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      Morre Luiz Melodia; relembre a trajetória desse ícone da MPB

      4 de agosto de 2017 10:54 Por Gustavo Morais

      Aos 66 anos de idade, morre Luiz Melodia (Foto: Divulgação/Daryan Dornelle)

      O cantor, compositor e músico Luiz Melodia morreu, nesta sexta-feira (4), na cidade do Rio de Janeiro. Aos 66 anos de idade, o artista não resistiu às complicações de um câncer que atacou a medula óssea.

      Melodia começou a lutar contra o câncer em julho do ano passado. Em maio deste ano, ele passou por um transplante de medula óssea, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia. A doença não deu trégua e o estado de saúde do artista se agravou bastante nesta quinta-feira (3).

      Após a notícia da morte do artista, a diretoria da escola de samba Estácio de Sá se reuniu para decidir como será a agenda ao longo do dia. De acordo com a assessoria de imprensa da escola, a família avalia realizar o velório do cantor na quadra da agremiação.

      Um artista “Maldito”

      Luiz Carlos dos Santos nasceu no Morro do Estácio, Rio de Janeiro, no dia 7 de janeiro de 1951. Por influência do pai, Luiz aprendeu a gostar de música e a tocar violão.

      No ano de 1963, dividia seu tempo entre vários empregos e a carreira de músico em bares noturnos. Um ano depois, formou a banda Os Instantâneos, cujo repertório era composto por músicas da jovem guarda e bossa nova. A experiência dos bailes, somada às referências do samba, deu a Luiz as ferramentes para fazer um som inovador, único e influente.

      O ‘empurrãozinho’ para decolar a carreira, no entanto, veio das mãos do poeta Wally Salomão, que colocou o trabalho de Luiz no radar da cantora Gal Costa. Em 1972, no disco Vapor Barato, Gal gravou a faixa Pérola Negra.

      Pouco depois, a canção Estácio, Holly Estácio ganhou sua interpretação na voz de Maria Bethânia. Naquela mesma época, o artista assumiu o nome de Luiz Melodia e lançou seu primeiro disco, Pérola Negra. Por manter uma postura musical desafiadora,ou seja, por ser o cara que tocava iê-iê-iê nos templos sagrados do samba carioca, a crítica especializada o considerava um artista “maldito”, ao lado de nomes como Jards Macalé, Tom Zé,  entre outros.

      “Não éramos pessoas que obedeciam. Burlávamos, pode-se dizer assim, todas as ordens da casa, da gravadora; rompíamos com situações que não nos convinham. Sempre acreditei naquilo que fiz e faço”, revelou.

      Nas décadas seguintes, Melodia foi conquistando seu espaço e alçando voos cada vez mais altos. Entre excelentes discos e turnês, ele fez shows na Europa e se apresentou em eventos como o III Festival de Música de Folcalquier, na França, em 1992; e no Festival de Jazz de Montreux, em 2004.

      Ao longo de 16 discos, Luiz Melodia emplacou várias músicas no cancioneiro da música brasileira. Lançado em 2014, Zerima foi o último disco do artista. O álbum quebrou um jejum de 13 anos sem o artista lançar material inédito e contou com participação da cantora Céu, talento da nova safra da MPB.

      Para a cultura brasileira, a perda de Luiz Melodia deixa mais uma lacuna impossível de ser preenchida. Fica a esperança de que um legado tão precioso e singular, sirva de inspiração para que a conexão entre música e alma seja cada vez vista e ouvida por aí…