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      Patti Smith emociona público e Dylan manda recado no Prêmio Nobel

      12 de dezembro de 2016 11:08 Por Damy Coelho

      Patti Smith: Emoção ao homenagear Bob Dylan no Prêmio Nobel de Literatura

      A cerimônia de premiação do Prêmio Nobel de Literatura 2017 foi especialmente emocionante para os fãs de música. Só não foi mais emocionante porque o grande homenageado da noite, Bob Dylan, não esteve presente para receber o prêmio pessoalmente na noite de sábado (10), na Suécia. Mesmo assim, Dylan encaminhou um texto agradecendo pelo reconhecimento de uma Academia tão importante quanto a do Nobel de Literatura.

      Seu breve e emocionado discurso foi lido por Azita Raji, embaixadora norte-americana do Nobel. “Se alguém tivesse me dito que eu tinha a menor chance de ganhar o Prêmio Nobel, eu teria que pensar ter as mesmas chances que ficar de pé sobre a lua”, mandou dizer Bob Dylan.

      “Lamento não poder estar com vocês pessoalmente, mas por favor saibam que estou definitivamente com vocês em espírito e honrado em receber um prêmio tão prestigioso”, lia-se no discurso da apresentação.

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      Patti Smith

      Como adiantamos aqui no Cifra Club News, Patti Smith esteve na premiação para homenagear o ídolo e amigo pessoal, Bob Dylan. A também cantora e escritora foi escolha acertada da Academia Sueca para cantar “Hard Rain’s A-Gonna Fall“, importante canção do repertório de Dylan. Visivelmente emocionada, Patti não fez questão de esconder seu nervosismo.

      Interrompendo a apresentação, Patti confessou: ”Desculpe, desculpe, estou nervosa ”, afirmou, antes de apresentar muito bem a música de Bob Dylan, sob aplausos do público presente no teatro Stockholm Concert Hall.

      O fato de não ter comparecido à cerimônia não tira o prêmio de Bob Dylan. O artista precisava apenas reconhecer o prêmio, de 8 milhões de coroas suecas (cerca de 870 mil dólares).

      “Literatura em transformação”

      Outro momento emocionante da noite foi o discurso da Academia Sueca em homenagem ao grande vencedor do Nobel. O acadêmico acadêmico Horace Engdahl endossou que a ideia do prêmio neste ano foi reconhecer uma “literatura em transformação”, reconhecendo outros gêneros para além do romance moderno, como os contos e as canções, destacando que esses gêneros também marcaram o desenvolvimento da literatura.

      “Nossa ideia de literatura muda com todos eles”,  afirmou, lembrando que o conceito de “lírica” (da poética Grega) vem de “lira” (instrumento usado de acompanhamento para o declame de poemas, na Grécia antiga). Ou seja: música e literatura sempre andaram juntos.

      O acadêmico continua: “Ele se dedicou de corpo e alma à música popular norte-americana para os indivíduos comuns, tanto brancos como negros: canções de protesto, country, blues, o rock inicial, gospel e música mais comercial. Escutava música dia e noite, testando-a em seus instrumentos, tentando aprender. Mas, quando começou a escrever canções similares ao que ouvia, elas saíram de outra maneira.

      Em suas mãos, o material mudou. Daquilo que descobriu em relíquias e coisas descartadas, na rima banal e na sagacidade rápida, nas maldições e nas orações piedosas, nas brincadeiras doces e rudes, Dylan bombeou o ouro da poesia. Se foi de propósito ou por acidente, é irrelevante. Toda criatividade começa na imitação”, disse.

      “De repente, grande parte da poesia dos livros em nosso mundo se sentia anêmica, e as letras de canções rotineiras que seus colegas continuavam escrevendo eram como pólvora antiquada depois da invenção da dinamite. Logo, as pessoas deixaram de compará-lo com Woody Guthrie e Hank Williams e se voltaram para Blake, Rimbaud, Whitman, Shakespeare.”