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      Especial: 20 anos do Roots, álbum que mudou a história do Heavy Metal

      9 de novembro de 2016 7:33 Por Damy Coelho

      Inovador. É essa a primeira característica que críticos podem atribuir ao Roots, álbum que elevou o Sepultura ao patamar de uma das maiores bandas de heavy metal do mundo. E o mérito principal do disco é realmente este, ter se consagrado como inovador em um gênero tão concreto. Como inovar para além daquilo que o heavy metal já propunha sem necessariamente descaracterizar o estilo? Os mineiros encararam o desafio e, como resposta, lançaram um dos álbuns mais importantes do gênero.

      Ouça o “Roots” completo na playlist do letras.mus.br!

      Mas se engana quem pensa que a inovação pára na sonoridade, que misturou riffs de guitarras aos tambores de índios do interior do Mato Grosso, além de outros instrumentos inusitados, como o berimbau, timbal e até a percussão do Olodum. A missão de Max Cavalera era maior: retomar as raízes culturais do Brasil através do metal. A própria banda já havia testado a fórmula antes, na faixa “Kaiowas”, do Chaos AD (1993). Mas não como em Roots, que faz uma verdadeira imersão na cultura indígena.

      Choque Cultural

      O desejo era gravar com os índios caiapós, mas a ideia foi logo descartada porque a tribo era considerada muito violenta. A ideia então foi entrar em contato com um líder indígena, Cipassé, que teve colaboração crucial para o disco. A banda embarcou para Canarana (MT) para passar três dias com os índios xavantes. Lá, fizeram o arranjo e gravaram a música “Itsári“, um tradicional cântico de cura da tribo.

      Integrantes do Sepultura com os índios xavantes (Foto: Reprodução)

      Durante os dias em que passaram em contato com os índios, os integrantes se apresentaram aos índios e mostraram o som do Sepultura. Imagina só o choque cultural: índios de uma tribo do interior do país ouvindo o metal pesado dos primeiros discos do Sepultura. A estranheza aconteceu, é claro, mas os índios quiseram colaborar com o trabalho. Eles fizeram coro no cântico de cura e colaboraram com instrumentos de percussão.

      E se o álbum já soa inovador por aí, é porque ainda não chegamos nas outras colaborações. Carlinhos Brown foi convidado pela banda para colaborar em uma música. Sim, o Carlinhos Brown que flertava com o axé da Bahia. O resultado dessa mistura foi a música ”Ratamahatta”, composta pelo próprio cantor.

      Recepção

      Com a certeza de que tinham uma obra-prima em mãos, o Sepultura ainda teve de enfrentar a rejeição do mercado fonográfico, já que alguns produtores que ouviram o disco o consideraram uma verdadeira loucura. Será que o público exigente do tradicional heavy metal entenderia aquela mistura de culturas? ”Eu acho que vocês estão cometendo suicídio comercial”, disse o então chefe da gravadora Roadrunner. Como resposta, Roots rapidamente chegaria entre os 30 álbuns mais vendidos na Billboard – imagina só uma banda de metal pesado alcançando uma posição dessas, junto com nomes fortes do pop da época? Além disso, a banda ficou em 4º lugar nas paradas da Inglaterra.

      A sonoridade inovadora – de novo, a palavra crucial – ainda levou o Roots a ser considerado um pioneiro do nu metal, graças à sonoridade mais crua, com afinação mais baixa que o padrão do metal. Bandas como Slipknot e Limp Bizkit beberam dessa fonte.

      Para celebrar os 20 anos do álbum que mudou a história do heavy metal, estivemos no último show do Sepultura em Belo Horizonte, no 53HC Fest. O reencontro com a terra natal se deu em clima de dupla comemoração: além dos 20 anos do Roots, a banda segue com sua turnê mundial de 30 anos de estrada. Os fãs puderam conferir os clássicos do icônico álbum e uma coisa ficou provada: as músicas do Roots ainda soam inovadoras, mesmo depois de tantos anos. Só os clássicos têm esse mérito.