatro dos 12 filhos da prole de Bob. Dos herdeiros do “Rei do Reggae” somente Ziggy, Damian, Stephan e Ky-Mani seguiram os passos artísticos do pai.

      Bob trajando as cores da bandeira da Jamaica, país que tanto amava

      Marley era um artista politizado, espiritualizado e também controverso. Por influência de Rita, se tornou adepto da religião Rastafari.

      Suas músicas e ações revelam que ele era uma espécie de “missionário rasta”, ajudando a promover de forma global os fundamentos da religião. Mas antes de falecer, ele se converteu ao Cristianismo. Foi batizado na “Igreja Ortodoxa da Etiópia” e recebeu o nome de Berhane Selassie. Nunca escondeu ser defensor do uso da maconha, inclusive, em 1975, foi preso na Inglaterra após ser flagrado portando um cigarro da erva.

      No mês de julho de 1977, Bob descobriu uma ferida no dedão de seu pé direito. Na ocasião, ele pensou que era algum leve ferimento sofrido durante uma partida de futebol, esporte que tanto gostava de praticar. Porém, a ferida não cicatrizou e sua unha caiu.

      Ao procurar ajuda médica para resolver a situação, Marley recebeu o diagnóstico de que sofria de uma espécie de câncer de pele, chamado Melanoma Maligno. A doença se desenvolveu sob sua unha. A junta médica recomendou amputação do dedo, mas o músico rejeitou tal procedimento em razão dos princípios rastafaris que diziam, ‘que os médicos são homens que enganam os ingênuos, fingindo ter o poder de curar’.

      Outra preocupação do artista era a possível sequela que a ausência de um dedo poderia deixar em seu jeito de dançar. Diante do posicionamento de Marley, os médicos decidiram então por uma cirurgia para tentar remover as células cancerígenas.

      A doença foi mantida em segredo do grande público e a operação não surtiu o efeitos necessários e desejados. O câncer espalhou-se para o cérebro, pulmão e estômago. No verão de 1980, durante uma corrida no Central Park, em Nova Iorque, Bob desmaiou. Havia uma grande turnê agendada no Estados Unidos, mas a doença impediu que os shows fossem realizados. Marley decidiu mais uma vez procurar ajuda, e seguiu para a Alemanha com a intenção de tratar-se com o especialista Josef Issels.

      O tratamento durou vários meses, mas os resultados não foram os esperados. Coube ao artista cumprir seu desejo de passar os seus últimos dias em sua terra natal. Mas a doença se agravou durante o voo de volta da Alemanha e ele teve de ser internado em Miami, onde ficou sob cuidados médicos.

      No dia 11 de maio de 1981, em um dos leitos do hospital “Cedars of Lebanon”, foi constatada a morte de Bob Marley. Ele não resistiu às complicações degenerativas do câncer e faleceu aos 36 anos. Seu funeral foi realizado na Jamaica e combinou práticas da Igreja Ortodoxa da Etiópia e do Rastafarianismo. Seu corpo, junto de sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha, foi sepultado em uma capela perto de sua cidade natal.

      Surfando nas boas vibe do reggae

      Bob Marley junto aos seus companheiros de The Wailers

      A infância e adolescência de Bob Marley foram épocas embaladas ao som da música negra estadunidense. Artistas como Ray Charles, Fats Domino e Curtis Mayfield estavam entre os preferidos dele. Mas com o amigo Bunny Wailer (também conhecido sob a alcunha de Bunny Livingstone), Marley começou a ouvir e observar atentamente o potencial vocal do grupo The Drifters, que naqueles tempos era muito popular na Jamaica.

      Em 1962, Bunny e Bob unem forças à Peter Tosh, Junior Braithwaire, Berverly Kelso e Cherry Smith para formarem a banda The Wailers. A sonoridade do início tinha referências no ska e no rocksteady, um típico ritmo jamaicano. Mas aos poucos o grupo aderiu e ajudou a definir o que viria a ser o reggae.

      No período compreendido entre 1965 e 1974, a banda lançou oito discos de estúdio. Mas foi em 1973 que conseguiram fazer sucesso junto ao grande público com o disco “Catch a Fire“, o primeiro a ser lançado por uma grande gravadora, impulsionado pelo hit “Stir it Up“. Naquele mesmo ano o sexteto colocou outro trabalho na praça, “Burnin” e adicionaram mais duas canções nas prateleiras dos clássicos do reggae: “I Shot The Sherif” e “Get Up, Stand Up“.

      Da esquerda para a direita: Bob Marley, Mick Jagger e Peter Tosh

      A partir de 1974, a figura de Bob definitivamente se torna emblemática e o grupo passa a se chamar Bob Marley & The Wailers. É nesta fase que surgem canções como, “No Woman No Cry” (do disco “Natty Dread”, de 74), “Three Little Birds” (do disco “Exodus,” de 77) e “Is This Love” (do disco “Kaya”, de 78). Lançaram sete trabalhos, sendo que um deles, “Confronation”, chegou ao mercado em 1983, de maneira póstuma.

      Além dos trabalhos produzidos em estúdio, a discografia de Bob Marley contabiliza quatro obras gravadas ao vivo. “Live” e “Babylon by Bus” foram lançados em 1975 e 1978, respectivamente. Já “Talkin’ Blues” e “Live at The Roxy”, foram lançados anos após a morte de Marley. Sendo que este foi gravado em 1976 e comercializado em 2003 e aquele data de 1973, mas só foi parar nas lojas em 1991.

