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      Madonna e David Bowie são as pessoas do ano de 2016

      12 de dezembro de 2016 11:52 Por Damy Coelho

      Estamos chegando ao fim de 2016 e, apesar de muita coisa ter mudado na cultura pop, os ídolos mais consagrados continuam tendo seu espaço. Prova disso são dois prêmios importantes da música, o “Mulher do Ano”, da Billboard, e “Personalidade do Ano”, do site NME, que homenagearam artistas já veteranos. O título de mulher do ano ficou para Madonna, enquanto David Bowie foi o grande homenageado no “People Of The Year” da NME.

      O prêmio da NME ainda escolheu outras personalidades que também foram destaque no ano, como BeyoncéMillie Bobby Brown, que interpretou a carismática Eleven em “Stranger Things”.

      Sobre Bowie, a publicação lembra que 2016 foi um ano triste pela perda de um artista tão completo. O cantor faleceu três dias depois de lançar o álbum Blackstar e o quase premonitório clipe de “Lazarus“. Blackstar rapidamente figurou nas listas de discos do ano, sendo considerado a última obra-prima de David Bowie.

      “Ele sempre fez o que quis. Sua morte não foi diferente do que sua vida inteira – uma verdadeira obra de arte”, afirmou o produtor do NME.

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      Madonna posa relembrando um dos muitos momento transgressores de sua carreira (Foto: Reprodução/Billboard)

      Já Madonna faturou sozinha o prêmio de “Mulher do Ano”, prêmio que já foi dado à Beyoncé e Lana Del Rey, em outros carnavais.

      Rainha absoluta do pop, não podia ter ninguém melhor para falar do fenômeno Madonna do que ela mesma. Em um discurso arrebatador de vencedora, Madonna atacou a indústria machista – relembrando que ela foi a primeira mulher da grande mídia a quebrar paradigmas femininos, falando abertamente sobre o prazer sexual da mulher em suas canções. E isso no início dos anos 80, quando Beyoncé ainda estava nas fraldas.

      Veja o discurso completo:

      “Obrigado por reconhecer minha capacidade de continuar minha carreira por 34 anos diante do sexismo e da misoginia explícitos, do bullying constante e do abuso implacável”, disse Madonna.

      “Por um tempo eu não fui considerada uma ameaça. Anos depois, divorciada e solteira, fiz meu álbum ‘Erotica’ e meu livro ‘Sex’ foi lançado. Eu me lembro de ser a manchete de cada jornal e revista.

      Tudo que eu lia sobre mim era ruim. Eu era chamada de vagabunda e de bruxa. Uma das manchetes me comparava ao demônio. Eu disse ‘Espera aí, o Prince não está correndo por aí usando meia-calça, salto alto, batom e mostrando a bunda?’ Sim, ele estava. Mas ele era um homem. Essa foi a primeira vez que eu realmente entendi que mulheres não têm a mesma liberdade dos homens”, afirmou.

      E, como se já não tivesse arrasado, Madonna ainda falou sobre como se sente em ser um ícone do público gay:

      “As pessoas estavam morrendo de AIDS em todos os lugares. Não era seguro ser gay, não era legal ser associada à comunidade gay.

      Era 1979 e Nova York era um lugar muito assustador. No meu primeiro ano [na cidade] eu fiquei sob a mira de uma arma de fogo, fui estuprada num terraço com uma faca na minha garganta e eu tive meu apartamento invadido e roubado tantas vezes que eu parei de trancar as portas. Com o passar do tempo, perdi para a AIDS ou para as drogas ou para as armas quase todos meus amigos que tinha.

      Como vocês podem imaginar, todos esses acontecidos inesperados não apenas me ajudaram a me tornar a mulher ousada que está aqui, mas também me lembraram que sou vulnerável, e que na vida não há segurança verdadeira exceto sua auto-confiança”.

      … e sobre seus ídolos (destacando outras figuras femininas, como Debbie Harry, do Blonde e… David Bowie):

      “Eu me inspirei, é claro, em Debbie Harry e Chrissie Hynde e Aretha Franklin, mas meu muso verdadeiro era David Bowie. Ele personificava o espírito masculino e feminino e isso me agradava. Ele me fez pensar que não havia regras. Mas eu estava errada. Não há regras se você é um garoto. Há regras se você é uma garota.

      Se você é uma garota, você tem que jogar o jogo. Você tem permissão para ser bonita, fofa e sexy. Mas não pareça muito esperta. Não haja como se você tivesse uma opinião que vá contra o status quo. Você pode ser objetificada pelos homens e pode se vestir como uma puta, mas não assuma e se orgulhe da puta em você. E não, eu repito, não compartilhe suas próprias fantasias sexuais com o mundo. Seja o que homens querem que você seja, e mais importante, seja alguém com quem as mulheres se sintam confortáveis por você estar perto de outros homens. E por fim, não envelheça. Porque envelhecer é um pecado. Você vai ser criticada e humilhada e definitivamente não tocará nas rádios”, disse, tocando na ferida da indústria pop.

      É como dizem: Rainha que e rainha nunca perde a majestade, né?!