Notificações Amigos pendentes

      Cifra Club News

      Especial Dia do Rock: os anos 70

      7 de julho de 2016 9:44 Por Gustavo Morais

      A década de 1970 foi uma via de mão dupla. O período foi cenário de crises para uns, ascensões para outros e um caleidoscópio geral. Foi a era do “milagre econômico” no Brasil, das invenções que mudariam o mundo para sempre e do fim do sonho dos quatro garotos de Liverpool.

      A vitoriosa seleção brasileira de 70: o único "milagre" que deu certo

      Empurrada pela cântico “90 milhões em ação”, em 1970, a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato da Copa do Mundo. Guardadas as devidas proporções, o título aliviou um pouco as aflições de um povo que vivia o período mais radical da ditadura militar. Todo e qualquer opositor ao regime pagava o preço por sua escolha e enfrentava exílio, censura,  prisão e até mesmo a morte. E foram durante esses anos de chumbo que o rock de gente como Odair José e os tropicalistas viu a liberdade de expressão ser sucateada. Durante um período de exílio, em Londres, Gilberto Gil e Caetano Veloso beberam diretamente da fonte do rock inglês e posteriormente lançaram trabalhos como “Araçá Azul” e “Expresso 2222”.

      O Brasil no entanto, não era o único país da América Latina que amagava anos de chumbo. Na Bolívia, em 1971, o general Hugo Banzer derrubou o governo de Juan José Torres. Dois anos depois, o general Augusto Pinochet derrubou o governo de Salvador Allende e instalou uma ditadura militar no Chile. Em 1976, Uruguai e Argentina também entraram na esteira ditatorial e mergulharam em períodos de instabilidade econômica, social e política.

      Em 1975, os Estados Unidos saíram derrotados da Guerra do Vietnã e colocaram fim em um dos conflitos militares mais sangrentos do século XX. Um ano depois, Margareth Thatcher tornou-se, em 1976, a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira Ministra Britânica da história.

      Ao longo dos 6 primeiros anos da década, a tecnologia proporcionou a invenção do primeiro microprocessador do mundo, o Intel 4004; e do o primeiro videogame, o Odyssey 100. A missão espacial Viking I explorou o planeta Marte; e foi fundada a empresa Apple, gigante da computação ao longo das décadas seguintes. Mais para o fim dos anos 70, a televisão em cores começou a ser artigo popular.

      Odyssey-100

      Os anos 70 marcaram o período mais caleidoscópico do rock. Diversas vertentes surgiram e coexistiram fazendo sucesso e conquistando respeito do público e da crítica. Foi a era de ouro do rock progressivo, do glam rock, do punk rock e do soft rock. Bandas como Kiss, Deep Purple, Slade, Alice Cooper, Black Sabbath, Queen, Aerosmith, Sex Pistols, Ramones, Pink Floyd, Yes, Genesis, Lynyrd Skynyrd, entre um sem-número de nomes dividiam as paradas de sucesso com a turma da disco music e da música pop. Estilos como o AOR e hard rock engatinhavam seus passos rumo ao estrelato conquistado na década seguinte. Mais do que nunca, o tripé “sexo, drogas e rock and roll” era levado a sério e muitos artistas caíram no canto da sereia das drogas pesadas. O vício abortou carreira de nomes como Jimi Hendrix, Sid Vicious, Janis Joplin, Jim Morrison, Syd Barret, entre outros.

      No rock brasileiro, a Jovem Guarda já não mais existia e a tendência era seguir um caminho marginal – fora dos padrões radiofônicos. Apesar desse direcionamento, nomes como Os Mutantes e Tutti-Frutti colhiam os frutos comerciais plantados por seus integrantes no final dos anos 60. Por sua vez, Roberto Carlos já não fazia rock e experimentou pitadas de soul e assumiu um posicionamento mais romântico. No começo dos anos 70 a meteórica carreira dos Secos & Molhados encantou o cenário do rock nacional e deixou uma saudade que persiste até os dias atuais.

      Secos & Molhados

      O roqueiro brasileiro ainda bebia nas fontes da contracultura da década anterior, pregando um ideal existencialista, alternativo e evangelizando uma nova forma de viver. E foi nessa atmosfera hippie que surgiram nomes como Módulo 1000, Moto Perpétuo, Vímana, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, entre outros. Havia também bandas que faziam um som mais pesado e cru como, por exemplo, Made In Brazil, Joelho de Porco, Casa das Máquinas e Arnaldo Baptista & Patrulha Do Espaço.

      Como o Brasil tem extensão territorial continental, naturalmente foram pipocando roqueiros de todas as partes do país. Em Minas Gerais, sob a liderança de Milton Nascimento e Lô Borges, o Clube da Esquina magistralmente aplicou doses de brasilidades no som dos Beatles. Puxada pelo virtuosismo d’Os Novos Baianos, a chamada “Invasão Nordestina” apresentou ao país nomes como Fagner, Zé Ramalho e Belchior, que mesclavam a música nordestina com rock. Outro nordestino que ajudou a colocar o rock em evidência nos anos 70 foi Raul Seixas, o baiano que acabou virando porta-voz de toda uma geração. A viagem racional de Tim Maia e o experimentalismo psicodélico de Zé Ramalho e Lula Cortês, no disco Paêbirú, ajudaram a dar os primeiros passos do que viria a ser a música independente, isto é, trabalhos lançados sem qualquer respaldo das gravadoras. Do sul, bandas como Taranatiriça, Blindagem e o duo Almôndegas mostravam a sua força, mesmo que de maneira regional.

      Com a morte de Elvis Presley em 16 de agosto de 1977, o panteão de ícones do rock mortos ficou ainda maior. Para os mais céticos, os vários óbitos e as inúmeras carreiras comprometidas com os vícios poderia trazer consequências irreversíveis para o rock and roll. Com a chegada de uma nova década, o rock mostrou que é teimoso o suficiente para se recusar a morrer.

      Saiba mais sobre a história do rock na nossa linha do tempo!