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      Cifra Club News

      Entrevista exclusiva com o violonista Paulinho Nogueira

      23 de junho de 2002 20:19 Por Débora Batello

      Um dos maiores violonistas do Brasil, Paulinho Nogueira, fala ao site Cifra Club sobre o seu lançamento "Primeiras Composições"        Na época que a música brasileira colhia as suas melhores safras, este senhor foi escolhido pela imprensa como o melhor músico do ano de 1969*. Hoje, aos 71 anos, o violonista Paulinho Nogueira continua esbanjando seu peculiar bom gosto, que pode ser conferido em seu novo disco, Primeiras Composições, lançado no começo deste mês. comprar cd O álbum traz a sua leitura instrumental das primeiras obras de Chico Buarque, tais como “Carolina”, “A Banda”, “Roda Viva”, entre outras. Confira, a seguir, a entrevista com o violonista, exclusiva do site Cifra Club, realizada quinta-feira passada (21 de junho).(*referência ao prêmio conferido pelo jornal O Estado de São Paulo).  Como surgiu a idéia de gravar Chico? Paulinho Nogueira: Eu conheci o Chico antes dele ser famoso, no começo da era bossa nova. Havia um show onde tocavam músicos novos e consagrados. Lá se apresentavam Zimbo Trio, Elis Regina, eu... E o Chico, da ala dos novatos, não tinha tido parcerias ainda. Foi nesse show que eu me encantei com as canções dele. Mas, só agora que surgiu a idéia de fazer o Cd. Eu levei o projeto para a Trama e eles gostaram muito, por ser uma idéia inédita, e que poderia dar certo. Você deu às músicas um formato instrumental. Por que enfatizar a harmonia numa obra que se destaca pelas letras? Paulinho Nogueira: Partiu de mim a escolha do formato instrumental. Chico Buarque sem saber fez uma coisa muito interessante e bonita, mesmo naquele tempo que nem violão ele tocava. Mas isso é cabeça boa, intuição.  Eu só apresentei com meu estilo, a minha maneira de tocar. Saiu até melhor do que eu pensava! Inclusive, você leu as músicas conforme elas são, sem “floreios” extras... Paulinho Nogueira: Pois é. Tinha que fazer uma coisa parecida com ele, dentro do talento dele que é excepcional. Ele é um cara simples, e eu como intérprete de suas composições tinha que seguir isso, para não descaracterizar sua obra. Decidi pela melodia sem muito rebuscamento, e a harmonia mais ou menos como ele fez. Em toda a sua discografia, o que se observa é a sua disposição em manter a qualidade a qualquer custo. Qual a sua relação com a música como arte e como comércio? Paulinho Nogueira: Existe um comércio positivo, que trabalha aquilo que é bom. Também tem o comércio que trabalha aquilo que é ruim. A mídia está lançando essas músicas de consumo, de baixo nível, como entretenimento. A minha área é a "música para ouvir", coisa que não se faz mais hoje em dia! (risos).Como foi sua liberdade para se fazer “música para ouvir”, dentro de uma major como a Trama? Paulinho Nogueira: A Trama me deu um apoio totalmente inesperado. Ela está me surpreendendo. É difícil ter uma gravadora que investe na gente e na música instrumental. E como se trabalha a música instrumental no Brasil? Paulinho Nogueira: Ela sempre foi colocada de lado, graças a uma idéia errada, de que a música instrumental não é comercial. Por que não é? Se tocasse nas televisões, também venderia. A nova geração nem conhece música de qualidade, porque só ouve aquilo que a mídia impõe. É preciso transmitir de tudo, só assim o público vai decidir o que é bom. Por outro lado, a música brasileira que “vende” no exterior é a instrumental... Paulinho Nogueira: A música instrumental brasileira fora daqui tem mais público que no próprio Brasil. Eu não tenho muita experiência internacional, mas tenho certeza que na Itália, França, Suíça, eles adoram a música brasileira instrumental. Além de ser admirada pela riqueza, não oferece o problema da língua.  Então, esse disco é um prato cheio para o mercado internacional. Já sabe de alguma promoção no exterior? Paulinho Nogueira: A gente começou a divulgar o álbum agora. Tenho a impressão que sim, existem planos para isso.    “Primeiras Composições” já lhe rendeu algum elogio do próprio Chico? Paulinho Nogueira: O disco foi para ele anteontem [dia 19 de junho]. Ainda não tenho informação alguma... Espero que ele goste, né?! Você tem grandes composições, como “Menina”, e “Bachianinha nº1”, que ficam restritas a um público específico, a maioria de estudantes de música. Mas, grande parte da sua discografia é de releituras e homenagens a outros compositores, como Tom Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque... Como se consolida um instrumentista no Brasil? Paulinho Nogueira: Na verdade, o instrumentista tem aqui um campo muito forte para explorar, porque temos um grande número de bons compositores. A gente acaba escolhendo aqueles que mais gostamos. Nunca tive problemas para me afirmar como instrumentista, porque está sobrando música boa no Brasil. E o mercado do músico nos dias de hoje? Paulinho Nogueira: O mercado está difícil para todo mundo, e não só para os instrumentistas. Até 1997 o mercado de trabalho estava ótimo. Viajava sem parar, não só eu, como todo mundo. Juntava o Hermeto Pascoal, Altamiro Carrilho e saíamos por todo o país dando shows. Mas, de três anos para cá está faltando apoio financeiro. Fora que, a obra instrumental tem dificuldades extras por envolver um investimento grande e infra-estrutura cara. Shows estão no plano de divulgação do CD? Paulinho Nogueira: Já estamos nos apresentando em São Paulo. Vamos nos reunir ainda para planejar uma turnê para esse disco. O repertório será só de músicas do “Primeiras Composições”? Paulinho Nogueira: Não. Quem quiser ouvir tudo tem que comprar o disco! (risos). Eu só faço um flash, toco umas 6 faixas dele, no máximo. Desenvolvo o show com outras músicas que gosto de fazer ao vivo, como Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Tom Jobim... Você gostaria de ainda homenagear algum outro compositor dessa forma? Paulinho Nogueira: Ainda não pensei nisso, pois não costumo planejar com muita antecedência. Mas, não pretendofazer outra homenagem como essa. Não é porque essa está dando certo que vou ficar insistindo na idéia.  Mande sua mensagem ao músico visitante do Cifra Club. Paulinho Nogueira: Procure ouvir música de qualidade, se for preciso ter aulas, é bom investir. A profissão de músico não é fácil, então não desanime.

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