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      Renato Russo estudou com o ex-ministro Geddel e o chamava de ‘suíno’

      5 de julho de 2017 10:29 Por Damy Coelho

      O nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima estampa os principais jornais desta semana. O político foi preso após denúncias de corrupção envolvendo o seu nome, e sua prisão foi decretada nesta semana, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações de uma operação da Polícia Federal.

      Mas por que essa notícia está no Cifra Club?, você se pergunta. Porque o mundo é pequeno mesmo e fez com que Geddel cruzasse caminho com um dos maiores nomes da nossa música, Renato Russo. Os dois foram colegas de escola no Marista de Brasília, no início dos anos 70. Renato era filho de um funcionário do Banco do Brasil e Geddel já vinha de uma família de políticos da Bahia.

      Em um trecho da biografia do cantor, O Filho da Revolução, Carlos Macedo, explica que os dois não eram necessariamente amigos – na verdade, Renato achava o futuro ministro “insuportável” e chegou a apelidar Geddel de “suíno”.

      A turma do Colégio Marista tem que preparar apresentação relacionada à música. De imediato, Renato avisa:

      — O tema do meu grupo vai ser a história do rock.

      Rigoroso na hora de selecionar os colegas de grupo, ele convida Maria Inês Serra e mais dois ou três felizardos que se mostraram dispostos a executar a tarefa como ele planejaria. Tinha gostado de trabalhar com Inês em uma pesquisa sobre cantigas de roda — o esforço alheio representava fator decisivo para a escolha. Deixa claro (a ponto de despertar antipatia e criar fama de chato) que não carregaria ninguém nas costas, apesar dos pedidos de colegas como Geddel Quadros Vieira Lima para entrar no seu grupo pela garantia de notas altas na avaliação final. Filho do político baiano Afrísio Vieira Lima, o gordinho Geddel era um dos palhaços da turma. Chegava no colégio dirigindo um Opala verde, o que despertava atenção das meninas e a inveja dos meninos — que davam o troco chamando-o de “Suíno”. Tinha sempre uma piada na ponta da língua; as matérias, nem sempre.

      — Eu vou ser político!

      O jeitão expansivo garantia popularidade entre os colegas, mas não unanimidade. “Ele é in-su-por-tá-vel!”, justifica Renato para Maria Inês, dividindo as sílabas de forma enfática, ao sentenciar a proibição da entrada de Geddel em seu grupo.

      [Trecho de Renato Russo- O filho da Revolução, de Carlos Marcelo (Ed. Planeta)]