      Morre o homem e surge o mito

      O legado de Bob Marley vem ganhando mais força desde seu falecimento. Ele possui uma imensa popularidade mundo afora, sobretudo na África e na América Latina. Há quem afirme que cabe ao “Rei do Reggae” a condição de “Primeiro popstar do Terceiro Mundo”.

      Bob Marley deixou como legado a sua arte imortalizada

      A paixão e fidelidade dos fãs de Bob deram a ele uma condição olimpiana, similar ao patamar de devoção em que estão o ex-beatle John Lennon e Elvis Presley. Os posicionamentos ideológicos imortalizados em suas canções continuam a chamar atenção de novas gerações e seus discos sempre atingem boas vendagens.

      Em 2001, duas décadas após sua morte, o artista foi condecorado com uma estrela na “Calçada da Fama de Hollywood”. Ainda naquela época, o conjunto de sua obra recebeu um prêmio Grammy. A arte de Marley conquistou o respeito de grandes estrelas da música. Artistas do naipe de Mick Jagger, Eric Clapton, Santana e Bono Vox nunca esconderam admiração que nutrem pelo músico.

      Uma personalidade artística como Bob Marley faz parte do grupo daqueles que nunca serão esquecidos, sempre serão amados e jamais serão totalmente compreendidos.

      Assista abaixo um dos grandes momentos da história da música:

       

      Vida, casamento e morte

      A partir do relacionamento entre Cedella Booker, uma jamaicana de 18 anos e Norval Sinclair Marley, capitão do exército inglês e 32 anos mais velho que Cedella, veio ao mundo Robert Nesta Marley, que mais tarde seria mundialmente conhecido como Bob Marley. O garoto nasceu no dia 6 fevereiro de 1945, na vila Nine Mille, interior da Jamaica.

      Apesar de não desamparar a esposa e o filho financeiramente, o capitão foi um pai ausente, pois, viajava constantemente prestando serviços à corte britânica. Em 1955, com a morte de Norval, não restou muitas alternativas e muito menos recursos financeiros suficientes para Bob Marley e sua mãe seguirem em frente. Diante desta situação acabaram mudando para Trenchtown, uma favela localizada em Kingston. Como era mestiço e de baixa estatura (1,63m), Bob sofria bullying por parte dos moradores locais. Tal adversidade tornou a personalidade de Marley forte e, inevitavelmente, colaborou para que ele desenvolvesse um certo teor crítico, diretamente percebido em suas canções.

      O ambiente familiar construído pelo cantor foi um bastante movimentado. Ele teve um relacionamento com Cindy Breakspeare, uma modelo canadense, radicada na Jamaica, que chegou a conquistar o título de “Miss Mundo”. Mas foi com Rita Anderson que Marley teve seu casamento mais sólido. Trocaram alianças em 1966 e tiveram quatro dos 12 filhos da prole de Bob. Dos herdeiros do “Rei do Reggae” somente Ziggy, Damian, Stephan e Ky-Mani seguiram os passos artísticos do pai.

      Marley era um artista politizado, espiritualizado e também controverso. Por influência de Rita, se tornou adepto da religião Rastafari. Suas músicas e ações revelam que ele era uma espécie de “missionário rasta”, ajudando a promover de forma global os fundamentos da religião. Mas antes de falecer, ele se converteu ao Cristianismo. Foi batizado na “Igreja Ortodoxa da Etiópia” e recebeu o nome de Berhane Selassie. Nunca escondeu ser defensor do uso da maconha, inclusive, em 1975, foi preso na Inglaterra após ser flagrado portando um cigarro da erva.

      No mês de julho de 1977, Bob descobriu uma ferida no dedão de seu pé direito. Na ocasião, ele pensou que era algum leve ferimento sofrido durante uma partida de futebol, esporte que tanto gostava de praticar. Porém, a ferida não cicatrizou e sua unha caiu. Ao procurar ajuda médica para resolver a situação, Marley recebeu o diagnóstico de que sofria de uma espécie de câncer de pele, chamado “Melanoma Maligno”. A doença se desenvolveu sob sua unha. A junta médica recomendou amputação do dedo, mas o músico rejeitou tal procedimento em razão dos princípios rastafaris que diziam, ’que os médicos são homens que enganam os ingênuos, fingindo ter o poder de curar’. Outra preocupação do artista era a possível sequela que a ausência de um dedo poderia deixar em seu jeito de dançar. Diante do posicionamento de Marley, os médicos decidiram então por uma cirurgia para tentar remover as células cancerígenas.

      A doença foi mantida em segredo do grande público e a operação não surtiu o efeitos necessários e desejados. O câncer espalhou-se para o cérebro, pulmão e estômago. No verão de 1980, durante uma corrida no Central Park, em Nova Iorque, Bob desmaiou. Havia uma grande turnê agendada no Estados Unidos, mas a doença impediu que os shows fossem realizados. Marley decidiu mais uma vez procurar ajuda, e seguiu para a Alemanha com a intenção de tratar-se com o especialista Josef Issels. O tratamento durou vários meses, mas os resultados não foram os esperados. Coube ao artista cumprir seu desejo de passar os seus últimos dias em sua terra natal. Mas a doença se agravou durante o voo de volta da Alemanha e ele teve de ser internado em Miami, onde ficou sob cuidados médicos.

      No dia 11 de maio de 1981, em um dos leitos do hospital “Cedars of Lebanon”, foi constatada a morte de Bob Marley. Ele não resistiu às complicações degenerativas do câncer e faleceu aos 36 anos. Seu funeral foi realizado na Jamaica e combinou práticas da Igreja Ortodoxa da Etiópia e do Rastafarianismo. Seu corpo, junto de sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha, foi sepultado em uma capela perto de sua cidade natal.