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      Drake: ‘levei o Grammy na categoria rap por uma música que nem rap é’

      20 de fevereiro de 2017 8:28 Por Damy Coelho

      Drake (Foto: Reprodução)

      O cantor Drake levou dois Grammys nesta edição: o de melhor música de rap e melhor performance de rap, ambas com seu hit, “Hotline Bling”. Logo após a premiação, o cantor deu uma entrevista sobre o prêmio, que foi ao ar só neste final de semana.

      Drake não compareceu na noite da premiação porque estava em turnê pela Europa, mas seu discurso engrossa ainda mais o coro de artistas que boicotaram o Grammy neste ano.

      Drake pareceu se sentir incomodado com a curadoria da premiação, mesmo tendo levado dois gramofones neste ano. O cantor afirmou que achou bastante esquisito ter levado dois prêmios na categoria “rap” por uma música que nem ele considera como sendo do estilo, enquanto sequer foi lembrado nas categorias de música pop.

      Segundo Drake, o motivo é muito claro: o fato de ele ser um artista negro concorrendo em um prêmio como o Grammy.

      “Sinto que, no fim do meu trabalho, eu continuo sendo negro. Eu sou designado como um artista negro. Naquele prêmio [o Grammy], eu sou um artista negro. Eu aparentemente sou um ‘rapper’, mesmo que ‘Hotline Bling‘ não seja uma música de rap. Parece que a única categoria que eles podem me encaixar é a de rap, talvez porque eu fiz rap no passado, ou porque eu seja negro… não consigo entender o porquê”, afirmou.

      Para ouvir e acompanhar a letra: “Grammys”, de Drake

      O cantor ainda problematizou o fato de seu outro hit, “One Dance”, sequer ter sido lembrado pela premiação. O single ficou várias semanas no topo da Billboard e foi uma das mais tocadas em sites de streaming no ano passado, mas a única faixa lembrada de seu (ótimo) álbum Views pelo Grammy foi mesmo “Hotline Bling“.

      De acordo com Drake e outros artistas, como Frank Ocean e Kanye West, o Grammy parece “reservar” categorias para artistas negros (como os prêmios de Rap e R&B – que sequer eram televisionados nas edições anteriores), mas que muitos artistas negros não conseguem competir igualmente em categorias maiores, como as de música pop.

      “Não consigo entender por que ‘One Dance’ não foi sequer nomeada, talvez porque eles não possam assumir (…). Eu tive um dos maiores sucessos do ano com essa música, que é uma música pop, e estou orgulhoso disso sim. Eu amo a comunidade do rap, mas eu faço músicas pop por uma razão. Quero ser como o Michael Jackson, como os artistas que eu vi. Minhas músicas são pop, mas eu nunca ganho crédito por isso”, concluiu.

      Drake engrossa o coro de artistas que afirmam que o Grammy não representa nem os jovens e nem os negros na música. Frank Ocean puxou o bonde, não submetendo seu álbum à premiação e ainda chamando o prêmio de “dinossauro”. Kanye West e até Justin Bieber entraram no boicote ao Grammy alegando razões parecidas.

      O fato de Beyoncé não ter levado o prêmio de “Melhor Álbum” só reforçou o argumento desses artistas, para além do fato de que, há mais de uma década, o prêmio de “Melhor Álbum” não vai para nenhum artista negro. Neste meio tempo, dois álbuns de qualidade que colocam o dedo na ferida sobre os preconceitos contra afrodescendentes concorreram na categoria – To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar e o próprio Lemonade, de Beyoncé. Ambos perderam.