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      Profissão Músico: a vivência do vocalista

      18 de agosto de 2017 17:43 Por Damy Coelho

      Amorina é cantora e dá aulas de técnica vocal (Foto: Flavio Charchar/Divulgação

      Não tem jeito, a posição de vocalista é uma das mais cobiçadas quando uma banda é formada. Afinal, ele volta e meia é o centro dos holofotes (algumas vezes, descaradamente).

      Mas não pense que a vida do vocalista é só brilhar. Muitas vezes cabe a ele representar o carisma e a identidade de uma banda. É só pensar que o sujeito que assume os vocais é conhecido como frontman. Imagina a responsabilidade?

      Fora que, um erro de um vocalista é muito mais perceptível entre quem é leigo na música do que o do guitarrista ou baterista, por exemplo. Se um cantor dá uma desafinada, pode virar até notícia.

      Para evitar tudo isso, não tem jeito: a solução é estudar muito e se dedicar às técnicas de canto.

      Conversamos com a cantora mineira Amorina. Além de dar conta de uma série de projetos autorais, Amorina ainda é professora de canto – ou seja, garantia de várias dicas  para os vocalistas de plantão. ;)

      Acompanhe o nosso bate-papo:

      Cifra Club: O que é essencial para um vocalista saber?

      Amorina: Bem, acho que tem que ter o mínimo de técnica vocal. Digo o mínimo porque técnica não é tudo quando falamos de um vocalista. Afinação, técnica, presença de palco, carisma, interação com público, são alguns, entre vários fatores que se somam na hora de avaliar um bom vocalista.

      E como tudo na arte, não há uma matemática exata, as avaliações são pessoais e bem subjetivas.

      Conheço vocalistas com técnica bem simples, do tipo só afinados, mas tem uma força de palco monstruosa e outros que são tecnicamente perfeitos mas não conseguem me tocar.

      Não sei se posso chamar alguma fator de essencial, depende do estilo e da individualidade do artista. Cada caso é um caso e cada som pede um vocalista diferente, com habilidades diferentes. Mas se pudesse determinar o mínimo, seria: ser afinado.

      CC: Quais técnicas são as mais indicadas pra não machucar a voz na hora de cantar?

      Difícil citar alguma técnica específica, penso que o mais certo é desejável que você tenha técnica se quer preservar sua voz. Ou seja, faça aula de canto, procure um professor de confiança e conheça seu aparelho vocal e todas as suas limitações e possibilidades.

      CC: Quais são suas maiores inspirações entre vocalistas?

      Difícil escolher. Tem alguns que me espantam pela técnica, outros pelo timbre único, a visceralidade ou mesmo pela estranheza…

      Se fosse para citar alguns, colocaria Sia, Antony Hegarty (do Antony And The Johnsons), Nina Simone, Freddie Mercury, Aretha Franklin , Regina Spektor, Soap&Skin, Zaz, Beyoncé , Bruce Springsteen, Hozier, Dave Matthews Band, Eddie Vedder, Glen Hansard, Janis Joplin, Milton Nascimento, Chris Cornell


      CC: Você já teve algum imprevisto no meio de um show? Como a voz travar, desafinar, etc…

      Desafinar, todo mundo desafina. Se você é vocalista e pensou “Eu, não. Eu nunca desafinei”, corrija para “ eu AINDA não desafinei”, haha. Não tem jeito, um belo dia você vai dar uma nota muita alta, ou com muita pressão e na emoção do palco, vai dar aquela desligada da musculatura e a desafinação é inevitável (risos). Se não rolou com você, vai rolar. Fato.

      Já tive todos os tipos de imprevistos, vocais ou de performance. Já desafinei, fiquei sem referência de instrumento e entrei fora do tom, a voz já travou diversas vezes, esqueci a letra, entrei no lugar errado, meu salto já entrou numa fresta do palco e cai, minha roupa já rasgou… Já aconteceu de tudo (risos).

      O lance é ter jogo de cintura e não deixar esse imprevistos derrubarem sua performance. Minha regra é: finja que foi de propósito, manda aquele sorriso ou cara de paisagem, e segue em frente (risos).

      CC: Cantar é dom ou técnica?

      Tive um professor de canto que dizia que “a vida do cantor é um pouco mais dura, pois diferente dos outros instrumentos, ser um bom cantor não depende só de dominar o instrumento, depende um pouco de desvendar, cavucar, lapidar, mostrar e abusar de quem você é”. Acho que tem muita verdade nessa frase.

      Eu não acredito em dom. Tem gente que tem uma facilidade inicial com canto, como tem gente que escreve bem, ou tem facilidade com matemática ou jeito com animais…. Mas como professora, vejo que essa facilidade inicial não significa muito em geral. Sabe aquela frase do Thomas Edsom, que diz que a genialidade é constituída por “10% de inspiração e 90% de transpiração”? Bem, se chamamos essa facilidade inicial de “dom”, eu acredito que ele seja realmente 10% do todo.

      (Divulgação/Sarah Alberti)

      CC: Qual conselho você daria pra quem tá começando?

      Estude. Como eu disse, dominar a técnica vocal com certeza vai te ajudar a ser um cantor melhor. E, principalmente, seja autêntico. Abrace quem você é e explore isso ao máximo.

      CC: O que você mais gosta em ser cantora?

      Nossa, gosto de tantas coisas…

      Da sensação de poder tocar um pouco a emoção do outro com minha voz. Pensa naquela música que mudou sua vida, aquela canção que marcou um momento especial ou até mesmo te ajudou a superar uma dor. Adoro pensar que minha voz, minhas músicas, podem transformar um tiquinho a vida de alguém.

      Gosto de olhar para público, durante o show, é perceber a forma que nos conectamos, as emoções que a música causa, os olhares, os sorrisos, o assombro, a lembrança, o choro…

      Gosto da catarse que o palco proporciona, e o desafio que ele representa. Ele me obriga a ser mais eu, corajosa e dolorosamente exposta. Ele me obriga a superar meus medos, meu ego… e ser mais autêntica. Descobrir novas facetas da minha personalidade e a me reinventar.

      *

      Amorina é cantora, compositora, professora de canto em Belo Horizonte (conheça), e está por trás de projetos que empoderam a mulher na música. Saiba mais sobre o trabalho da artista aqui

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