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      Na palma da mão: 5 estilos de samba que você precisa conhecer!

      5 de novembro de 2019 12:35 Por Gustavo Morais

      Considerado um dos elementos mais icônicos da cultura popular brasileira, o samba é uma dança e um estilo musical que surgiu no período colonial. Como chegou por aqui por meio das mentes e corações dos escravos africanos, o samba provém da fusão entre as culturas africana e brasileira.

      Há algumas versões acerca da etimologia do termo “samba”. Uma delas diz que é originário de uma das muitas línguas africanas, possivelmente do quimbundo, onde “sam” significa “dar”, e “ba” quer dizer “receber” ou “coisa que cai”. Existe também uma versão que diz que a palavra deriva da palavra semba, que significa umbigada.

      tradição do samba começou em SP

      Precursores do samba da Barra Funda, em São Paulo (Foto/Internet)

      Em seus primórdios, como matrizes sonoras, o samba carregou traços das estruturas musicais europeias e africanas. Embora tenha tido forte presença no Maranhão, em Minas Gerais, em São Paulo e na Bahia, por exemplo, o samba ganhou um caráter singular a partir do momento em que começou a dialogar com estilos musicais populares entre os cariocas, como a polca, o maxixe, o lundu e o xote. Inclusive, o primeiro grande marco da história moderna e urbana do samba ocorreu em 1916, no Rio de Janeiro, com o registro em disco da música Pelo Telefone, na voz de Donga, considerado o primeiro samba gravado no Brasil. A gravação contou com participação de João da Baiana, Pixinguinha, Caninha, Sinhô, entre outros.

      Donga, um dos principais personagens da história do samba (Foto/Internet)

      Movimentos artísticos vêm e vão, mas o samba continua como um dos pilares mais fortes da cultura nacional. Por essas e outras, a nossa conversa de hoje é um panorama acerca de cinco dos vários estilos de samba. Na real, minha intenção é impulsionar os seus laços com a cultura brasileira ;)

      1. Samba de roda

      Com origens na Bahia, por volta de 1860, essa é a modalidade mais tradicional do samba. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o samba de roda é patrimônio imaterial da cultura brasileira.

      Samba de roda resiste

      O samba de roda resistiu ao teste do tempo (Foto: IPHAN)

      O samba de roda é estritamente ligado ao culto aos orixás e caboclos, à capoeira e à comida de azeite. A cultura portuguesa está também presente na manifestação cultural por meio da viola, do pandeiro e do idioma cantado nas letras das canções. A música é associada a uma dança que, por sua vez, está ligada à capoeira. No que tange a parte instrumental, é tocada por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho, acompanhado principalmente por canções e palmas.

      Felizmente, o samba de roda não foi vítima da urbanização e da modernização do samba. À sua maneira, ao longo dos dois últimos séculos, vários artistas mantêm acesa a chama dessa forma de samba.

      Grandes representantes: Dona Edith do Prato, Dudu Nobre e Mariene de Castro.

      2. Samba-canção

      Surgiu no final da década de 1920, em meio aos processos de modernização do samba urbano do Rio de Janeiro. Naquele momento, o samba iniciava seu processo de gradual distanciamento do maxixe.

      Nelson Gonçalves, ícone da música brasileira popluar

      Nelson Gonçalves, o boêmio, também teve sua fase samba-canção (Foto/Internet)

      O samba-canção possui um andamento moderado (o mais lento dentro das vertentes do moderno samba urbano) e tem um olhar mais elaborado sobre a melodia. As letras são centradas em temáticas de amor, solidão e a chamada “dor-de-cotovelo”, que hoje muitos entendem como “sofrência”.

      Com a chegada da bossa nova, no final da década de 1950, o samba-canção perdeu um pouco do terreno dentro da música brasileira. Porém, sua importância está imortalizada em um acervo de obras que sempre são regravadas.

      Grandes representantes: Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Cartola, Nelson Cavaquinho e Ataulfo Alves.

      3. Samba-enredo

      Também chamado samba de enredo, surgiu no Rio de janeiro, durante a década de 1950. Foi criado especificamente para os desfiles das escolas de samba no Carnaval. Tende a seguir temas sociais ou culturais, e conduz a coreografia e a cenografia que a escola apresenta durante o desfile.

      Embora o primeiro samba-enredo gravado ter sido Exaltação a Tiradentes, pelo cantor Roberto Silva, com o título reduzido para Tiradentes, para o Carnaval de 1955, considera-se como primeiro samba-enredo da história a música que a Unidos da Tijuca cantou no desfile de 1933.

      Mocidade indepéndente

      Parte da equipe que conduz a parte musical de uma escola de samba (Foto: Internet)

      Por mais que a maioria das escolas toquem um samba mais agitado, o sambinha calmo e/ou romântico também é bem-vindo! Como as escolas de samba tradicionalmente se apresentam com uma quantidade muito grande de componentes, em geral usam uma batida mais rápida para acelerar o movimento dos foliões na avenida e manter a harmonia do conjunto.

      Grandes representantes: Silas de Oliveira, Neguinho de Beija-FlorPaulinho Mocidade e Mano Décio da Viola.

      4. Partido-alto

      Esse estilo surgiu no início do século XX, dentro dos processos de modernização do samba urbano do Rio de Janeiro. Segundo estudiosos, é a forma de samba que mais se aproxima da origem do batuque angolano, do Congo e regiões mais próximas.

       rainha do partido alto

      Clementina de Jesus, a rainha do partido alto (Foto/Divulgação)

      De acordo com a Enciclopédia da Música Brasileira, o partido-alto concilia formas antigas e modernas de samba, “desde os versos improvisados à tendência de estruturação em forma fixa de canção, e que era cultivado inicialmente apenas por velhos conhecedores dos segredos do samba-dança mais antigo”. Com letras improvisadas, falam sobre a realidade dos morros e das regiões mais carentes.

      O partido-alto da década de 1970 serviu de embrião para o que viria a ser o pagode de raiz, um tipo de música direcionada por instrumentos como banjo e tantã.

      Grandes representantes: Donga, Clementina de Jesus, Candeia, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho.

      5. Samba-joia

      Trata-se de um termo cunhado por alguns críticos musicais, na década de 1970, para designar um tipo de samba supostamente de qualidade duvidosa. Também chamado de “sambão”, o estilo é caracterizado por reunir elementos de samba, soul music, bolero e jovem guarda.

      O que pouco se comenta, no entanto, é que essa vertente do samba abriu portas para uma geração de artistas que foi muito bem recebida por pessoas das mais variadas classes sociais. A turma do sambão, inclusive, recolocou o estilo nas principais emissoras de rádio e TV do país, sendo responsáveis por vendas expressivas do gênero na década de 1970.

      Luiz Ayrão, cantor e compositor

      Luiz Ayrão, autêntico bamba do samba-joia (Foto/Divulgação)

      Passadas mais de quatro décadas, o samba-joia permanece discriminado no meio acadêmico. Alguns estudiosos, inclusive, colocam na conta do sambão o surgimento do pagode romântico da década de 90.

      Grandes representantes: Benito Di Paula, WandoAgepê e Luiz Ayrão.