Notificações Amigos pendentes

      Cifra Club News

      Especial Dia do Rock: os anos 2000

      7 de julho de 2016 9:36 Por Damy Coelho

      Passado o temor do Bug do Milênio, os anos 2000 reinventaram o comportamento da sociedade graças aos avanços na tecnologia de computação

      Quando todo mundo pensava que o rock já não tinha mais para onde se reinventar, vieram os anos 2000. E junto com uma nova década (e um novo milênio, vale considerar), vieram também novas bandas que fincaram o pé na história do rock’n’roll para sempre. Se pudermos fazer um balanço do rock desse período, com certeza a característica mais marcante é a mistura de vários estilos musicais em um só, muito possibilitada pelo advento da globalização e da internet, que diminuiu distâncias e fez com que várias culturas diferentes entrassem em fusão.

      As rádios brasileiras se dividiam entre o pop de nomes como Kelly Key e Sandy & Junior, e também davam abertura para o funk feito nos morros cariocas. Muitas das músicas mais tocadas no país pertenciam ao movimento “Furacão 2000”. Mas isso não quer dizer que não havia espaço para o rock.

      Quem não se lembra da febre que foi o Linkin Park, que misturou o tal “new metal” – estilo que bombou nos primeiros anos da década – ao rap e até à música eletrônica? E o Green Day, que fez muito sucesso com sua ópera rock “American Idiot”, ideia claramente influenciada pelo The Who? Não dá pra não citar também a Avril Lavigne, que foi de encontro à febre das cantoras pop da época e influenciou várias meninas com o seu estilo inspirado no skate e com suas baladinhas pop-rock.

      Avril veio para quebrar a hegemonia do pop de Britney: de repente, as garotas se dividiam entre quem usava gravata, skate e All Star e quem usava cintura baixa e pierging no umbigo.

      O mundo também se rendeu a uma banda nova, o The Strokes: eles lançaram um aclamadíssimo álbum de estreia, que muitos críticos chamaram de “a salvação do rock”. Os estadunidenses influenciaram um monte de gente, inclusive quatro jovens ingleses que, fãs confessos dos Strokes, resolveram apostar na sua pequena banda independente, vendendo cópias do EP que os próprios faziam em casa: a tal banda hoje é uma das maiores do rock e atende pelo nome de Arctic Monkeys.

      O Arctic Monkeys é um bom exemplo de como as bandas produziam seus próprios trabalhos nessa década. O jeito independente de fazer música, aliás, nasceu nos anos 80 mas teve o seu apogeu nos anos 2000: a popularização da internet possibilitou com que várias bandas saíssem da garagem e seguissem uma carreira consolidada. A dependência de uma gravadora para lançar um disco não era mais realidade e várias bandas lançavam suas músicas online, no bom e velho do it yourself. Valia tudo para divulgar o seu som: My Space, BandCamp e um site novo, um tal de YouTube, ajudaram vários artistas a se popularizarem no mundo todo – e ajudaram o público também, que não precisava mais ficar ligado no rádio ou na TV para ouvir a sua música favorita. Estava tudo ali, ao alcance de um clique, para saciar a nossa vontade.

      MySpace: todo mundo adicionava o Tom

      Sem precisar da intermediação de rádio ou programas de TV, muitas bandas despontaram nessa época. Muitas mesmo. Esse fenômeno fez com que o emocore também se difundisse – bandas alternativas dos EUA, sem uma grande notoriedade da grande mídia, viraram ícones aqui no Brasil. O Simple Plan e o My Chemical Romance vieram dessa realidade e depois também viraram grandes por aqui, com músicas tocando a todo tempo nas rádios e na MTV.

      Falando em televisão, o processo nessa época se inverteu: a TV se pautava naquilo que a molecada estava ouvindo na internet e não o contrário. Era o público quem ditava qual seria a banda queridinha do momento, em muitas vezes. Esse processo foi uma vitória, mas acabou aniquilando a antiga indústria cultural: a MTV Brasil, por exemplo, encerraria suas atividades pouco depois do fim dos anos 2000. Muitas lojas de discos fecharam as portas – o download de músicas tornava desnecessária a compra de um CD físico.

      Por outro lado, quem soube se reinventar com as condições do novo milênio se deu muito bem. O modelo tradicional de rádio foi para a web e ganhou um novo e interessante formato, o de podcasts: até hoje, uma indústria que vem crescendo exponencialmente e possibilitando a divulgação do trabalho de vários novos artistas independentes.

      Voltando a falar dele, o emocore  estadunidense do fim da década de 90 e início dos anos 2000 também influenciou várias bandas. Nomes como Nx Zero e Fresno saíram das pequenas casas de show de música autoral/independente e de redes sociais como o My Space e viraram até trilha sonora de novela. Mas talvez isso tudo só tenha sido possível graças à popularização de outras bandas que também eram fortes no cenário alternativo, como o  Charlie Brown Jr. (que já era uma grande banda nos anos 90) e posteriormente o CPM 22 e o Dead Fish, algumas das bandas que abriram espaço para o hardcore e suas vertentes se tornarem tão populares a ponto de tocarem até no “Domingão do Faustão”.

      Mas nem tudo são flores nos anos 2000: logo no início da década, os atentados de 11 de setembro mudariam para sempre o rumo da história mundial. Muita gente temia uma terceira guerra e isso aconteceu de fato, mesmo que em menores proporções: os Estados Unidos enviaram tropas para o Afeganistão e muitos artistas discordavam dessa política de conflitos. Como uma “quase premonição”, o Rage Against The Machine lançaria apenas um ano antes o clipe de “Justify”, que foi um verdadeiro chute na porta ao criticar abertamente George W. Bush, então candidato à presidência dos EUA – nome que, posteriormente, seria central no conflito que se iniciaria no Afeganistão.

      Iniciava aí um movimento que clamava pela paz entre os povos, semelhante ao que aconteceu nos anos 60, no período de “paz e amor”, ou nos anos 80, com o Live Aid.

      O mundo da música também se beneficiou com essa tendência pacificadora: foi ela que inspirou Bruce Springsteen a se reunir com a The E Street Band, para lançar em 2002 o álbum “The Rising”, totalmente inspirado no atentado às Torres Gêmeas. Emblemático, o disco trazia 11 canções (assim como a data do ataque) e fez o mundo refletir sobre as frágeis relações humanas e a necessidade de união entre os povos. Eram temas que o novo milênio tinha (e tem) urgência em discutir. Bem-vindos ao século XXI!

       

      Saiba mais sobre a história do rock na nossa linha do tempo!