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      Blink 182 e Red Hot mantêm o rock vivo nas paradas atuais

      19 de julho de 2016 11:16 Por Damy Coelho

      Os defensores da teoria de que o rock “já era” não devem ter acompanhado as paradas musicais dos últimos dias. Dominadas por artistas como Adele, Taylor Swift e Justin Bieber, com poucos nomes do rap e hip hop aparecendo aqui e ali, encontramos duas bandas já há muito consagradas assumindo posições de destaque nas listas neste mês: blink-182 e Red Hot Chili Peppers. Isso prova que as duas bandas reinam sozinhas ao representaram o movimento nas atuais listas de mais vendidos.

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      Há muito tempo o rock não assumia o topo das paradas e a banda capaz de desbancar nomes fortes da indústria fonográfica atual foi justamente o Blink 182, que acabou com o reinado de 9 semanas de Drake, e assumiu o topo das paradas na Billboard e no iTunes com o recém-lançado California.

      A notícia pegou muitos de surpresa, já que o Blink viveu o seu auge há mais de dez anos – para completar, o queridinho Tom DeLonge largou a banda para se dedicar à ufologia (sim). Mas parece que Matt Skibba é um nome de peso para substituir um membro tão carismático e a nova fórmula (novo integrante, mas músicas que remetem aos tempos áureos da banda) vem agradando aos fãs.

      A mesma fórmula parece ter sido usada pelo Red Hot Chili Peppers. Desde 2009 sem o gênio John Frusciante nas guitarras, Josh Klinghoffer ficou com a difícil missão de ocupar o posto de guitarrista do Red Hot. O novo disco marca também o fim da parceria de sucesso da banda com o produtor Rick Rubin, que trabalhava com o RHCP há mais de vinte anos (ele foi substituído por Danger Mouse, que também produz o U2 e o The Black Keys). A quebra da parceria com o antigo produtor foi vista com desconfiança por alguns fãs, que temiam que a banda acabasse “perdendo a mão” no novo disco.

      Para completar, a banda não conseguiu frutos tão positivos com o último disco I’m With You. Mas, assim como aconteceu com o Blink, o jogo virou: o novo guitarrista ganhou os fãs e fazer uma revisitação ao som antigo fez bem à banda. The Getaway, lançado neste mês, já assumiu a vice-liderança da Billboard na primeira semana de lançamento (a banda só não conseguiu desbancar Drake – tarefa que ficou a cargo do Blink 182)  e o primeiro single, “Dark Necessities”, já estreou assumindo posições de destaque.

      Novos integrantes, amadurecimento e uma volta ao passado

      Se tem algo em comum que marca os novos álbuns do Blink e do Red Hot Chili Peppers (além de estarem em posições de destaque nas paradas) é a preocupação em revisitar o som que consagrou as duas bandas.

      No caso do Red Hot Chili Peppers, os riffs com levada de funky e o baixo poderoso de Flea relembram os bons tempos de Bloody, Sugar, Sex, Magik (1991) e até de Californication (1999). Mas elementos como sintetizadores eletrônicos e até piano (marcante na excelente “Dark Necessities”) entram nas músicas para fazer a diferença – provavelmente uma influência do novo produtor. Não se trata aqui de um “cover de si mesmo”, mas de uma necessária revisitação ao próprio trabalho, mesclado com as influências atuais que a banda inevitavelmente recebe.

      Esse aspeto chama a atenção até mais do que a “polêmica” envolvendo o álbum: Anthony Kiedis afirmou em uma entrevista que a maioria das letras de The Getaway foram inspiradas em um relacionamento “desastroso” (com a modelo Helena Vestergaard; o namoro acabou em 2014). É quase um exercício de autocontrole ler as letras e não procurar resquícios da “dor de cotovelo” de Anthony. Mas se engana quem pensa que as composições poderiam beirar ao piegas por conta da inspiração baseada na sofrência”: como os fãs já sabem, Anthony Kiedis sabe lançar mão de metáforas e narrativas do cotidiano para atenuar o sentimentalismo (como um passeio de carro com a amada, na ácida e ótima”The Getaway“, faixa-título que abre o disco).

      O Blink 182, por sua vez, mergulhou ainda mais em seu próprio passado. California é marcado por batidas aceleradas e letras divertidas e sem nenhuma pretensão de soar maduro (como na divertida “Built This Pool“, quando Mark canta que tudo o que ele queria era “comprar uma piscina pra ver uns caras pelados”). Seria fácil julgar a banda, acusando Mark, Matt e Travis de serem “quarentões que pensam serem adolescentes até hoje”.

      Mas o mergulho no passado para recriar a banda parece ter sido a melhor decisão. O álbum Blink 182, de 2003, foi marcante por mostrar um lado mais sombrio e melódico do trio, mas o público sentia falta do pop punk despretensioso de álbuns como Take Off Your Pants And Jacket, de 2001. O Blink prova com esse álbum que o pop punk, o skate e a diversão continuam sendo uma unanimidade entre seu público.

      Blink 182 fala sobre novo álbum e apresenta novas músicas em programa, veja

      Pois o desejo dos fãs é uma ordem: as músicas aceleradas e curtas aparecem com tudo em California, e a meta de agradar aos fãs nesta ‘nova fase’ parece ter sido alcançada. Este é o segundo álbum da banda que atinge o primeiro lugar nos Estados Unidos – o primeiro é justamente o disco de 2001, que a banda parece ter usado acertadamente como fonte própria de inspiração.

      California (Blink 182) e The Getaway (RHCP) foram os dois únicos álbuns de rock a assumirem (e manterem) posições de destaque nas paradas deste ano. Outras bandas icônicas, como o Radiohead, lançaram trabalhos inéditos, mas nada que ameaçasse a liderança de gigantes de vendas como Adele e Drake. Nem David Bowie, que teve as vendas de Blackstar alavancadas após sua morte, conseguiu um feito tão grande: California vendeu 186 mil cópias em sua semana de lançamento, enquanto Bowie ficou com apenas 181 mil.

      Ainda é cedo para dizer se vamos esperar muito para ver uma nova banda de rock assumir postos tão altos como esses (ainda mais em tempos tão difíceis para o movimento). Mas uma coisa é certa: as duas bandas californianas vêm cumprindo bem o seu papel de representar o rock’n'roll no mainstream.