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      O legado de Sharon Jones, musa do soul e influência para Amy Winehouse

      19 de novembro de 2016 12:37 Por Damy Coelho

      Sharon Jones, nome influente do soul contemporâneo, morreu na madrugada desta sexta-feira (18), aos 60 anos. A cantora lutava contra um câncer no pâncreas desde 2013.

      A notícia foi divulgada no Facebook de Sharon Jones e seu agente garante que a cantora morreu “em paz, ao lado de muitos familiares e amigos”.

      Sharon, de fato, tinha muitos admiradores – mas nem sempre foi assim. Apesar de cantar desde criança, foi apenas depois dos 40 anos que a cantora alcançou notoriedade – e o talento dela era tão visível que, logo após ser descoberta com sua banda Dap Kings, Sharon fez parcerias com ninguém menos que Lou Reed e David Byrne.

      Mas foi nos anos 2000 que Sharon alcançou reconhecimento mundial, graças ao fenômeno Amy Winehouse. A britânica era fã dos Dap Kings e chamou o grupo para gravar com ela o seu então novo álbum, “Back To Black”. A partir daí, milhares de pessoas buscaram o trabalho da banda, que tem cinco álbuns em sua discografia – o mais aclamado é, 100 Days, 100 Nights, de 2007, conhecido por ter dado ares “modernos” ao funk e à música africana, principais influências da banda além do soul.

      Quando questionada se teria ficado enciumada por Amy ter “pego emprestada” a sua banda, Sharon negou veementemente. “Estou orgulhosa porque agora mais pessoas conhecem o nosso trabalho”, afirmou.

      Preconceito e ápice

      Antes da fama, Sharon Jones trabalhou como guarda na prisão Rikers Island, em Nova York. Ela ainda afirma que sofreu muito preconceito enquanto tentava viver da música – a indústria fonográfica virou as costas à cantora inúmeras vezes – tanto que o sucesso veio somente em 1996, com o primeiro disco dos Dap Kings. “Ninguém me aceitava na indústria da música… diziam que eu era ‘muito’ negra, muito gorda.. que eu era muito nova ou não era bonita o suficiente”, chegou a dizer.

      Depois de se unir aos Dap Kings e finalmente ter seu talento reconhecido, Sharon foi reconhecida por inovar o soul nos anos 2000, ao mesmo tempo em que usava de métodos antigos de gravação, influenciada por nomes da clássica gravadora Motown, dos anos 70. “Fizemos soul e black music como nos anos 70″, dizia a cantora. “Gravamos com instrumentos analógicos e registramos tudo em fita. E gravamos todos juntos, ao vivo. Acho que esse é o diferencial da nossa sonoridade”, comentou.

      Esse e, claro, o fato de ser uma das vozes mais marcantes da nova geração do soul. Amy, Lou, David e todos os seus fãs que o digam.